Mineiros disputam autógrafos da autora Sylvia Day, um dos nomes do chamado soft porn

Brasil é o quarto mercado da escritora norte-americana, que vendeu 25 milhões de livros

por Mariana Peixoto 05/09/2014 08:51

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CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS
Sylvia Day garante: quem nunca teve orgasmo não pode escrever livros como os dela (foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
É um número impressionante. Com 10 anos de carreira e 40 títulos publicados, a norte-americana de ascendência japonesa Sylvia Day já vendeu 25 milhões de livros. O Brasil é o quarto mercado (fica atrás dos EUA, Reino Unido e Alemanha) dessa escritora de 41 anos, casada, mãe de um casal de filhos e que se dedica a escrever romances. Todos têm invariavelmente final feliz e carregam nas cenas de sexo. A carreira de Sylvia começou em 2004, muito antes da explosão do chamado soft porn, o pornô para mamães que virou febre graças à trilogia 'Cinquenta tons de cinza' (2011), de E. L. James.

Mesmo com mais experiência e um número muito maior de publicações que a colega britânica, Sylvia Day só conheceu a repercussão internacional a partir da trilogia 'Crossfire' (2012), que, depois do sucesso, ganhou mais dois livros. A quarta narrativa sobre o casal Gideon Cross e Eva Tramell – ambos lindos, ricos, bem-sucedidos e com um passado de abuso – é a única a que ela se dedicou a escrever este ano. A data do lançamento de 'Captivated by you' ('Cativado por você', em tradução literal) deve ser anunciada este mês – como ocorreu com o antecessor 'Para sempre sua' (2013), a publicação ocorrerá no mesmo dia em todo o mundo.

Com o Brasil consumindo seus livros sem parar, Sylvia está no país pela terceira vez, desde o ano passado. Agora, a autora é bancada pela Universo dos Livros, a quarta editora nacional a publicar seus romances. Até amanhã, onde encerra, em São Paulo, sua temporada brasileira, a americana terá participado de sete noites de autógrafos em seis capitais.

A Universo edita os romances de Sylvia com os títulos de 'Desejada', 'Incontrolável' e 'Obstinada'. A despeito da diferença de séculos das narrativas ditas históricas para as contemporâneas, as cenas de sexo não ficam nada a dever – só demoram mais porque a quantidade de roupa a ser retirada é bem maior.

CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS
A blogueira Renata Ávila (e) diz que o leitor mineiro é muito tradicional; Jéssica Souza (c) diz que o gênero soft pornémalvisto na faculdade; Marcos Jordan (d) estava entre os poucos homens que foramver Sylvia Day de perto (foto: CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
Autógrafos


Em BH, onde esteve pela primeira vez na noite de anteontem, Sylvia foi recebida na livraria Leitura por um séquito. Não tão grande como previam as 500 senhas disponibilizadas – o público era de, no máximo, 20% do esperado –, a plateia se mostrou ruidosa como grupos de adolescentes se comportam em frente a ídolos teen. Selfies, beijos, abraços e os indefectíveis autógrafos foram distribuídos em meio a risos e nenhum constrangimento.

Primeira da fila, Caroline Sales, de 25 anos, consome 300 romances a cada ano. Todos sobre sexo, tema de seu blog Sex and the books. “Christian Grey (o protagonista de 'Cinquenta tons de cinza') não será o primeiro nem o último. Ou seja, os livros do gênero são muito parecidos. O herói é sempre muito torturado, e as heroínas não são perfeitas”, comentou. Também das primeiras a chegar, a estudante de Letras Jéssica Souza, de 23, disse que romances eróticos são malvistos na faculdade. “Mas muita gente está lendo, não há mais vergonha. Os livros falam de sexo sem qualquer preconceito”, contou ela, que se divide entre o soft porn e “as palavras difíceis” dos livros de Machado de Assis que tem que ler para suas aulas.

Homens


Na noite de autógrafos, o público era, obviamente, dominado pelas mulheres. Mas aqui e ali encontrava-se um homem entre os fãs de Sylvia. O estudante de biomedicina Marcos Jordan, de 20, levava na mochila oito exemplares, mesmo sabendo que ela só assinaria três. “Como se idealiza o homem, é um tipo de leitura que atrai mais as mulheres. Gosto desse tipo de gênero”, comentou ele, que ainda sente os olhares curiosos sempre que empunha um dos títulos em público.

Para a advogada Renata Ávila, de 25, que também colabora para blogs literários, mesmo com a entrada do soft porn em peso no país, ainda há certo preconceito. “O mineiro é muito tradicional. No Rio e em São Paulo, livros eróticos são lidos em qualquer lugar e estão sempre nas vitrines. Aqui não, as pessoas ficam até sem graça de pegá-los nas livrarias”, diz. Consumidora voraz, Renata tem consciência do quão parecidas são as narrativas, mas não consegue largar um romance no meio. E avisa: “Esses livros ainda quebram os preconceitos que as pessoas podem ter em relação ao sexo”.

EM Cultura/Reprodução
(foto: EM Cultura/Reprodução)
Entrevista: Sylvia Day, escritora


Proibido para virgens

Os livros digitais estimularam muita gente que nunca pensou em se tornar autor a escrever. Com o filão dos romances eróticos, há uma enxurrada de títulos tanto físicos quanto digitais. Qualquer pessoa pode escrever sobre sexo?

Não, certamente não, se você for virgem ou não gostar de sexo. Uma pessoa que nunca teve um orgasmo na vida não está apta a escrever sobre isso. É o mesmo que querer escrever sobre chocolate sem nunca ter comido um. Você tem que ter a experiência para criar uma cena que tenha sexo. Falo do bom sexo.

Que elementos uma boa cena de sexo deve ter?

O leitor tem que perceber o desenvolvimento emocional do casal. Não é só sexo ou orgasmo, ela tem que trazer dois personagens que terminem a cena totalmente diferentes de quando começaram. Alguma coisa tem que ter ocorrido ali. Os personagens devem ir para um lugar onde nunca estiveram antes.

Seus livros trazem sempre um casal? Sexo, para você, é somente entre um homem e uma mulher?

Sim, porque é o que me interessa. Escritores escrevem sobre o que provoca paixão neles. Não me interessa sexo com várias pessoas, sadomasoquismo. Meus personagens não batem uns nos outros, não usam brinquedos ousados.

Você é mãe de adolescentes. Eles já leram seus livros? Aliás, com que idade um jovem deve começar a lê-los?

Meu filho tem 15 anos, minha filha, 13. Nunca leram, mas também nunca se interessaram por eles. Quanto a começar, o ideal seria que as pessoas tivessem 18 anos. Antes disso, só se houver consentimento dos pais. Mas conheço muitas garotas de colégio, entre 16 e 18, que pedem emprestado para as mães. Se for dessa maneira, não há problema algum.

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