Espetáculo aborda questões relativas às perdas e frustrações de um idoso

Com direção de Aderbal Freire-Filho, peça ficca em cartaz nessa sexta e sábado na capital

por Ailton Magioli 07/11/2014 10:35

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Cláudia Ribeiro/Divulgação
'Vianninha conta o último combate do homem comum' é peça sobre umhomem que, depois de trabalhar a vida toda, se vê sem autonomia (foto: Cláudia Ribeiro/Divulgação)
Quem conhece a obra de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) vai perceber que o principal personagem de 'Vianninha conta o último combate do homem comum', cartaz de hoje e amanhã à noite, no Cine Theatro Brasil Vallourec, é, na verdade, o mesmo de peças de sucesso do autor: 'Moço em estado de sítio' e 'Rasga coração'.

“Trata-se de Manguari Pistolão, aqui nominado Souza, que, mesmo trabalhando a vida inteira, jamais deixou de se considerar batalhador por uma sociedade melhor”, diz o diretor Aderbal Freire-Filho, lembrando que, além desse detalhe, a trama tem estrutura que mostra o que é a construção de um texto teatral.

Depois de duas montagens de 'Corpo a corpo', uma de 'Moço em estado de sítio' e uma de 'Mão na luva', Aderbal dirige o quarto texto de Vianninha, originalmente batizado de 'Em família'. Além de reavivar a memória de um dos maiores autores teatrais das décadas de 1960 e 1970, o diretor está doando seu cachê para a o resgate da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), que vive uma das piores crises desde a sua fundação, em 1917.

Segundo Aderbal Freire-Filho, à certa altura da trama de 'Vianninha conta o último combate do homem comum', alguém compara Manguari Pistolão a Dom Quixote, e o personagem se defende imediatamente: ‘Eu não sou Dom Quixote, sou o contrário dele, que quis lutar contra tudo, enquanto eu quis aceitar, quis encontrar a possibilidade de uma vida melhor’.

Em Vianninha conta o último combate do homem comum, o autor fala do último combate de um homem que, de acordo com o diretor, tem um pouco de todos nós. Depois de uma vida inteira de trabalho, um casamento de longa data e cinco filhos criados, Souza se vê sem ter onde morar e sem autonomia, sendo obrigado a se separar da companheira de toda a vida por decisão dos filhos.

Segundo Aderbal Freire-Filho, Vianninha pinta um triste e ainda atual quadro sobre o idoso no Brasil, fazendo uso, no entanto, das tintas do humor e, assim, imprimindo dimensão humana aos personagens. Na opinião do diretor, se vivo fosse, Vianninha seria, ainda hoje, representante da nova dramaturgia brasileira, tamanha é a mestria do autor na denominada carpintaria teatral.

“Ele é o nosso Arthur Miller (1915-2005)”, diz Aderbal Freire-Filho, recordando-se de um amigo que gosta de comparar o dramaturgo brasileiro ao norte-americano, autor de clássicos como 'O caixeiro viajante'. “No caso de 'Vianninha conta o último combate do homem comum' há uma história tocante em cena. Uma história de separação, de frustração, que ele no entanto sabe misturar muito bem, com muito humor”, acrescenta o diretor. “O efeito disso tudo é que o público ri o tempo inteiro, e sai do teatro chorando, sem ver uma tragédia. Trata-se de uma comédia que não se esgota no riso.”

Leitura e papo

Amanhã à tarde, o diretor Aderbal Freire-Filho vai participar do Encontro com Vianninha – Leitura e bate-papo no Galpão Cine Horto, do Bairro Horto, onde, além da leitura de 'Papa Highirte', um dos maiores clássicos do autor, que permaneceu censurada durante 11 anos, irá conversar com o público sobre a vida e obra do dramaturgo. O evento e a apresentação da montagem de Aderbal integram a Mostra Cine BrasilTeatro e Música, cuja programação teatral tem curadoria do Grupo Galpão.

Para salvar a Sbat

Vianninha, que também foi sócio da Sbat, com certeza estaria preocupado com a situação vivida pela sociedade de autores brasileiros, segundo Aderbal, que lidera a campanha de resgate da entidade, ao lado do também dramaturgo e novelista Lauro César Muniz. Com passivo trabalhista alto, a Sbat não tem diretoria atualmente e sobrevive a duras penas, do apoio dos autores. Para tentar mudar a situação, Aderbal e Lauro César Muniz promoverão, no fim do mês, em São Paulo, congresso de dramaturgos e roteiristas, por meio do qual pretendem sensibilizar a classe para a importância das atividades da Sbat.

. 'VIANNINHA CONTA O ÚLTIMO COMBATE DO HOMEM COMUM'
Sexta e sábado, às 21h. Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça Sete, s/nº, Centro. Classificação: 14 anos. Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 10 (funcionários Vallourec).

. ENCONTO COM VIANNINHA – LEITURA E BATE-PAPO
Sábado, às 14h. Galpão Cine Horto, Rua Pitangui, 3.613, Horto. Entrada franca. Informações: (31) 3201-5211.

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