Tânia Alves, Lucinha Lins e Virgínia Rosa cantam Chico Buarque em espetáculo

'Palavra de mulher' celebra os 70 anos do artista. Espetáculo fica em cartaz até sábado no Palácio das Artes

por Ana Clara Brant 03/10/2014 08:31

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João Caldas/Divulgação
"Elas são muito diferentes e cada uma tem a sua personalidade. Poderia até ser arriscado, mas não é. Muito pelo contrário. Em cena, elas se complementam" Fernando Cardoso, diretor (foto: João Caldas/Divulgação)
Geni, Terezinha, Angélica, Rita, Bárbara, Carolina e Cecília são algumas das mulheres cantadas por Chico Buarque. Como disse o crítico Zuza Homem de Melo, “nenhum letrista brasileiro o supera na arte de escrever canções para personagens femininas”. E um pouco dessa magia estará presente no musical 'Palavra de mulher', que celebra os 70 anos do cantor e compositor carioca, encenado nesta sexta e sábado, no Palácio das Artes.


“Não sei explicar porque Chico entende tão bem a alma feminina. Esse é um mistério que nem mesmo ele sabe responder. Deve ser alguma conjuntura astrológica”, brinca a atriz e cantora Tânia Alves, uma das estrelas do espetáculo ao lado de Lucinha Lins e Virgínia Rosa.

Tudo começou há uma década, quando o autor de 'A banda' virou sexagenário. Vários artistas fizeram shows em homenagem a ele, em São Paulo, e um deles era justamente Virgínia Rosa. “Sou empresário dela e como a obra de Chico é vasta, pensamos em fazer um recorte. Focamos justamente nas canções que ele criou voltadas para as mulheres. Depois da apresentação, percebi que ali havia potencial teatral muito grande; até porque boa parte desse repertório foi feito para o teatro. O show cresceu e se transformou nesse musical”, conta o diretor Fernando Cardoso.

A escolha das atrizes não poderia ter sido mais apropriada, as três têm relação interessante com a obra buarqueana. Lucinha Lins foi Vitória-Régia, a vilã de 'Ópera do malandro' (que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz), e a prostituta Nancy, de O corsário do rei. No cinema fez Os saltimbancos Trapalhões, baseado na peça Os saltimbancos. Virgínia Rosa interpretou várias canções do compositor em sua carreira, enquanto que Tânia Alves gravou seu primeiro disco por intermédio de Chico e foi a protagonista Terezinha, da montagem paulista de Ópera do malandro e também Bárbara, de Calabar, além de sempre ter gravado músicas do artista. “Tudo isso ocorreu numa época de grande inocência. Eu nem fazia ideia da grandiosidade desses trabalhos. A única coisa que me lembro é de um enorme prazer em interpretar as canções do Chico e as personagens desses musicais. Começar a gravar discos também foi um presente dele”, celebra a artista, que elege a mulher de Sob medida, pelo fato de ser livre e debochada, como sua preferida na produção do músico.

O diretor Fernando Cardoso destaca a integração e a afinidade do trio dentro e fora de cena e diz que um dos pontos fortes de 'Palavra de mulher' é certamente o talento e a versatilidade de cada uma. “Elas são muito diferentes e cada uma tem a sua personalidade. Poderia até ser arriscado, mas não é. Muito pelo contrário. Em cena, elas se complementam”, garante.

No palco, uma atmosfera de cabaré, com adereços, objetos cênicos, iluminação e figurino ajustados no clima. As artistas são responsáveis por dar voz às mulheres retratadas nas canções do compositor e se revezam com interpretações em trio, duo e solo. As músicas são executadas com instrumentos acústicos – piano, acordeom, contrabaixo e bateria/percussão. A peça, que tem direção musical de Ogair Júnior, apresenta composições como 'À flor da pele'; 'Atrás da porta'; 'Basta um dia'; 'Bem querer'; 'Folhetim'; 'O meu amor'; 'Olhos nos olhos'; 'Sob medida'; 'Tango de Nancy'; 'Terezinha'; 'Trocando em miúdos'; e 'Viver do amor', entre outras. “A amarração é pela música. Tem pouco texto e, mesmo assim, a plateia consegue ver os personagens porque as atrizes/cantoras estão a serviço das canções”, resume Fernando Cardoso.

Vem aí…


Em 2015, está previsto o lançamento do DVD 'Palavra de mulher' que entrou em cartaz há cinco anos, mas em 2014 ganhou novo cenário, figurino
e está mais aprimorado.


Três perguntas para Tânia Alves, atriz


O que este espetáculo traz de especial e fez você aceitar o convite do Fernando Cardosom e como está sendo a integração com o restante do elenco?
Em princípio, aceitaria qualquer convite do Fernando, pois ele é um realizador de grande profissionalismo e bom gosto. Além disso, temos grande química artística. Cantar Chico então, é o deleite maior. Nunca havia trabalhado com a Lucinha Lins ou Virgínia Rosa. São artistas altamente competentes e profissionais, e me orgulho disso!

O Brasil se tornou reduto de musicais de qualidade. Por que esse fenômeno vem ocorrendo?
Pelo que me lembro, depois de uma grande lacuna, São Paulo começou a importar musicais da Broadway, chegando mesmo a criar escolas profissionalizantes para atores. Logo depois, começou no Rio uma onda de tributos a grandes ídolos brasileiros, a partir de Somos irmãs, que contava a vida das irmãs Batista, com Suely Franco e Nicete Bruno. Acho maravilhoso e era de se esperar, pois somos uma nação supermusical.

Cantar e atuar não é novidade pra você, que sempre uniu bem as duas artes. Agora com essa proliferação de musicais, o mercado para os artistas está melhor?

Fiz vários musicais super brasileiros na década de 1970. Depois, houve uma pausa e perdi o contato com grupos de teatro. Considero Palavra de mulher um resgate e espero continuar nesse segmento que foi como comecei. O teatro musical foi a minha escola de palco.

 


'Palavra de mulher'
Musical em homenagem aos 70 anos de Chico Buarque. Sexta e sábado, às 21h. Grande Teatro do Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. Ingressos: Preço único: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Classificação 12 anos. Informações: (31) 3236-7400.

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