Circuito Literário e Bienal do Livro são atrações para leitores em BH

Eventos permitem intimidade entre público e escritores. Circuito Literário Praça da Liberdade e a Bienal do Livro tornam cidade a capital da literatura

por Jefferson da Fonseca Coutinho 15/11/2014 10:22

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Beto Magalhães/EM/D.A Press.
Público, além de acesso a obras de gêneros diversos, tem a oportunidade de interagir com autores de prestígio numa inteligente maratona de letras e de boas histórias (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press.)


Festa da literatura na capital mineira. O Circuito Literário Praça da Liberdade e a Bienal do Livro são atrações do fim de semana para leitores de todas as idades. Artistas, escritores, editores e ilustradores de todo o país estão mais perto do grande público e, juntos, comemoram os dois eventos. O primeiro – o Circuito Literário –, desde quarta-feira, faz do ponto mais emblemático da Região Centro-Sul portal para a imaginação sem limites. Contadores de histórias deixam boquiaberta a plateia de calças curtas e autores de prestígio revelam particularidades da criação em sabatina intimista. Já a Bienal, aberta ontem, em quarta edição, espera reunir 250 mil pessoas até dia 23.

Para o escritor Humberto Werneck, homenageado da sexta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Belo Horizonte não é mais cidade de passagem para os municípios históricos da Região Central de Minas ou para as atrações culturais da região metropolitana. “É fabuloso ver a cidade com todo esse polo de grandes equipamentos dedicados à cultura. É uma grande oportunidade para a população jovem ter acesso à intimidade com o que é da arte”, considera. O poeta Carlos Roberto Pellegrino não imaginava ver movimento tão feliz na cidade. “É um momento fantástico. Mas é preciso dinamizar. Sobretudo a divulgação. A cidade ainda não tomou conhecimento da beleza desses eventos.”

Sob as luzes do Teatro 2 do CCBB, os escritores Luís Giffoni, Ana Elisa Ribeiro e Branca Maria de Paula sabatinam o autor de O Desatino da rapaziada, O Santo sujo – A Vida de Jayme Ovalle, O espalhador de passarinhos, Esse inferno vai acabar e Sonhos rebobinados. Humberto Werneck fala de jornalismo, literatura e dos amores e dissabores com a escrita. Revela detalhes de inspiração e conta casos que o despertaram para a criação – como o copo de requeijão, quando deu ao público linhas faladas para a diversão. O escritor belo-horizontino defende a crônica e lamenta a falta de valorização do gênero. Para ele, na imprensa, é o cronista o sujeito mais próximo do leitor.

Beto Magalhães/EM/D.A Press.
Escritor Humberto Werneck fala de literatura, jornalismo e conta casos (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press.)
PERFORMANCES La fora, na alameda entre as palmeiras imperiais, outro ambiente em festa. Nem a chuva espantou quem veio de longe para prestigiar o Circuito Literário. Entre as palmeiras imperiais, o mapa do evento de cinco dias, distribuído por mais de 10 endereços da Praça da Liberdade, ganha destaque no caixote de cinco metros de altura. O Trem dos Cem – coletivo de editoras infanto-juvenis – rouba a cena no espaço coberto dedicado às páginas de traços e letras. A trupe Educativo Liberdade e a contadora de histórias Aline Medeiros ganham os visitantes com performances de tirar o chapéu. Nos “vagões” do infinito, são cerca de 500 títulos à disposição do jovem leitor.

Mariana Almeida, de 18, Sarah Tielhy, de 21, e Thaline Gonçalves, de 20, elogiam a iniciativa. Entretanto, cobram mais publicidade. Das três, apenas Sarah sabia do Circuito Literário. “Mas pensei que fosse só aqui, na alameda”, diz. Thaline e Mariana comentam que só tomaram conhecimento porque estavam de passagem pela região. “Falta divulgação. Um projeto tão legal, tão importante…”, afirma Mariana, estudante de zootecnica. As três, entusiasmadas, entendem que a cidade não sabe o que está perdendo.

Homenagem a
Rubem Alves

Rubem Alves (1933-2014) é o grande homenageado da Bienal do Livro de Minas Gerais, com a criação de biblioteca que leva o seu nome. O escritor e educador mineiro, traduzido em várias partes do mundo, publicou mais de 160 livros – além de crônicas e ensaios. Consagrou-se também junto ao público infantil por obras memoráveis como A boneca de pano. A Bienal do Livro é a atração no Expominas, no Bairro Gameleira, Região Oeste de Belo Horizonte.
Até dia 23.

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Thaline, Sarah e Mariana divertem-se em um mundo de conhecimento (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press.)

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