Raphael Montes participa de bate-papo com Marçal Aquino na Bienal do Livro

Com apenas dois livros, escritor conquistou o público e o respeito dos colegas de profissão

por Mariana Peixoto 21/11/2014 09:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Bel Pedrosa/Divulgação
(foto: Bel Pedrosa/Divulgação)
Todo romance policial, de uma maneira geral, tem que trazer três elementos básicos: um crime, de preferência nas primeiras páginas; uma investigação que tomará conta da maior parte da narrativa; e finalmente a punição para o culpado. Para o escritor carioca Raphael Montes, que participa nesta sexta-feira de bate-papo sobre literatura policial com Marçal Aquino na Bienal do Livro, o gênero, no Brasil, tem algumas diferenças. “O livro vai ter um crime e um criminoso, mas a parte da investigação será prejudicada. Como nossa ordem social é rompida, na minha opinião a parte da investigação é quase acessória.” Que o diga seu segundo romance, 'Dias perfeitos' (Cia. das Letras).


Típica narrativa em que qualquer detalhe maior pode estragar a leitura, trata da relação de dois jovens. Ele é Téo, estudante de medicina que perdeu o pai, vive com a mãe entrevada numa cadeira de rodas e cuja única amiga é Gertrudes, uma mulher de idade que conheceu nas aulas de anatomia. Ela é Clarice, garota despreocupada que tem muitos amigos, não larga um cigarro mentolado e sonha se tornar roteirista de cinema. Depois de um encontro rápido, Téo cai de amores por ela. Uma vez que não é correspondido, ele, sem pensar, desfere vários golpes com um livro (de Clarice Lispector, claro) e sequestra a menina.

Com narrativa ágil, inteligente, cheia de reviravoltas (ainda que o final seja um tanto descuidado, pecando pela inverossimilhança), 'Dias perfeitos', lançado em março, está alcançando os 13 mil exemplares. Montes, por sinal, vem chamando a atenção como autor de um gênero com pouca tradição no país não só pelo número de vendas. O escritor completou neste ano 24 – Suicidas (Benvirá), seu romance de estreia, foi finalista dos prêmios São Paulo, em 2013, e Machado de Assis, em 2012. Na capa de 'Dias perfeitos' há um elogio acima de qualquer suspeita – com o perdão do trocadilho. “Raphael Montes está entre os mais brilhantes ficcionistas jovens que conheço. Ele certamente redefinirá a literatura policial brasileira e vai surgir como uma figura da cena literária mundial”, escreveu o mestre da literatura de tribunal Scott Turow.

Preconceito Montes deve sua entrada à literatura policial a uma tia, a quem dedica 'Suicidas'. Sem nenhum estímulo dos pais – acredita que até hoje seu pai nunca leu nenhum de seus romances –, era um garoto de 12 anos quando ganhou de uma tia-avó 'Um estudo em vermelho', de Arthur Conan Doyle. Virou a noite descobrindo as aventuras de Sherlock Holmes e, uma vez terminado o livro, decidiu que queria dedicar sua vida àquilo. Até os 16 anos, leu todos os clássicos do gênero, depois passou para os autores contemporâneos. “Hoje, o que menos leio é a literatura de gênero. Tenho lido mais não ficção, biografias, pois acho que ela vai me alimentar mais.”

Sem nenhum curso de letras ou escrita criativa – formou-se em direito e uma vez que a carreira na literatura decolou, nem pensou duas vezes em deixar de lado um futuro de terno e gravata – aprendeu a escrever por meio dos livros. “Passei a ler de uma maneira muito analítica, tentando entender o que o autor estava fazendo para prender os leitores, ser pertinente.”

Também acredita que o policial continua sendo visto como um gênero menor. “Não tenho a menor dúvida quanto a isso. Apresentei 'Suicidas' a todas as grandes editoras. Rocco, Record, Cia. das Letras, todas recusaram. Esperei um ano e meio, me recusei a pagar para editá-lo, porque sabia que tinha um livro legal em mãos. Ele só foi publicado porque venceu o prêmio Benvirá de Literatura (em 2010). O livro saiu por uma coleção policial da editora. Sempre me apresentei como um autor policial, mas quando ele ficou entre os finalistas de prêmios, passaram a dizer que eu não era autor policial. Como casar que eu era autor policial e um autor de prêmios?,” finaliza.

BIENAL DO LIVRO DE MINAS

O bate-papo de Raphael Montes e Marçal Aquino será nesta sexta, às 19h30, no Café Literário. A Bienal vai até domingo, no Expominas, Avenida Amazonas, 6.030, Gameleira. Hoje, das 9h às 22h; Amanhã e domingo, das 10h às 22h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Assinantes do EM têm 20% de desconto na compra de um par de ingressos. Informações: www.bienaldolivrominas.com.br

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS