Manoel de Barros deixa legado de paixão pela poesia

Autor de mais de 30 publicações, poeta morreu nesta quinta-feira, aos 97 anos, em Campo Grande

13/11/2014 11:16

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TV Brasil/Divulgação
(foto: TV Brasil/Divulgação)
O aclamado poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, mais conhecido como Manoel de Barros, nasceu em Cuiabá, no Mato Grosso, no ano de 1916. Em sua longa jornada de 97 anos - que chegou ao fim nesta quinta-feira, 13 de novembro – lançou mais de 30 livros, no Brasil e no exterior. O último, 'Portas de Pedro Viana', foi editado no ano passado.

 

Ainda criança, mudou-se para Corumbá, e depois para Campo Grande, onde conheceu a rigidez e disciplina em um colégio interno. Mais tarde, foi morar Rio de Janeiro para cursar faculdade de Direito. Foi nesta época que começou a se interessar por política e entrou para a Juventude Comunista.


A aproximação com o comunismo lhe rendeu uma boa história e a perda de seu primeiro livro. Aos 18 anos, o escritor pichou a frase “Viva a liberdade” em uma estátua e foi procurado pela polícia na pensão onde morava. Em defesa do inquilino, a dona da pensão mostrou que o suspeito era um rapaz de bem, e a prova disso seria o fato dele ter escrito um livro. O título dessa primeira incursão na literatura era “Nossa Senhora de Minha Escuridão”. O policial liberou o rapaz e levou o livro, fazendo com que a primeira obra do autor se perdesse.


Manoel de Barros se formou bacharel em direito em 1941. Antes disso, em 1937, publicou 'Poemas Concebido Sem Pecado', considerado seu primeiro livro e feito artesanalmente por amigos numa tiragem de 20 exemplares mais um, que ficou com ele. Um ano após se formar lançou 'Face Imóvel' e, em 1946, 'Poesias'.


Após romper com o Partido Comunista, morou na Bolívia e no Peru, além de um ano em Nova York, onde fez um curso de cinema e pintura no Museu de Arte Moderna. Na década de 1960, voltou a morar em Campo Grande, se tornando fazendeiro.


Apesar do novo ofício, nunca deixou de escrever, e mesmo ganhado diversos prêmios já nessa época, ainda era desconhecido do público. Sua obra só começou a se tornar popular na década de 1980, quando começou a ser publicada por Millôr Fernandes em suas colunas nas revistas 'Veja' e 'Isto é'. Depois de Millôr, outros nomes aclamaram a poesia de Barros, entre eles Fausto Wolff, Antônio Houaiss. O reconhecimento levou à edição de 'Gramática expositiva do chão', que reuniu praticamente todos os poemas do escritor até aquele momento.


PRÊMIOS O poeta foi agraciado com o 'Prêmio Orlando Dantas' em 1960, oferecido pela Academia Brasileira de Letras ao livro 'Compêndio para uso dos pássaros'. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra 'Gramática expositiva do chão'.


Um dos maiores reconhecimentos foi no ano de 1989, quando recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Poesia, como o livro 'O guardador de águas'. O feito se repetiu em 2002, com 'O fazedor de amanhecer', que ganhou o Jabuti de melhor livro de ficção.


Em entrevista ao Jornal Estado de Minas, em junho de 2013, Manoel de Barros contou como era sua rotina, provavelmente até antes de ser internado, há duas semanas. “Levanto, tomo meu chá, essas coisas e vou para o escritório. Desço de lá às 11h, aí vou tomar um aperitivo. Tem um uísque bom aí. Recebo sempre pinga de Minas, mas agora eu dispenso. O médico falou: ‘Pinga te faz mal, uísque é melhor’. Tomo aperitivo, vou almoçar, vou deitar um pouco. De tarde, ler jornal, coisas que chegam pra mim. Todo dia vem correspondência, vem livro novo. O Brasil tem mais poeta do que mosca.”

LIVROS PUBLICADOS

1942 — Face imóvel
1956 — Poesias
1960 — Compêndio para uso dos pássaros
1966 — Gramática expositiva do chão
1974 — Matéria de poesia
1980 — Arranjos para assobio
1985 — Livro de pré-coisas
1989 — O guardador das águas
1990 — Gramática expositiva do chão: Poesia quase toda
1993 — Concerto a céu aberto para solos de aves
1993 — O livro das ignorãças
1996 — Livro sobre nada
1996 — Das Buch der Unwissenheiten - Edição da revista alemã Akzente
1998 — Retrato do artista quando coisa
2000 — Ensaios fotográficos
2000 — Exercícios de ser criança
2000 — Encantador de palavras - Edição portuguesa
2001 — O fazedor de amanhecer
2001 — Tratado geral das grandezas do ínfimo
2001 — Águas
2003 — Para encontrar o azul eu uso pássaros
2003 — Cantigas para um passarinho à toa
2003 — Les paroles sans limite - Edição francesa
2003 — Todo lo que no invento es falso - Antologia na Espanha
2004 — Poemas Rupestres
2005 — Riba del dessemblat. Antologia poètica — Edição catalã (2005, Lleonard Muntaner, Editor)
2005 — Memórias inventadas I
2006 — Memórias inventadas II
2007 — Memórias inventadas III
2010 — Menino do Mato
2010 — Poesia Completa
2011 — Escritos em verbal de ave
2013 — Portas de Pedro Vian

PRÊMIOS

1960 — Prêmio Orlando Dantas - Diário de Notícias, com o livro Compêndio para uso dos pássaros;
1966 — Prêmio Nacional de poesias, com o livro Gramática expositiva do chão;
1969 — Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, com o livro Gramática expositiva do chão.
1989 — Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Poesia, como o livro O guardador de águas;
1990 — Prêmio Jacaré de Prata da Secretaria de Cultura de Mato Grosso do Sul como melhor escritor do ano;
1996 — Prêmio Alfonso Guimarães da Biblioteca Nacional, com o livro Livro das ignorãnças;
1997 — Prêmio Nestlé de Poesia, com o livro Livro sobre nada;
1998 — Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto da obra;
2000 — Prêmio Odilo Costa Filho - Fundação do Livro Infanto Juvenil, com o livro Exercício de ser criança;
2000 — Prêmio Academia Brasileira de Letras, com o livro Exercício de ser criança;
2002 — Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria livro de ficção, com O fazedor de amanhecer;
2005 — Prêmio APCA 2004 de melhor poesia, com o livro Poemas rupestres;
2006 — Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira, com o livro Poemas rupestres

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