Delson Uchôa abre exposição na AM Galeria de Arte

Reunião de cinco obras é apenas amostra do que o artista pretende trazer em breve à cidade

por Walter Sebastião 03/11/2014 07:00

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 Hipertexto/Divulgação
(foto: Hipertexto/Divulgação )
Quem não conhece a pintura do alagoano Delson Uchôa, de 58 anos, não sabe o que está perdendo. Há mais de três décadas, ele cria grandes superfícies nas quais esbanja, sem pudor, cores, matérias e estruturas. E o resultado são envolventes tramas óticas, que, sem deixar de ser abstrações, evocam textos, mapas, diagramas, tapetes, motivos populares e eruditos. Cinco obras do artista estão sendo apresentadas na AM Galeria de Arte. Mostra que é só cartão de apresentação, conta Uchôa, já que, em breve, vai realizar novos e ambiciosos projetos em Belo Horizonte.


Duas das cinco obras, explica Delson Uchôa, trazem pinturas que ele considera autofágica. Ou seja: são trabalhos criados a partir de obras antigas, algumas realizadas há mais de uma década, que aumentaram de tamanho ou ganharam intensidade luminosa. “Estou me alimentando de mim mesmo”, afirma. “Sou eu e o tempo trabalhando juntos”, observa. A pintura chamada Heliosfera, por sua vez, remete a camada da superfície do Sol e se vale de “luminosidade tórrida” para especular sobre “luz estridente, cultural e natural, dos trópicos e, em particular, do Nordeste brasileiro”.


Outras duas telas remetem a Adamastor, gigante mítico que, em poemas de Camões, enfrenta Vasco da Gama no Cabo das Tormentas. São evocados também o frevo e o encanto do pintor pelo poeta Jorge de Lima (1895-1953): “Como meu conterrâneo sou um inventor de mundos”, diz. São peças que, segundo Delson, explicam os motivos de ele gostar de trabalhos de grandes dimensões (o artista tem obras de mais de 30m e anda sonhando com intervenções que vão além dos 100m): “São imagens que tomam todo campo de visão do espectador, permitindo que quem as vê possa passear nelas”.


Movendo o trabalho realizado ao longo do tempo estão a paixão pela cor e pela luz, que cobriram suportes variados (madeira, lona, jeans, couro, parede etc.). E, nos últimos anos, avançaram sobre paisagens naturais, com intervenções que se valem de sombrinhas chinesas para criar imagens (está na exposição registro de algumas ações já realizadas). O artista já fez pintura-objeto: lajotas de terra batida, cobertas de tinta, retiradas do chão depois de longo período. “É tudo pintura. Sou pintor e fiz pintura mesmo quando ela entrou em colapso, no fim do século 20, devido à multiplicidade de outras mídias”, afirma.


Inspiração para o que realiza, conta Uchôa, foi o escritor irlandês James Joyce (1882-1941), precisamente a obra mais experimental dele (o livro Finnegans Wake). “Faço o mesmo que Joyce fez na obra: misturo várias línguas para criar outra estética”, justifica. Importante, em momento de busca de arte “não colonizada”, foi a obra do uruguaio Torres- Garcia (1874-1949),“que é chamada para a realização de uma pintura latino-americana”. Acrescente-se Tarsila do Amaral, Volpi, Raymundo Colares e Hélio Oiticica. “Nunca sei se eles falam do Brasil ou se criaram pedacinhos do Brasil”, conta.
O artista é um dos mais importantes nomes da chamada Geração 80. Em 2009, participou da 53ª Bienal de Veneza; tem obras em coleções de museus em todo o mundo, entre eles Inhotim. Delson Uchôa vive e trabalha em Maceió (AL). Formou-se em medicina, em 1981, e, paralelamente, iniciou seus estudos em pintura na Fundação Pierre Chalita. Participou das bienais de Curitiba (2013), do Cairo (2010), de Havana (2009) e de São Paulo (1998) entre outras.

 

A PELE DA CASA: A PINTURA EM QUE HABITO
Mostra de pinturas de Delson Uchôa. AM Galeria de Arte, Rua Cláudio Manoel 155, Funcionários, (31) 3223-4209. Aberta
de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h30. Até 12 de dezembro. Entrada franca.



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