'De tempo somos', nova montagem do Galpão, estreia nesta sexta em BH

Espetáculo se constrói com as trilhas de peças do grupo mineiro

por Carolina Braga 11/12/2014 07:30

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Guto Muniz/Divulgação
Grupo Galpão solta a voz com vontade em seu novo espetáculo, que estreia nesta sexta, em Belo Horizonte (foto: Guto Muniz/Divulgação)
Não é novidade na trajetória do Grupo Galpão o uso da música em cena. Isso posto, o que faz de 'De tempo somos' uma experiência inédita nos 32 anos da companhia é o fato de as canções, pela primeira vez, serem protagonistas. O espetáculo, que estreia nesta quinta para convidados e sexta para o público, é um sarau. “Saraus são feitos em casa, você recebe os amigos. Então, achamos isso mais apropriado”, explica a atriz Simone Ordones, que divide a direção da montagem com Lydia Del Pichia.

A proposta é ser diferente de tudo o que o Galpão já apresentou. O repertório propõe um passeio pelas trilhas sonoras das peças do grupo. “Não foi uma escolha cronológica, mas afetiva. A gente compôs quase como um show, mas achamos que estava show demais. Ator tem aquela coisa de ‘preciso falar em cena’”, brinca a atriz e diretora Lydia Del Pichia. Assim, o sarau traz fragmentos de textos de Eduardo Galeano, Anton Tchékhov, Olga Knipper, Calderón de la Barca, Charles Baudelaire, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Jack Kerouac, Paulo Leminski e José Saramago. O passar do tempo é tema comum em todos eles.

“O grupo está amadurecendo. A gente tem que se ver de outra maneira, buscar provocações e se renovar. Temos de olhar para nós mesmos sem nostalgia”, comenta Lydia. A diretora está consciente do tamanho do desafio. As trilhas dos espetáculos do Galpão já fazem parte do inconsciente coletivo – e afetivo – de quem acompanha a trupe. Como não ser nostálgico diante de canções como 'Flor, minha flor', de 'Romeu e Julieta'?

Integrante da banda Todos os Caetanos do Mundo e ator convidado da peça 'Os gigantes da montanha', Luiz Rocha é o responsável pela “repaginada”. Em 'De tempo somos', as 25 canções vieram de 'Corra enquanto é tempo' (1988), 'Álbum de família' (1990), 'Romeu e Julieta' (1992), 'Um Molière imaginário' (1997), 'Partido' (1999), 'Tio Vânia' e 'Eclipse' (ambos de 2011).

EM CASA Outra característica do novo trabalho é a simplidade. O sarau se construiu no esquema “feito em casa”. Lydia e Simone assumiram a direção, a seleção de textos coube a Eduardo Moreira, a preparação corporal ficou por conta de Fernanda Vianna, e o figurino é assinado por Paulo André. Só Arildo Barros, Chico Pelúcio e Teuda Bara não estão diretamente em cena.

“Será que o Galpão, aos 32 anos, depois de 'Os gigantes da montanha', uma produção grandiosa, consegue atuar em outro canal? Como esse Galpão sem grandiosidade reverberá nas pessoas? Como nós, artistas, damos conta disso? É um momento importante pra gente”, sintetiza Lydia. “Estamos felizes com a nossa proposta. Tomara que o público também goste. É uma homenagem”, completa Simone Ordones.

MÚSICA
Para o músico Fernando Muzzi, parceiro do Galpão nas montagens 'Romeu e Julieta', 'A rua da amargura', 'Um trem chamado desejo' e 'O inspetor geral', a companhia mineira foi pioneira ao usar como elemento de cena instrumentos como, por exemplo, acordeom, flauta, violão e trombone. “A partir do momento em que resolveram encarar a música como elemento teatral, todos eles se dedicaram, estudaram e batalharam para fazer disso um complemento. Ainda não vi o sarau, mas acho que é resultado de todos esses anos de experimentação”, diz.


DE TEMPO SOMOS
Com Grupo Galpão. De amanhã até dia 21. Sessões às sextas-feiras, às 21h; sábados, às 19h e às 21h; e domingos, às 20h. Teatro Wanda Fernandes do Galpão Cine Horto. Rua Pitangui, 3.613, Horto, (31) 3481-5580. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

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