Melhor espetáculo de BH está em cartaz nos parques e jardins botânicos

Áreas da capital oferecem programas orientados aos visitantes. Biólogos destacam o bom momento climático e a diversidade de opções existentes na cidade

por Walter Sebastião 08/11/2014 11:55

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Marcos Michelin/EM/D.A Press
Parque Municipal: paisagismo em diálogo com o coração da metrópole (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Belo Horizonte pode não merecer o título que já ostentou de Cidade Jardim, mas dispõe de algumas opções para quem se interessar em acompanhar a exuberante festa da natureza em torno da nova configuração de clima. São parques e jardins botânicos, que oferecem ao público algumas atrações especiais, visitas guiadas e oficinas para os amantes da natureza e da arte. Cada acervo botânico tem um perfil particular, que merece ser conhecido. O Estado de Minas conversou com botânicos e responsáveis pelos parques e jardins da cidade, e apresenta informações e dicas para os visitantes.

O Centro de Arte Contemporânea de Inhotim atrai público interessado de todo o mundo. Ao chegar a Brumadinho, muitas vezes, o visitante se impressiona mais com as obras de Deus – o belíssimo parque da instituição – do que com as criações do homem. O jardim botânico, com seu precioso paisagismo, dialoga com as obras dos mais importantes artistas contemporâneos. O resultado é um conjunto de experiências e sensações que se torna ainda mais expressivo no momento em que, como alertam os biólogos, o tempo seco está terminando e começam as primeiras chuvas. Como reza a sabedoria popular, em momentos assim, a natureza agradece.

Localizado no coração da cidade, o Parque Municipal foi imaginado pelos engenheiros que construíram Belo Horizonte como uma ilha de romantismo. A característica dele é ser ornamental, articulando paisagismo – abriga mais de 300 espécies nativas e exóticas – com esculturas, pontes, coreto e lagos. A bióloga Tatiana Cordeiro, que trabalha no local, explica que a chuva tira a poeira dos vegetais, faz as plantas viçosas, traz sombras acolhedoras, melhora a qualidade do ar e muda a paisagem. “É o momento de alegria da natureza. Esta é uma boa época para visitar parques e jardins”, reforça Tatiana.

O Parque das Mangabeiras é a maior área verde de Belo Horizonte. O biólogo Ernesto de Oliveira Andrade Lemos observa: “Não é jardim plantado”. E explica que a vegetação, seja cerrado ou mata, é própria da região. A passagem da primavera para o verão “traz explosão de vida”, afirma Lemos.Portanto, olho vivo, seja para o pequeno musgo, para o grande jequitibá ou para aves que se alimentam em árvores onde se abrigam várias espécies de plantas e animais. “Esses aspectos formam um todo”, diz Ernesto. O parque tem áreas fechadas ao público. Deve-se seguir sempre as normas do local, adverte o biólogo. “No mato há bichos peçonhentos”, alerta.

Rossana Magri/Divulgação
Nos jardins do Inhotim, a arte tem a mão de Deus e do homem (foto: Rossana Magri/Divulgação)
DIÁLOGO


A característica fundamental do Instituto Inhotim é o diálogo entre arte e natureza. Essa diretriz se estende à apresentação das coleções botânicas (com palmeiras, bromélias e orquídeas), integradas ao projeto paisagístico que remonta ao trabalho de Burle Marx, com vários jardins temáticos. “Estamos numa época maravilhosa para entender a importância da educação ambiental”, observa Laura Neres, coordenadora de educação ambiental de Inhotim.

Trazer o tema para o cotidiano é essencial, defende ela. “Meio ambiente é planta, bicho, gente, terra. Não basta fechar a torneira, temos de mudar hábitos”, propõe Laura Neres. Dar bom-dia e valorizar relações interpessoais são hábitos que também ajudam a conservar a biodiversidade e a melhorar a qualidade de vida, destaca.

Laura recomenda ao visitante de parques e jardins andar a pé. “A percepção fica mais aguçada”, justifica. Depois, deve-se usar todos os sentidos: ouvir os pássaros, tatear folhas, sentir texturas e cheiros, observar detalhes. “O passeio pede roupa confortável, chapéu, protetor solar, sapatos fechados e coração aberto”, avisa. Vale ainda levar cantil e capa de chuva.

MATA ATLÂNTICA


O Jardim Botânico da UFMG é um dos maiores fragmentos dos resquícios da Mata Atlântica em BH. A vice-diretora Flávia Santos Faria explica que esse bioma ocupava toda a costa brasileira, mas restam apenas 5% da vegetação original. A principal característica é a variedade de plantas, insetos e animais, além das árvores de porte alto e sempre verdes. O local abriga cerca de 400 espécies, várias delas ameaçadas de extinção. A botânica lembra que este é o momento da reprodução, com abundância de flores, frutos e sementes. “O auge de exuberância pode ser visto em todo lugar onde há vegetação”.

Nem sempre o público sabe distinguir parques de jardins botânicos. Flávia Santos explica: parque é área natural mantida como espaço de recreação; jardim botânico é especializado, tem o objetivo de conservar e catalogar espécies.

Belo Horizonte conta com 74 parques públicos, abertos de terça-feira a domingo. Os mais conhecidos são o Municipal e o Mangabeiras, mas existem outros: Lagoa do Nado (Bairro Itapoã), Burle Marx (Barreiro), Nossa Senhora da Piedade (Aarão Reis), Jacques Cousteau (Bethânia) e Professor Marcos Mazoni (Cidade Nova). A Prefeitura de Belo Horizonte disponibilizou o aplicativo Parques BH para celulares e tablets com sistema Android. Informações: www.pbh.gov.br/parques.



Onde ir

» Parque Municipal – Av. Afonso Pena 1.377, Centro, (31) 3277-4161. Aberto de terça-feira a domingo, das 6h às 18h. Entrada franca.

» Parque das Mangabeiras – Av. José do Patrocínio Pontes, 580, Mangabeiras, (31) 3277-8277. Aberto de terça-feira a domingo, das 8h às 17h.

» Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG – Rua Gustavo da Silveira, 1.035, Santa Inês, (31) 3409-7650. Aberto de terça a sexta-feira, das 8h30 às 16h; sábado e domingo, das 10h às 17h. R$ 4.

» Instituto Inhotim – Rua B, 20, Brumadinho, (31) 3571-9700. Aberto de terça a sexta-feira, das 9h30 às 16h30; sábado, domingo e feriado, das 9h30 às 17h30. Informações e visitas agendadas: (31) 3571-9700. Entrada franca na terça-feira. Quarta e quinta-feira: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Sexta-feira, sábado, domingo e feriado: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Crianças até 5 anos não pagam. Assinantes do Estado de Minas têm 50% de desconto na compra de dois ingressos. Transporte interno: R$ 20.

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