Mallu Magalhães, Tulipa Ruiz e Karina Buhr se destacam com ilustrações

Consolidadas no meio musical, as cantoras são responsáveis pela arte de algumas capas de CDs

por Rebeca Oliveira 16/12/2014 11:08

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Divulgação
lustrações de Mallu, Tulipa e Karina (Divulgação) (foto: Divulgação)
À primeira vista, as cantoras Mallu Magalhães, Tulipa Ruiz e Karina Buhr podem ter apenas o talento vocal em comum. No entanto, as três têm ganhado notoriedade em outra vertente: a ilustração. Todas criam pinturas, desenhos, arte digital, colagens que começaram como um hobby. Chegaram a criar a capa dos próprios discos. E não demorou até surgir o convite de outros artistas interessados no traço das três.

Uma aquarela de Mallu Magalhães pode ser vista na capa do disco 'Tudo está dito', de Bruno Capinan, lançado no mês passado. Para chegar ao resultado, Mallu enviou, por e-mail, mais de 50 ilustrações ao músico radicado no Canadá. “Foi um processo cuidadoso e atencioso de meses. Não tive problemas em administrar esse trabalho com os outros. É mesmo um prazer para mim e não me rouba, mas sim alegra o meu tempo”, explica a cantora.

“O processo e a sensibilidade dela são lindos. Cada música do disco é muito sensível, e como tudo nela é totalmente emocional, eu consegui ilustrações que provocam essas sensações no público”, elogia Bruno, que conheceu Mallu em um festival canadense, em 2010, quando ela tinha apenas 16 anos. “Queria algo meio Madame Satã, meio Marcel Duchamp, e ela acertou em cheio”, comemora o cantor.

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(foto: Facebook/Reprodução)
Entrevista // Mallu Magalhães


Já recebeu algum convite, por exemplo, para expor em galerias?
As vezes, por algum convite, chego a vislumbrar a possibilidade. Mas ainda não me sinto pronta. Não acho que eu tenha tanto conteúdo a ponto de expor. Talvez pela minha paixão por exposições solo de artistas, pela beleza da conversa entre as obras e do nascimento de um retrato do artista, eu me sinta ainda inapta a tal delicada tarefa. Sinto-me à vontade no mundo da ilustração. Isso sim. Mas me parece mesmo diferente do mundo das artes plásticas, daquele artista que desenvolve seu trabalho do nada, como um compositor. Eu desenho e pinto para as pessoas. Acho que tenho habilidade em perceber no próximo características que, ao acender em mim as mesmas, expresso em imagem. Mas não tenho, ainda, facilidade em perceber em mim conteúdo suficiente para criar obras com personalidade. Parece bem mais fácil fazer para os outros.

Como o cantor brasileiro Bruno Capinan soube que você desenhava e de que maneira ele teve contato com as suas ilustrações?

Ele me convidou para cantar numa música do Tudo está dito. E eu amei a canção. Conheci o Bruno em Toronto, quando fui tocar lá. Eu tinha uns 16 anos e minha irmã foi comigo. Bruno nos levou para passear, e nos acolheu. Encontramos, aí, um amigo. Com o tempo, mantivemos contato e aconteceu mais esse alegre encontro.

O que leva em consideração na hora de desenhar a capa de um disco?
O artista, sempre. Se ele quiser um quadrado preto, estudarei a fundo os quadrados e os pretos para apresentar o máximo possível de quadrados pretos, e tentar colocar a expressão do artista ali também, de alguma maneira. Me sinto lisonjeada quando recebo um convite de capa. Vivo me oferecendo!

O que considera indispensável na hora de pintar? Prefere aquarelas ou desenhos a lápis, ou ainda, intervenções digitais?
Sou mais das aquarelas e canetinhas. As intervenções digitais também podem ficar lindas, mas não tenho intimidade com essa ferramenta.

Onde podemos encontrar suas ilustrações, além das t-shorts da Ellus, do disco de Bruno e em seus discos?
Trabalhei com o Tom Zé em Tribunal do feicebuqi e Vira lata na Via Láctea, com o Marcelo Camelo com o cartaz da tour Voz e violão, que era o mesmo camelinho colorido, só mudávamos as datas e cidades, e da tour do DVD Mormaço e outras coisinhas. Cheguei a fazer, certa vez, um cobertura do Fashion Week para a Lillian Pacce, com fotos que eu tirava fotos e intervenções que fazia digitalmente em cima delas. E por aí vai!

Seus traços por vezes são suaves e, em outros momentos, bem marcados. Você tenta seguir algum estilo em especial? Que pintor, design ou ilustrador te inspira?
Tenho vários ídolos. Leonilson, Matisse, Hokusai, Hundertwasser...

Que capa incrível você gostaria de ter desenhado pessoalmente?
In the right place, do Dr. John.

Você tem vontade de, como fez Tulipa Ruiz, desenhar por exemplo uma linha de roupas e ter uma marca exclusivamente sua?

Sim, muita vontade. Quando estava no colegial, que não conseguia ir as aulas, acabei por ter um ensino médio muito falho. Sentia vontade de estudar e, por medo da incerteza da carreira musical, resolvi tirar cursos técnicos de costura. Sou piloteira e modelista industrial, além de saber moulage e acabamentos. Acho que mais cedo ou mais tarde caio para os lados da moda.

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(foto: Facebook/Reprodução)
Entrevista // Tulipa Ruiz


Qual a importância das artes plásticas para você?
Gosto de pensar nas coisas graficamente, na imagem do som e na mistura de linguagens. Dentro das artes plásticas posso ter alumbramentos e me comunicar por meio de sons, linhas, texturas, cores, luzes e bordados.

O que leva em consideração na hora de desenhar a capa de um disco?

Varia muito, às vezes a inspiração pode vir de um jeito muito subjetivo, comandado pela letra de uma música ou pelo nome do disco. Outras vezes é a sonoridade do disco que me dá um sinal.

O que considera indispensável na hora de pintar? Prefere aquarelas ou desenhos a lápis, ou ainda, intervenções digitais?
Gosto muito de aquarelas mas sempre acabo indo para o meio digital. Comecei a desenhar com mais freqüência usando o Paint brush. Às vezes imprimo o desenho, amasso, xeroco, escaneio, pinto. Técnica mista e livre, analógica-digital.

Quando desenha, você se cobra muito, segue à risca algum roteiro pré-estabelecido ou deixa fluir de forma orgânica?
Desenho mensalmente para o jornal Le Monde Diplomatique Brasil, então tenho trabalhado constantemente a partir de um roteiro e tenho adorado esse exercício. Mas, na maioria das vezes, o desenho é orgânico, não sei muito o que vai acontecer quando a página está em branco.

Há algum paralelo entre suas ilustrações e sua música?

São estados parecidos porque uma coisa estimula a outra. Quando canto, penso em desenhos, em partituras corporais, em gestos específicos. E quando desenho também penso em música.

Que pintor, design ou ilustrador te inspira?
Manoel de Barros, Yoko Ono e Robert Crumb são minhas inspirações mais freqüentes, embora não siga nenhum estilo específico.

Que capa incrível você gostaria de ter desenhado pessoalmente?

White álbum dos Beatles ou o Black Álbum do Metallica. Brincadeira... (risos). Queria ter visto a Joni Mitchell fazer a aquarela da capa de seu disco Court and spark, que é um dos meus discos de cabeceira. E também o Crumb desenhando a capa do Cheap thrills, da Janis Joplin.

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(foto: Facebook/Reprodução)
Entrevista // Karina Buhr


Sabemos que sua relação com as artes plásticas é antiga. Como tudo começou?

Desde pequena gosto de desenhar e sempre fiz isso sem transformar em algo maior, daí fiz as ilustrações dos discos da Comadre Fulozinha, uma banda que tinha antes do trabalho solo e depois começaram a rolar uns convites.

Quando desenha, você se cobra muito, segue à risca algum roteiro pré-estabelecido ou deixa fluir de forma orgânica?

De jeito nenhum, nem me cobro, nem sigo à risca um roteiro. Às vezes é de forma orgânica e às vezes pensado antes, mas nunca seguindo exatamente um roteiro pra chegar num resultado também exato. Na verdade, sempre acabo pegando o caminho do lado.

Você tem vontade, por exemplo, de alguma dia deixar a música e trabalhar exclusivamente com artes plásticas? E se precisasse optar, qual vertente escolheria?
Não penso nisso. Vou indo e vou, sem fazer esse tipo de escolha. É de acordo com o que vou realizando, o caminho é a partir do que vou tornando realidade.

Você costuma desenhar também os seus shows, pensando em detalhes como cenografia e iluminação?
Não. Faço minha maquiagem, mas não desenho o show e a cenografia normalmente vejo como uma coisa da luz. Alessandra Domingues, que é quem faz a luz dos meus shows, acho que é uma cenógrafa massa. Um dia posso usar cenário também, mas nunca pensei em um cenário para os shows além da luz.

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