Sergio Rodrigues deixa legado de trabalhos com madeira

Designer foi o primeiro brasileiro premiado no Concurso Internacional do Móvel. Cultura brasileira foi a grande inspiração para as suas obras

por Eduardo Tristão Girão 02/09/2014 08:59

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Eugênio Gurgel/ Esp.EM/D.A. Press - 6/4/10
"Quando parar de produzir para os mortais, estarei produzindo para os imortais lá embaixo da terra. É a minha paixão" Sergio Rodrigues, arquiteto e designer (foto: Eugênio Gurgel/ Esp.EM/D.A. Press - 6/4/10)
O designer carioca Sergio Rodrigues tinha uma missão: criar móveis com alma brasileira. Vítima de insuficiência hepática, ele morreu ontem, no Rio de Janeiro, aos 86 anos, com esse objetivo plenamente cumprido.

Sua criação mais famosa, a poltrona Mole, fez dele o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio de design no Concurso Internacional do Móvel, na Itália. Em 1961, Sergio superou 438 candidatos de 27 países. Os móveis de madeira e acabamento arredondado, inspirados no Brasil indígena e colonial, projetaram o carioca mundialmente.

Submetido a tratamento por complicações no fígado, o arquiteto e designer morreu em seu apartamento, no Rio de Janeiro, onde vivia com a mulher, Vera Beatriz. O casal tem três filhos. O corpo será velado amanhã, no Cemitério do Caju, na capital fluminense. Sergio era neto do jornalista Mário Rodrigues (criador do jornal A Crítica) e sobrinho do dramaturgo Nelson Rodrigues.

Ele começou a carreira como arquiteto participando do projeto do Centro Cívico de Curitiba, obra importante da arquitetura moderna brasileira. Trabalhou ao lado de David Azambuja, Flávio Regis do Nascimento e Olavo Redig de Campos. O primeiro exemplar da poltrona Mole integra o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa). Na verdade, a peça demorou a ser aceita pelo público – os compradores só começaram a surgir um ano depois do lançamento do produto.

Vaca

Quase todas as peças de Rodrigues são feitas de madeira. De acordo com ele, a preferência não se deve à abundância do material no país, mas à sua afinidade pessoal com essa matéria-prima. Bisneto de um coronel que gostava de marcenaria, desde pequeno Sergio aprendeu a identificar madeiras “pelo cheiro”, como gostava de dizer. Ficou íntimo de colas e vernizes. Foi assim que começou a desenvolver a paixão pela excelência na execução.

Os móveis de Sergio Rodrigues se caracterizam por curvas, vãos e acabamentos quase sempre arredondados. Elementos que remetem ao cotidiano e à cultura brasileira também dão o tom. Basta observar o banco Mocho (inspirado nos banquinhos usados para tirar leite ao pé da vaca) e a própria poltrona Mole, feita em jacarandá e com tiras de couro. Todos oferecem puro conforto, outro traço da produção do designer.

Em novembro de 2007, ele veio à capital mineira para o lançamento do livro Sergio Rodrigues (Viana & Mosley), escrito pela jornalista Adélia Borges. Em entrevista ao Estado de Minas, declarou: “Só a história vai dizer se são peças tipicamente brasileiras. Modestamente, sempre procurei fazer coisas que tivessem relação com o Brasil. Não é designer aquele que vai para a feira de Milão trazer ideias e copiar coisas criadas em outros países”.

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