Compositor, produtor, roteirista e repórter, Nelson Motta conta a sua vida em livro

Paulistano vem a Belo Horizonte nesta quarta-feira lançar 'As sete vidas de Nelson Motta'

por Ana Clara Brant 03/12/2014 08:00

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Daniela Dacorso/Divulgação
(foto: Daniela Dacorso/Divulgação)
Nelson Motta acaba de chegar de Portugal. Apesar de ter feito de tudo um pouco – produtor, compositor, escritor, roteirista de musical e dono de boate –, ele se registrou no hotel como jornalista. “Isso impõe mais respeito. Até porque, mesmo com tantas atividades na vida, sempre me mantive como jornalista”, ressalta.

O paulistano mais carioca do Brasil acaba de completar 70 anos. Nesta quarta-feira, ele vem a BH lançar 'As sete vidas de Nelson Motta', em que revisita sua carreira. O livro conta os casos do repórter enquanto histórias de várias gerações vão se sucedendo. Nelson lembra suas grandes reportagens, como a viagem com os Rolling Stones no início dos anos 1980, o convívio com mestres como Paulo Francis, rememora amigos da vida inteira como Vinicius de Moraes e Tim Maia.

Sem divisão em capítulos e entrelaçando passado e presente, Nelson ri de si mesmo. E nos faz rir ao contar suas muitas vidas, seja como produtor musical, compositor, dono de discotecas, comentarista de TV, roteirista e escritor. Morou em várias cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Roma e Nova York, de onde ele nos revela sua saga on the road. “São as histórias de um repórter enquanto a nossa história acontece. Minha vida pessoal é o que menos interessa”, resume.

Nelson Motta diz que suas memórias trazem a visão de um repórter que participou de projetos no teatro, TV, rádio e casas noturnas nos últimos 50 anos. “Mesmo pulando de galho em galho, o jornalismo sempre foi a minha raiz. Mostro como era a profissão, desde 1966: os personagens, quem estava surgindo, a forma de trabalhar, a linguagem, o relacionamento com os colegas e fontes. Sobretudo, como isso foi mudando ao longo do tempo”, relata.

O autor lembra o pioneirismo de sua coluna, criada em 1960, voltada para as novas gerações. Aos 23 anos, ele foi convidado por Samuel Wainer para escrever sobre o poder jovem na 'Última Hora'. “Tudo na minha vida foi no impulso. Nada era planejado. Queria ser músico e comecei a tocar violão, mas não tinha o dom como os meus colegas Edu Lobo e Dori Caymmi. Aí, passei a fazer letras e levei a sério”, relembra.

DESIGN Graças ao impulso, Nelson Motta se tornou jornalista. Estudante de design, ele era aluno de ninguém menos que Zuenir Ventura. “As aulas de comunicação eram tão espetaculares que fui fazer estágio no 'Jornal do Brasil' e virei jornalista. Meus contatos no meio e a experiência com a música me ajudaram muito no jornalismo. Uma coisa foi puxando a outra, fui convidado a produzir shows e discos. Trabalhar em jornal me ensinou a escrever, passei a fazer biografias e romances. Meu estilo se tornou bem musical, tem um ritmo. Tudo vai se somando: quando faço o roteiro de um musical, entra a minha experiência como repórter e produtor. Isso é muito bacana”, observa.

Dizendo-se seguidor do lema “deixa a vida me levar”, Nelson não costuma fazer planos. Agora, anuncia 'S’imbora, o musical', em homenagem a Wilson Simonal, previsto para estrear em janeiro, na capital fluminense. Estrelado pelo ator Ícaro Silva, que interpretou Jair Rodrigues em 'Elis, a musical', o espetáculo tem roteiro assinado pelo jornalista.

“Espero que me chamem para fazer algo que nunca fiz, pois tenho um prazer enorme em aprender, em mergulhar em uma linguagem que não conheço bem. Fico mais nervoso, mas, ao mesmo tempo, motivado. Quando fazemos coisas que já sabemos fazer, a gente corre um sério perigo de se repetir”, acredita.

Nelson se orgulha de sua múltipla trajetória. E continua seguindo os ensinamentos do pai, o advogado Nelson Cândido Motta, falecido em janeiro. “Ele dizia: quem recebe mais, tem que dar mais. Sempre procurei dividir com as pessoas as minhas descobertas e o meu conhecimento para emocionar, informar, esclarecer, harmonizar e pacificar. Seja no jornalismo ou na música, continuarei seguindo essa regra”, conclui.

Mutirão musical

A Som Livre manda para as lojas o disco Nelson 70. O próprio homenageado selecionou repertório e artistas. O projeto traz Lenine, Ed Motta, Marisa Monte e Jorge Drexler, além da nova geração – Silva, Céu, Ana Cañas e Laila Garin.

Entre as canções estão Certas coisas e Como uma onda (parcerias com Lulu Santos), Coisas do Brasil (com Guilherme Arantes) e Dancin’days (com Ruban Barra). “Pedi para que cada um me surpreendesse, e uma das maiores surpresas foi a Marisa Monte. Ela apareceu com uma linda melodia, parceria com o César Mendes, e me pediu para fazer a letra. Assim surgiu Nós e o tempo. Passados 25 anos de ter produzido o primeiro disco dela, Marisa me apronta uma dessas. Foi fantástico.”

AS SETE VIDAS DE NELSON MOTTA
De Nelson Motta
Foz Editora,
224 páginas,
R$ 39,90
>> Lançamento nesta quarta-feira, às 19h. Livraria Mineiriana, Rua Paraíba, 1.419, Savassi. Informações: (31) 3223-8092


 

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