Mudanças em decorrência da gravidez são tema de peça em cartaz na capital

Peça fica em cartaz até domingo no Teatro Marília

por Carolina Braga 31/10/2014 10:00

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Guto Muniz/Divulgação
'Carolina, de Lorca', solo de Carolina Correa, fala sobre sentimentos de mulheres grávidas (foto: Guto Muniz/Divulgação)
Em meio ao turbilhão de emoções, informações e mudanças pelas quais o próprio corpo passava durante a gravidez de Lira, hoje com 2 anos e três meses, a atriz Carolina Correa precisou encontrar uma forma para dar vazão a tudo aquilo. Assim nasceu 'Carolina, de Lorca', espetáculo em cartaz até domingo no Teatro Marília e que, na segunda-feira, tem única apresentação no Encontro Sesi de Artes Cênicas de Araxá. A peça mistura cenas da própria vida, experimentações corporais e uma observação bem-humorada deste momento singular.

A atriz acabara de se matricular em uma pós-graduação em performance quando descobriu que seria mãe. Era um plano antigo, precedido de um aborto natural e, portanto, muito esperado. As tentativas foram várias. Naquele momento, ouviu de tudo um pouco. Receitas populares, mandingas diversas. Quando engravidou, outras recomendações surgiram, confirmando a tal pressão social. E o sentimento era um misto de expectativa e vontade de compartilhar as reflexões que fazia daquilo tudo.

“Quando estava falando de mim, percebi que falava também de outras mulheres. Tudo era muito similar. Vinha uma necessidade de colocar muita coisa para fora, e um desejo de dizer coisas que normalmente não são ditas”, conta. Foi pelo caminho do humor, transitando entre o teatro documental e a performance, que a montagem foi construída, sob direção de Antônia Claret e Léo Kildare Louback. As projeções são de Leonardo Barcelos, do Coletivo Teia.

O projeto foi tomando forma aos poucos. Primeiro, foi uma performance de cinco minutos, batizada de 'Gravidanza'. Depois, com a descoberta – e total identificação – do texto Yerma, de Federico García Lorca, a dramaturgia se encorpou. Enquanto o espanhol narra a angústia da mulher que vive o drama de não poder conceber um filho, Carolina usa a identificação com o momento de espera para “brincar” com os clichês em torno da gravidez.

“Tem aquela ideia de que a maternidade é plena, tudo maravilhoso. Também é, mas vivenciamos frustrações, hormônios descontrolados, mudanças corporais, de humor, no relacionamento com o marido. São coisas camufladas pela sociedade. Tem também os bombardeios mil na nossa cabeça”, diz. O texto da peça se tornou, então, a fusão das experiências da atriz com a ficção de García Lorca.

'Carolina, de Lorca' estreou em abril, no Rio de Janeiro, e também esteve em cartaz durante o Festival de Teatro Independente de Buenos Aires, na Argentina. Depois da temporada no Teatro Marília, a montagem fará curta passagem pelo Sesc São Paulo e, em janeiro, será apresentada na Mostra Off do Festival Santiago a Mil, no Chile.  

'Carolina, de Lorca'
Sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Teatro Marília, Avenida Alfredo Balena, 596, Santa Efigênia,
(31) 3277-6319. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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