Funarte recebe o espetáculo 'Recusa', da Cia. Balagan

Obra do grupo revela outras culturas a partir da descoberta de índios piripkura

por Carolina Braga 13/09/2014 17:06

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Ernesto Vasconcelos/Divulgação
Montagem de abertura do Ecum, Recusa mostra dois sobreviventes dos povos ameríndios (foto: Ernesto Vasconcelos/Divulgação)
Estudar, muita gente estuda. O que nem todo mundo consegue é pesquisar. A constatação de Maria Thais, diretora da Cia. Balagan, de São Paulo, ganhou novos ares depois que a companhia realizou o processo de criação de Recusa, espetáculo em cartaz hoje e amanhã, na Funarte MG. %u201CMeu maior orgulho é o fato de a peça ter me levado para um lugar que desconhecia. É ter aberto realmente um mundo%u201D, reconhece. A montagem, que marca a abertura do CIT-Ecum (Encontro Mundial de Artes Cênicas) em Belo Horizonte, começou a ser criada em 2008. A notícia sobre o aparecimento de dois índios piripkura, sobreviventes da etnia considerada extinta, despertou o interesse de Maria Thais em contar aquela história no teatro. Recusa narra a experiência %u2013 ou seria a resistência? %u2013 de dois índios. A dramaturgia é assinada por Luis Alberto de Abreu e no elenco estão Antônio Salvador e Eduardo Okamoto, como ator convidado. %u201CDesde que comecei a dirigir, tento encontrar outras referências para pensar a prática das artes cênicas que de algum modo concilie a cultura popular, de onde venho, e a tradição teatral%u201D, comenta Maria Thais. Segundo ela, Recusa contempla esse objetivo. A pesquisa envolveu estudos sobre composições elaboradas a partir de narrativas míticas, experiências etnográficas, discursos políticos sobre as condições de terras ocupadas por povos indígenas, obras literárias, cantos e poesia ameríndias. %u201CTemos que pensar que existem povos originários, que têm uma cultura, 200 e tantas línguas vivas, seus costumes, seus modos, sua filosofia, mas a gente não atribui isso a eles. Nos foi imposta uma cultura que apaga todas as outras%u201D, observa a diretora. O espetáculo foi criado a partir de experimentações sobre modos de narração, sonoridade e outras possibilidades de construção verbal. %u201CFico feliz em ter apostado em um processo com muito desconhecimento e isso realmente ter causado um deslocamento.%u201D Recusa estreou em outubro de 2012, em São Paulo. Desde então, percorreu diversos festivais do país. Foi indicado a 13 prêmios e conquistou seis, entre eles o Shell de melhor direção (Maria Thais) e melhor cenário (Márcio Medina). Como a vinda para Belo Horizonte faz parte da programação do Ecum, depois da sessão de hoje haverá debate sobre artes e cosmopolítica. Foram convidadas, além da diretora, as professoras Leda Martins, da Faculdade de Letras da UFMG, e Ana Gomes, da Faculdade de Educação. %u201CO teatro que pratico ou almejo está sempre articulando modos de pensar, revelando mentalidades e tensionando outras áreas de conhecimento. O Ecum tem uma relação de pedagogia e linguagem que são base para o teatro ao qual me dedico%u201D, diz Maria Thaís. RECUSA Apresentação do espetáculo da Cia Balagan (SP), hoje e amanhã, às 19h. Hoje, às 20h40, debate sobre artes e cosmopolítica. Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta, (31) 3213-7112. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).

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