Paula Rettore explora as memórias do corpo em novo trabalho, 'Correntes e naufrágios'

A "autobiografia ficcional" da bailarina e coreógrafa fica em cartaz no Memorial Vale

por Walter Sebastião 20/11/2014 07:30

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Guto Muniz/divulgação
(foto: Guto Muniz/divulgação)
'Correntes e naufrágios', performance que a bailarina Paula Rettore apresenta no Memorial Minas Gerais Vale, chama a atenção para a parte interna do corpo humano, visto como um planeta. Fluxos sanguíneos se tornam rios e mares – cortes, cirurgias e violências conformam uma geografia. A vida, por sua vez, surge como navegação movida por correntezas, em outros momentos à deriva, cruzando situações em que é preciso usar bússola ou viajar sem rumo certo.

“São memórias do corpo. Sou o barco, o mar e o naufrágio”, afirma Paula. “Às vezes, a viagem pode começar em um porto ou numa praia deserta. Tudo depende do dia, do tempo e das condições de navegação”, brinca ela, avisando que se inspirou em questões presentes na vida de todo mundo.

Com uma hora de duração, o espetáculo trabalha a relação com o entorno. Trata-se de dança abstrata, mais voltada à criação de ambientes e atmosferas do que à figuração de elementos. “O poema visual foi construído a partir da atenção ao corpo interno”, explica Paula.

A artista se vale de metáforas para exteriorizar o que chama de corpo interno, lembrando que há reações físicas que revelam esse interior. “A lágrima vem de processos íntimos”, diz. Aspectos assim são muito presentes na vida, observa Paula, dizendo que agora explora o motivo do corpo interno com mais consciência. “Sinto o que realizei como um processo cumulativo. Como um idioma, ele vai aglutinando novas palavras”, observa. O conceito de autobiografia ficcional está ligado a essas realizações.

TRILOGIA

'Correntes e naufrágios ganhou os prêmios Estímulo Funarte e Cena Minas 2014. Trata-se do segundo trabalho da trilogia que abarca 'Cartas de amor' (também livro e DVD) e 'O mapa do céu', ainda em elaboração. Paralelamente às obras e em diálogo direto com elas, a coreógrafa faz cadernos com fotos, observações, colagens e indicações. Paula tem filmado suas pesquisas e considera os vídeos “outros trabalhos”. E observa: “Não são registros”.

Dedicada à dança experimental há cerca de três décadas, Paula Rettore se concentrou em solos nos últimos anos, até como uma forma de simplificar suas produções.

A artista observa que várias pessoas foram fundamentais em sua carreira. Paula Rettore se lembra com carinho do coreógrafo, bailarino e professor mineiro Klauss Vianna. “Foi bom encontrar alguém que pesquisava o movimento por caminhos inovadores”, diz.

Outro nome importante é Carmem Paternostro. Ela trouxe para BH as propostas do teatro-dança, que enfatizava a pessoalidade e o bailarino autoral. “Tem também a Dudude, a Betina Belomo e o Rodrigo Pederneiras. É contagiante a paixão com que eles lidam com a dança e a beleza como falam dela”, conclui.

CORRENTES E NAUFRÁGIOS

Performance de Paula Rettore. Nesta quinta-feira, às 17h30 e às 20h30; sábado, às 11h30 e às 14h30; e domingo, às 11h30. Memorial Minas Gerais Vale, Praça da Liberdade, Funcionários,  (31) 3343-7317. Entrada franca.

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