Sérgio Nunes reúne pinturas e aquarelas em mostra dedicada a bacias e naturezas-mortas

O artista plástico mineiro explora várias linguagens, mas aposta na unidade da diversidade

por Walter Sebastião 29/10/2014 08:30

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Tina Carvalhaes/Divulgação
Bacias e flores inspiram trabalhos do mineiro Sérgio Nunes, expostos na Errol Flynn Galeria de Arte (foto: Tina Carvalhaes/Divulgação)
“Gosto de pensar que o que faço é recolher e distribuir poesia. A palavra poesia abarca não só a beleza, mas a força atemporal que emana da arte. É essa força que me interessa”, afirma Sérgio Nunes, de 58 anos. Ele mostra pinturas e aquarelas na Errol Flynn Galeria de Arte, em BH, depois de passar oito anos sem expor. Os 37 trabalhos se dividem em dois grupos: variações sobre bacias com flores, criadas nos últimos anos; e a produção avulsa, “de gaveta”, como define o crítico Olívio Tavares de Araújo, autor do texto do catálogo. Esse conjunto traz peças criadas desde o fim dos anos 1980.


Se agora apresenta pinturas e aquarelas, Sérgio Nunes avisa: ao longo da sua trajetória, tais meios ganharam o mesmo espaço do desenho e do objeto. “Exercitar todas essas linguagens é um hábito da minha geração”, observa. Para ele, importante é o prazer que cada prática oferece. Valores essenciais para Sérgio Nunes são estrutura, composição, equilíbrio, ritmo, harmonia, gesto e cor. “Lanço mão desses recursos para criar um trabalho, mas é a poesia que se desprende dele quando o espectador o vê”, explica.


A maioria dos trabalhos expostos é formada por naturezas-mortas e bacias com flores. “É um pretexto para puxar manchas. A mescla de figuração e abstração é importante no que faço”, explica. O fato de realizar exposições com grande número de obras é fruto de sua intensa produção. “Como trabalho com várias linguagens e exponho num mesmo espaço peças distintas, tenho necessidade de um conjunto que forme um corpo e dê sentido ao realizado. Há unidade na diversidade”, garante.


Sérgio Nunes nasceu e trabalha em Belo Horizonte. Formado pela Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, fez cursos livres no exterior. O mineiro desenha desde criança. Começou a atividade usando o eucatex do fundo de uma estante do pai. “Venho muito daí. A cada dia, vou até o muro branco e faço alguma coisa”, compara. Aos 19 anos, Sérgio fez a primeira exposição. O artista evita alinhamentos com transformações da arte ao longo das últimas quatro décadas. “O importante nesse percurso é ser eu mesmo. Até porque, o tempo não existe”, conclui.

 

Arte
“Não acredito em arte social. Não faço arte nem para a sociedade nem para a história, ainda que seja atento a essa última. Para mim, poesia e arte são sinônimos. Qualquer forma de arte tem poesia. Se não tiver, não é arte.”

Contexto
“De 1970 pra cá, temos poucas coisas boas e, a partir de 1990, uma redução ainda mais dramática. Há um excesso de retinianismo, falta poesia, há manipulação do artista pelo mundo da arte. Que curador de grandes exposições, como as bienais, tem autoridade para fechar a mostra num tema específico? Fazer isso é fazer arte de encomenda. O que há de positivo, desde então, é o nascimento e o crescimento da diversidade e da multiplicidade de linguagens. A arte se expandiu, as linguagens se expandiram, o que traz mais possibilidade de expressão.”

Belo Horizonte
“A expansão do circuito de artes visuais traz sensação de alívio e perigo. Alívio, porque é bom saber que a cidade cresceu e temos mais galerias, mais espaços para a arte. Quanto mais, melhor. O perigo é que há muita coisa fútil, superficial e frívola, o que não tem nada a ver com arte. O mundo da arte está manipulando o artista e controlando-o cada vez mais.” 

 

SÉRGIO NUNES
Pintura e aquarela. Errol Flynn Galeria de Arte, Rua Alagoas, 977, Savassi, (31) 3318-3830. De segunda a sexta-feira, das
9h às 19h; sábado, das 10h às 14h. Até 15 de novembro

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