Semelhanças e diferenças entre povos latinos é tema da peça de Michelle Ferreira

Atriz fará intercâmbio no México para preparar o espetáculo que estreia no Brasil em novembro

por Carolina Braga 01/09/2014 08:37

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LEO KOROTH/DIVULGAÇÃO
Michelle Ferreira segue para o México, onde o espetáculo será montado. No Brasil, estreia em novembro (foto: LEO KOROTH/DIVULGAÇÃO)
A atriz Michelle Ferreira não faz a linha de sentar e esperar que as coisas aconteçam. Há dois anos, quando viu a oportunidade de apresentar o monólogo Apareceu a Margarida em Cuba, pôs-se a estudar espanhol e mobilizou financiamento coletivo na rede para conhecer o país de Fidel. Deu certo. Desta vez, o destino será o México.

Dia 14, a atriz integrante da Cia. Flores de Jorge embarca para a capital do país por meio de convênio de intercâmbio artístico com o Brasil. Serão dois meses para ensaiar o espetáculo Desmemória América Latina, com direção do mexicano Rodolfo Guillen. A estreia no Brasil está marcada para novembro.

O interesse em abordar o tema, principalmente os estranhamentos existentes no continente, surgiu tanto na temporada de Apareceu a Margarida em Cuba, como na passagem da mesma peça pela Colômbia. “Ainda somos muito referenciados pela Europa, Estados Unidos e conhecemos muito pouco da produção de países que estão do nosso lado. Quais são nossas semelhanças, o que nos distancia? Fiquei com vontade de fazer um trabalho que fosse quase um discurso sobre quem é esse sujeito, que identidade é essa”, conta.

O primeiro passo foi procurar financiamento no Brasil. Como os resultados não estavam satisfatórios, ampliou a busca por editais em outros países. Colheu frutos em uma bolsa oferecida pelo governo do México criada para incentivar artistas estrangeiros a trabalhar com cidadãos de lá. Por indicação de uma amiga argentina e com a ajuda da internet, fez contato com fundador do grupo Teatro en exceso y otras patologias. O diretor Rodolfo Guillen leu o texto e topou a empreitada.

“Vamos nos conhecer agora. Os mexicanos me parecem muito disponíveis para trabalhar com outras pessoas, de outras nacionalidades. Ainda somos mais fechados”, observa a atriz. Como a ideia da peça é prévia à oportunidade da bolsa, Michelle Ferreira levará a dramaturgia bastante encaminhada, além de rascunhos de cena. “Estou com o esqueleto da peça pronto para trabalhar com ele, que poderá fazer as interferências que achar necessárias”. Memória do fogo, de Eduardo Galeano, é uma das referências de Michelle na elaboração do projeto. O solo, ainda em processo de criação, aborda temas como política, cultura e economia na América Latina.

Flores De Jorge A companhia mineira Flores de Jorge surgiu em 2007, no curso de artes cênicas da UFMG. Desde então, realizou três trabalhos: Hotel Açucenas (2007/2010), texto de Pollyana Santos e direção de Fábio Furtado; Apareceu a Margarida (2010 até a presente data), texto de Roberto Athayde e direção de Camilo Lélis; e Meus Sentimentos! (2013 até a presente data) texto de Michelle Ferreira, Lucilene França e Iasmim Marques, com a consultoria de Isabel Jimenez e direção de Fábio Furtado.

Três perguntas para Rodolfo Guillen, diretor


1) O que você conhece do teatro brasileiro e o que espera do trabalho com Michelle?
Sinceramente, conheço pouco o trabalho brasileiro. A única companhia que tive oportunidade de ver se chama Luna Lunera, com um interessante trabalho em cena e também a peça Novas diretrizes em tempos de paz. Em resumo, este encontro com Michelle promete muito, desde o intercâmbio artístico, posturas estéticas, procedimentos de produção e sobretudo, por falar sobre as histórias que nossos países precisam saber.

2) No Brasil, reconhecemos a distância que existe entre nós e países da América Latina. Como é no México? Existe um diálogo mais aberto com outros países?
Atualmente, o México tem uma vida teatral intensa, principalmente na capital onde estão abrindo salas de todo tipo: grandes, pequenas, alternativas, comerciais, etc. Hoje em dia, os artistas estão saindo e compartindo seu trabalho mas sobretudo aprendendo e compreendendo o fazer teatral em outros países. Com a Argentina temos uma relação mais estreita, mesmo assim, é certo que o distanciamento em relação a outros latino-americanos é grande.

3) Que tipo de teatro ou mensagem interessa levar para a cena?
Será um teatro que explorará a imaginação do espectador. A direção partirá do histrionismo da atriz e um espaço vazio. A direção trabalha para ser um teatro incendiário da moral e da cultura da nossa sociedade. Centrei meu trabalho como diretor no medo e o egoísmo do indivíduo, criando retratos sociais que desenham sintomas de uma sociedade devastada, faminta de emoções e intensidade. Utilizamos a cena como mecanismo de análise, reflexão e observação da conduta humana.

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