Cris Ventura apresenta cineinstalação no Palácio das Artes

Na obra, público é convidado a interagir com moradores de um apartamento

por Estado de Minas 08/10/2014 10:44

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Jenfs Martins/Divulgação
'Um andar sobre o mar', de Cris Ventura, pode ser vista no Espaço Mari'stella Tristão (foto: Jenfs Martins/Divulgação)
As fronteiras entre cinema, fotografia, vídeo, música, teatro, arte digital e literatura se rompem na cineinstalação 'Um andar sobre o mar', que Cris Ventura apresenta no Espaço Mari’stella Tristão do Palácio das Artes. No centro da obra está o Edifício Águas Correntes. O público é convidado a interagir com sucessivos moradores de um dos apartamentos, vivenciando lembranças que cada condômino deixou naquele espaço.


Memórias se projetam em paredes, quinas e portas. De poentes dos anos 1930 a primaveras do fim do século 20, tudo se abriga nos “cômodos” construídos com imagens e sons. A videoartista Cris Ventura lança mão tanto de cinema, música e modernos recursos digitais quanto do antigo teatro de sombras. Marcado pelo hibridismo de linguagens, o projeto foi criado especialmente para o Espaço Mari’Stella Tristão. Realizada de hora em hora, cada sessão pode receber até 25 pessoas.
O público é convidado a entrar no jogo, optando por trajetos que resultam em experiências diferenciadas. Ele se depara com algo oposto às sessões usuais de videoarte ou cinema: não há ali o visitante passivo, sentado, assistindo às projeções. A ideia é torná-lo uma espécie de coautor da aventura.


A partir de poemas, os atores Cris Moreira, Renato Parara, Saulo Salomão e Silvana Stein guiam a plateia pelos cômodos. O “tour” passa por “Mar absoluto”, de Cecília Meirelles; “Difícil ser funcionário”, de João Cabral de Melo Neto; “Fama e fortuna”, de Ana Cristina César; e por “Elegia 1938”, de Carlos Drummond de Andrade. Aquela trupe não está ali para declamar versos, mas para criar ações em diálogo com o espaço cênico – arquitetônico e audiovisual.


O espectador pode andar pela galeria, sentar-se na cama de um personagem, aproximando assim a realidade ficcional de sua própria vivência. Imagens em movimento transitam junto desse visitante. Cris Ventura aborda temas como privacidade, intimidade e compartilhamento. Ali está presente o voyeurismo – base de reality shows e da obsessão por redes sociais. Ao mesmo tempo, o público é instigado a mergulhar em experiências que remetem a algo mais profundo, como o inconsciente e a intimidade.

 

A pesquisadora

 

A belo-horizontina Cris Ventura tem 30 anos. Mestre em estudos de linguagens pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), ela pesquisa filmes e vídeos cujas narrativas se inspiram em materiais extraídos de arquivos pessoais ou familiares. Graduada em letras, Cris estudou música, teatro e cinema. É autora da videoinstalação 'Sangre' (2009), coautora de Drop in the darkness e de diversas obras em videoarte: 'E depois do começo' (2011), 'Oslo' (2010), 'Krípton' (2009) e 'Nôva' (2009) – essa última interage com a literatura, baseando-se em personagens de Clarice Lispector. Cris dirigiu também o longa-metragem 'Nas minhas mãos eu não quero pregos' (2012) e o curta 'Quarteirão do Soul' (2007). 

 

 

'Um andar sobre o mar'
Videoinstação de Cris Ventura. Espaço Mari’Stella Tristão do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. De terça-feira a sábado, das 10h às 21h; domingo, das 16h às 21h. Até dia 21. Sessões de hora em hora. Capacidade: 25 pessoas por sessão.



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