Mineira Niura Bellavinha volta à capital com exposição no Oi Futuro

Artista vai apresentar média-metragem e pintura feita com pó de meteorito

por Walter Sebastião 14/10/2014 08:15

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Cristina Horta/EM/D.A Press
A artista Niura Bellavinha abre mostra de fotos, vídeos, performance, filme e pinturas no Oi Futuro (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
A artista plástica mineira Niura Bellavinha está de volta a Belo Horizonte. Nesta terça, ela abre a exposição 'Em torno da luz' no Oi Futuro. Além de pinturas, foto, vídeos e do registro de ações, ele vai lançar o média-metragem 'NháNhá' e apresentar trabalho sobre tela feito com pó de meteorito.

“É tudo pintura”, afirma Niura, com uma gargalhada, ignorando diferenças entre os meios utilizados e conceitos sobre gênero. Uma das mais importantes autoras brasileiras, há quase três décadas ela adota o discurso que afirma a dimensão plástica e visual, além de discutir conceitos.

A experimentação sempre esteve presente na obra de Niura. “A pintura pode acontecer em várias mídias. Esse transitar por suportes diferentes é da natureza dela”, argumenta, lembrando que muitos artistas adotaram essa perspectiva. O momento é de encanto com o filme 'NháNhá'. O trabalho surgiu num momento de pausa para pensar sobre ofício durante viagem para Santana de Ferros, perto de Itabira (MG), onde nasceu a avó dela.

Niura fez a viagem só com caderno e livros de Carlos Drummond de Andrade. Uma parada para tomar água num boteco de beira de estrada levou à descoberta de uma casa construída na montanha corroída pela mineração. O imóvel estava vazio, mas nos cômodos havia marcas de sofás, quadros, relógios, crucifixo e bancos. A luz do fim de tarde deu tom cinematográfico à cena. A artista fechou portas e janelas, continuou sua viagem.

Em Santana dos Ferros, Niura criou o roteiro do filme. Três meses mais tarde, voltou com equipamentos e pequena equipe para filmar. Outra surpresa: a casa não existia mais. “E nem o boteco onde parei”, brinca ela. A chuva que caía na região a impressionou, sobretudo as enxurradas e os rios vermelhos. A pintora decidiu procurar com Alexandre Bax, diretor de fotografia, lugares semelhantes em torno de BH. Pouco conseguiu. Foi assim que decidiu usar fotos de casas parecidas com aquela no caminho de Itabira. Surgiu a maquete levada ao local com vento e poeira onde 'NháNhá' foi rodado.

Vestígios “O filme é uma fábula sobre tempo, memória e vestígios, mas a partir do agora e não do passado”, explica a artista. Vestígios sempre estiveram presentes nos trabalhos dela. Sinalizam consideração sobre a vida, a transitoriedade da matéria, o tempo da pintura. “Eles registram a atomicidade das coisas, que não morrem, mas se transformam. Inclusive o corpo”, acrescenta. O trabalho, explica, tem conteúdo social forte. “É poema trágico sobre uma situação que articula bálsamo e veneno. Está nas imagens a riqueza econômica e a destruição de pessoas e paisagens, Não há royalties que paguem isso”, analisa a artista.

'NháNhá', explica Niura Bellavinha, é ficção baseada no real. Fazer o filme trouxe reflexões sobre a arte. “Não pinto paisagens, mas na paisagem e com várias ferramentas – pincéis, câmaras fotográficas, jatos de água e ar. A experimentação é algo muito presente no que faço. Dou-me liberdade de trabalhar, sem me preocupar com regras sobre o que a pintura é ou deve ser”, afirma. Inclusive, está na mostra obra criada com lascas de pintura de parede que a artista recolheu quando ainda era criança, material guardado pelo pai dela. “É a minha primeira pintura”, garante.

Um eixo que atravessa a obra de Niura Bellavinha é o uso dos tons vermelhos. “Foi coincidência, não foi premeditado. São as coisas que nos escolhem”, observa a artista.

'EM TORNO DA LUZ'
Fotos, vídeos, performance, filme e pinturas de Niura Bellavinha. Abertura nesta terça, às 19h30. Oi Futuro, Avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras, (31) 3229-3131. De terça-feira a sábado, das 11h às 21h; domingo, das 11h às 19h. Até 14 de dezembro.

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