Com promessa de polêmica, Bienal de São Paulo começa neste sábado

Expectativa é de que as obras selecionadas carreguem olhar particular para crises que atravessamos hoje em dia

por Carolina Braga 05/09/2014 09:00

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Jéssica Nascimento/Divulgação
Intervenção urbana de Éder Oliveira, um dos destaques da mostra (foto: Jéssica Nascimento/Divulgação)
O título 'Como (…) coisas que não existem' é abstrato, mas as polêmicas que a 31ª Bienal de São Paulo promete levantar são bem concretas. Aliás, olhares críticos e provocativos sobre a contemporaneidade é o que se espera de um evento deste porte. A edição que abre suas portas neste sábado para o público tem como objetivo analisar diversas maneiras de gerar conflito. Serão mais de 100 artistas e 250 trabalhos escolhidos pela equipe da curadoria internacional. Liderados pelo britânico Charles Esche, estão no grupo os israelenses Galit Eilat e Orengn Sagib, além dos espanhóis Pablo Lafuente e Nuria Enguita Mayo.

A seleção bancada por eles chamou atenção, em um primeiro momento, pela quantidade de artistas desconhecidos pelo grande público. Depois, pela presença de obras que vão dar o que falar. As escolhas se demonstram coerentes com a ideia de refletir sobre a inevitável limitação da nossa compreensão de muitas coisas que ficam de fora dos modos comumente aceitos de pensar e de atuar. A exposição foi concebida como uma jornada pelo pavilhão, dividido em três áreas diferentes: Parque, Rampa e Colunas.

A expectativa é de que as obras carreguem um olhar particular para crises que atravessamos hoje em dia. Elas estão no campo da política, no social, na religião, economia e também meio ambiente. Artistas de 34 países estarão em exposição. Do Brasil, as principais apostas estão na revelação de jovens como Clara Ianni, Thiago Martins de Melo, Éder Oliveira, Gabriel Mascaro, Marta Neves e Arthur Scovino, todos com menos de 40 anos.

Entre os estrangeiros, o coletivo boliviano Mujeres Creando vai abordar um tema atual da pauta de discussões do Brasil: o aborto. Na instalação batizada Espaço para abortar, mulheres entram em cabines de tecido que simbolizam úteros. ‘‘Esse é um pretexto para discutir a descriminalização do aborto’’, diz Maria Galindo, uma das integrantes do coletivo. Depoimentos de quem viveu o drama são exibidos em vídeo.

Obras que combinam sexualidade e religião também podem criar controvérsia. Em 'Deus é bicha' e 'Linha da vida', ainda, a homossexualidade e o catolicismo flertam em trabalhos assinados por um grupo de artistas de diferentes localidades. (Com agências)

31ª Bienal de São Paulo
De sábado a 7 de dezembro de 2014. Pavilhão da Bienal, Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, Portão 3, São Paulo, (11) 5576 7600. Aberta às terças, quintas, sextas, domingos e feriados: das 9h às 19h (entrada até 18h); quartas e sábados: das 9h às 22h (entrada até 21h). Fechado às segundas. Entrada franca.

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