João Castilho abre instalação neste sábado, na Celma Albuquerque Galeria de Arte

'O futuro avança para trás' reúne 70 retrovisores de motocicletas

por Gracie Santos 06/09/2014 09:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
João Castilho/Divulgação
(foto: João Castilho/Divulgação)
'O futuro avança para trás', instalação com mais de 70 retrovisores de motocicletas, não apenas batiza a exposição que João Castilho abre neste sábado, às 11h, na Celma Albuquerque Galeria de Arte, mas todas as obras da mostra estão de alguma forma ligadas a ela. O trabalho tem referências em Deslocamento de espelho em Yucatan, de Robert Smithson, expoente da corrente artística land art e autor da frase usada pelo mineiro. O americano ganhou capítulo na dissertação de mestrado de Castilho.

“O que está em questão é a visão única. No caso da arte, há a perspectiva renascentista, em que se vê uma coisa atrás da outra. Quando você preenche a paisagem com espelhos, enche a realidade de furos, coloca elementos que não estão ali e reflete outras realidades, é como uma explosão da visão”, afirma o fotógrafo.

No vídeo Progresso, um negro está totalmente engessado. “O título aponta para a continuidade, enquanto o engessamento faz o contrário, impede a evolução. Esteticamente, a obra não tem nada a ver com a instalação, mas conceitualmente estão ligadas. É também um trabalho que tem questão política clara no momento em que vivemos casos exemplares de racismo num país de mestiços”, ele afirma.

A série de fotografias Zoo traz imagens de animais selvagens (onça-parda e arara-azul, entre outros) deslocados para ambientes domésticos. “Temos a volta ao primitivismo”, ele explica, dizendo que as fotos retratam “a relação do homem com o animal, onde começa um e termina o outro”. Durante as sessões, Castilho conta que sentiu “o curto-circuito gerado pelo deslocamento dos animais para ambientes humanos”.

Na fotoisntalação Intervalo, o artista revisita sua própria obra, o livro Peso morto (2010), reunindo as imagens figurativas e, para finalizar, coloca tartarugas de cerâmica penduradas de cabeça para baixo, imagens que estavam em Vade retro, de 2011, agora tridimensionais. “A obra fala de uma impossibilidade de continuidade, da falência do progresso”, conclui.

O futuro avança  para trás
Neste sábado, das 11h às 15h, abertura da mostra de fotografias e instalação de João Castilho. Celma Albuquerque Galeria de Arte, Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi
(31) 3227-6494. Até 4 de outubro.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS