Obra de Milton Nascimento é tema de musical em cartaz no Palácio das Artes

Espetáculo 'Nada será como antes - o musical' teatraliza a obra de Milton, mas não conta a história do cantor

por Carolina Braga 19/09/2014 08:39

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Marcos Mesquita/Divulgação
"Ficamos naquele namoro eterno até quando chegou o aniversário de 50 anos de carreira dele. Resolvemos fazer o nosso Clube da Esquina", Charles Moeller, diretor (foto: Marcos Mesquita/Divulgação)
Na onda das biografias teatrais voltadas para personalidades da música brasileira, 'Nada será como antes – O musical' pode parecer um estranho no ninho. Não pelo homenageado, já que não resta qualquer dúvida sobre a importância de Milton Nascimento na formação da MPB. A diferença é que a montagem de Cláudio Botelho e Charles Moeller não tem qualquer preocupação em contar a história da vida do cidadão de Três Pontas.


Durante os 90 minutos da peça, a proposta é teatralizar a obra de Bituca. “Queria que tivesse a situação da criação, do artista nesse estado. Assim, só escolhi pessoas que tocassem mais de um instrumento. A criação é o que permeia tudo. É como vejo o Milton”, diz o diretor Charles Moeller. Nada será como antes – O musical tem 14 atores no elenco. O formato da montagem é muito parecido com outro musical assinado pela dupla, 'Beatles num céu de diamantes' (2008), que aliás, caiu nas graças de Milton.

“Ele viu umas oito vezes e perguntou quando faríamos um desses para ele. Ficamos naquele namoro eterno até quando chegou o aniversário de 50 anos de carreira dele. Resolvemos fazer o nosso Clube da Esquina”, diz Charles. O cenário reproduz uma casa de portas abertas onde os artistas vivem. A estética hippie está nas paredes, adereços de cena e, principalmente, no figurino.

O espetáculo não tem texto, mas se é que há uma história a ser contada ela é toda costurada pelas letras das canções. “É legal que tem espaço para todos os estilos de musicais no Brasil. 'Nada será como antes – O musical' usa, na verdade, a obra do Milton para contar uma história quase interna. Cada pessoa que assiste sente uma coisa diferente pelo fato de não ser uma peça com dramaturgia convencional”, comenta Marya Bravo, uma das intérpretes.

Uma das diferenças em relação a 'Beatles num céu de diamantes' é que em Nada será como antes os atores tocam. Marya Bravo, por exemplo, assume as guitarras. Também estão em cena violoncelo, charango, viola, violões, baixo, tuba, Oukulele, flautas, djambe, piano e bateria. “O que me move a fazer qualquer espetáculo é a música. Milton Nascimento embalou a minha pré-adolescência. É uma emoção todos os dias”.

Quatro estações O repertório foi dividido como as estações do ano. Se na primavera fazem parte canções consideradas pelos diretores mais “solares” – 'Nos bailes da vida', 'Paisagem da janela', 'Um girassol da cor do seu cabelo', 'O trem azul' –, no inverno o clima é mais introspectivo, como o das canções 'O que foi feito devera' e 'Oração'. É também o Milton político, que levanta bandeiras. Já as canções outonais são mais psicodélicas. “Existe um subtexto, uma relação com o cenário mineiro. Como é uma coisa sutil, deixa aberto para o público sentir o que quiser. São músicas emocionantes e letras expressivas”, diz Marya. Coube à ela a interpretação de 'Maria, Maria'.

'Nada será como antes' – O musical estreou em 2012 no Rio de Janeiro e também fez temporada em São Paulo. Depois disso, ficou um ano fora de cena, até voltar na semana passada em Uberlândia.

Pioneiros


Charles Moeller e Cláudio Botelho, os diretores de 'Nada será como antes – O musical', são pioneiros na retomada do teatro musical no Brasil. Eles apostam no estilo desde 1997, quando fizeram juntos uma versão brasileira para 'A malvada'. Desde então, já são 34 espetáculos, entre eles sucessos de público como 'Avenida Q' (2009), 'Hair' (2010), Um violinista no telhado (2011). A próxima montagem é Os saltimbancos trapalhões. A grande produção terá no elenco Renato Aragão, o Didi, pela primeira vez no teatro. Dedé Santana também faz parte da montagem, ao lado de mais 31 atores e seis músicos. A estreia no Rio de Janeiro está marcada para o dia 26, na Cidade das Artes. A temporada vai até depois do carnaval.

REPERTÓRIO

 

ABERTURA
'Minas Gerais'

PRIMAVERA

'Canção amiga', 'Cigarra', 'Bicho homem', 'Nos bailes da vida', 'Paisagem da janela', 'Um girassol da cor do seu cabelo', 'O trem azul', 'Nuvem cigana', 'Clube da esquina 2' e 'Clube da esquina 1'

VERÃO
'Aqui é o país do futebol', 'Bola de meia, bola de gude', 'Raça', 'Caxangá', 'Morro velho', 'Maria Maria', 'Lua girou' (arranjo e adaptação de Milton Nascimento sobre tema folclórico) e 'Caicó cantiga'

OUTONO

'Paula e Bebeto', 'Saudades dos aviões da Panair', 'Caçador de mim', 'Milagre dos peixes', 'Cais', 'Encontros e despedidas', 'Canção da América', 'Coração de estudante', 'Ponta de areia', 'Roupa nova' e 'Fé cega, faca amolada'

INVERNO
'Oração', 'Credo', 'San Vicente', 'Para Lennon e McCartney', 'O que foi feito devera', 'Canto latino', 'Sentinela e menino'

 

FINAL
'Amor de índio', 'Travessia', 'Que bom amigo' e 'Nada será como antes'

 

'NADA SERÁ COMO ANTES – O MUSICAL'

Belo Horizonte
Amanhã, às 21h; domingo, às 19h. Grande Teatro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: Plateia 1, R$ 90 (inteira), R$ 45 (meia); plateia 2, R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia); balcão, R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia).

Ouro Preto

Dia 27, às 20h. Praça Tiradentes. Entrada franca.

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