Grupo Armazém apresenta 'O dia em que Sam morreu' em BH

Peça trata das questões éticas de cada indivíduo capazes de definir um destino

por Carolina Braga 12/09/2014 10:53

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
João Gabriel Monteiro/Divulgação
(foto: João Gabriel Monteiro/Divulgação)
Já faz uns bons anos que temas do nosso tempo têm provocado questionamentos para os integrantes da Armazém Cia. de Teatro. Em 'A marca da água' (2013), a discussão era sobre memória. Em 'Antes da coisa toda começar' (2012), por sua vez, vieram à tona angústias ligadas à criação. Chegou a hora de ver 'O dia em que Sam morreu' (2014) com reflexões que o grupo dirigido por Paulo de Moraes propõe sobre ética e poder.

O público de Belo Horizonte tem tido a sorte de acompanhar de perto o desenvolvimento da pesquisa teatral da trupe fundada em Londrina (PR) e radicada no Rio de Janeiro há mais de duas décadas. Praticamente todos os espetáculos já passaram por aqui, começando por 'Alice, através do espelho', marco no repertório da companhia. Esta, no entanto, será a primeira vez que o Armazém subirá ao palco do Cine Theatro Brasil Vallourec, na curta temporada que termina domingo.

Como é comum na linguagem do grupo, em 'O dia em que Sam morreu' a dramaturgia, mais uma vez assinada pelo diretor em parceria com Maurício Arruda Mendonça, é fragmentada. É a história de um jovem armado que invade um hospital e, assim, dispara o conflito. A peça esmiuça as escolhas éticas definidoras do destino de seis pessoas que se cruzam no corredor da casa de saúde. “Usamos o espaço para uma discussão mais abrangente sobre poder e ética. A trama poderia se passar em uma corte, no Poder Legislativo, em uma grande empresa. Queremos debater a corrosão a partir de um lugar que teoricamente é muito limpo. A sujeira em um local asséptico”, explica Paulo.

A proposta não deixa de ser um olhar político – não partidário – voltado para o mundo de hoje. “Acho que existe um grande desconforto da sociedade contemporânea com as relações de poder. Isso tem gerado um mal-estar enorme. Acho que, nesse sentido, a peça propõe algumas questões que tocam muito as pessoas: É possível se manter limpo? Ainda existe espaço para o idealismo? O tempo está corroendo o sonho?”, comenta. Como Paulo de Moraes acrescenta, tal incômodo não é uma característica da plateia brasileira.

No mês passado, o Armazém levou 'O dia em que Sam morreu' para importantes festivais internacionais. A montagem foi apresentada em Edimburgo (Reino Unido) e também em Avignon (França), de onde saiu com o prêmio Coup de Coeur, concedido pela imprensa especializada aos três melhores espetáculos inéditos apresentados. “Eles ressaltavam bastante os atores e também diziam que era uma história surpreendente, que alinhava uma encenação bacana aos outros pontos da montagem”, conta Paulo.

Segundo o diretor, quem acompanha os trabalhos do Armazém não encontrará novidades propriamente ditas na encenação. Há continuidade na pesquisa cênica. No entanto, observará desta vez um mergulho mais intenso na pesquisa musical. A trilha sonora é assinada por Ricco Viana, que divide a cena com os atores Jopa Moraes, Lisa Eiras, Marcos Martins, Otto Jr., Patrícia Selonk e Ricardo Martins.

Oficinas

O dia em que Sam morreu inaugura a parceria do Cine Theatro Brasil Vallourec e o Galpão Cine Horto no projeto Mostra Cine Brasil Teatro. Inclusive, um rascunho do que seria o espetáculo foi apresentado no ano passado durante o Festival de Cenas Curtas. Desta vez, além do espetáculo, os atores do Armazém vão oferecer oficina gratuita para colegas e também promovem encontro para trocas de experiências. Com capacidade para receber 20 alunos por turma, as oficinas serão amanhã e depois, das 9h às 13h. Já o bate-papo será no domingo, das 15h às 17h. Ambas as atividades serão realizadas no Galpão Cine Horto. Os interessados devem encaminhar seu currículo para cursos@galpaocinehorto.com.br.
 
'O DIA EM QUE SAM MORREU'
Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 19h. Grande Teatro do Cine Theatro Brasil Vallourec, Rua Carijós, 258, Centro, (31) 3201-5211. Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 10 (funcionário Vallourec). Estacionamento: parceria com o Estacione 1 (entradas pelas ruas Espírito Santo, 625, e pela Rua da Bahia, 600) – valor: R$ 15 (pelo período estacionado).

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS