Virada Cultural de BH chega à segunda edição com mais atrações e mais espaços

Festival começa neste sábado e segue sem interrupção até o domingo. Na programação mais de 460 atrações em 62 pontos espalhados pela cidade

por Mariana Peixoto 29/08/2014 10:12

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Divulgação
Tom Zé é uma das atrações da Virada. Cantor se apresenta de madrugada na Rua Guaicurus (foto: Divulgação)
Garoto em Irará, Tom Zé era acordado invariavelmente pelo pai, dono de uma padaria na cidade baiana, às quatro da manhã. Era pular da cama e ir direto trabalhar, já que, entre 4h30 e 6h, os proprietários de bares da região compravam o estoque de pães para o dia. Pois Antônio José Santana Martins completa 78 anos em 11 de outubro. E continua acordando cedo – “até demais”, assume Neusa, mulher e fidelíssima companheira de Tom Zé –, por volta das 3h, num “fuso horário” totalmente do avesso. Dessa maneira, ele deverá, na madrugada de amanhã para domingo, realmente “virar” em Belo Horizonte. O cantor e compositor faz show às duas da manhã na Rua Guaicurus, um dos seis palcos oficiais da segunda edição da Virada Cultural de Belo Horizonte. Para aguentar o rojão, admite, deve tirar uma soneca antes.


Em sua segunda edição, a Virada Cultural promete 24 horas de atrações de todos os tipos, das 19h de amanhã às 19h de domingo. Nove palcos espalhados pela região central, mais 53 espaços culturais, estes em vários locais de BH, vão receber as 460 atrações, de música, artes cênicas, cinema, literatura e artes plásticas – 90% deles são da capital mineira. No ano passado, em sua estreia, a Virada Cultural recebeu público de 200 mil pessoas. Agora, a participação deverá ser maior, ainda mais porque também cresceu a quantidade de espaços que vão receber as apresentações.

Tom Zé é o maior destaque do Palco Guaicurus, uma das novidades dessa edição. A tradicional zona de baixo meretrício da cidade vai receber uma das programações mais diversas. Tem bloco de carnaval (Baianas Ozadas), artista popular (Márcio Greyck), nomes que estão fazendo sucesso na noite de BH (Marcelo Veronez e Orquestra Mineira de Brega) e até show de pole dance (Naiara Beleza e Mariana Queiroz). “Agora que você me falou (onde vai ser o show) vou acrescentar algumas canções mais adequadas”, diz Tom Zé, que se apresenta com sua banda, um quinteto: Rogério Bastos (bateria), Daniel Maia (guitarra), Cristina Carneiro (teclados), Jarbas Mariz (percussão, bandolin, viola 12 cordas) e Felipe Alves (baixo).

“Corro o risco de ser colocado nas garras da Justiça, pois a banda está comigo a vida toda. Os músicos só saem quando querem, e nenhum grupo que acompanha um cantor é assim. Geralmente, ficam um ano. O Jarbas está há 24 anos comigo; a Cristina nem gosta que fale há quanto tempo, para não deduzirem a idade dela. Daniel é quase um bebê e está há uns 10 anos”, continua Tom Zé. O repertório vai abranger suas músicas mais conhecidas, algumas delas obrigatórias quando se trata de um show em BH, como Xique xique, que integra a trilha sonora de Parabelo, uma das montagens mais conhecidas do Grupo Corpo.

Bom de prosa, Tom Zé só se avexa em falar de seu próximo álbum, com lançamento previsto para outubro. “Um dos títulos (provisórios) é Vira-lata na Via Láctea, tem uma música que fala desse assunto.” Mais, ele não fala. “Tenha paciência, senão quando o disco sair não vai ter novidade e vou ter que fazer outro”, brinca ele, que gravou o álbum em seu estúdio em casa (de nome Vale do Silício), tanto por isso, levou pelo menos seis meses gravando. “Sendo em casa, a gente sempre fica com vontade de modificar tudo.”

Maior e melhor

466 atrações em 62 espaços (contra 430 em 52, respectivamente, em 2013)
255 atrações no palcos oficial (praças da Estação, Liberdade, Afonso Arinos, Parque Municipal e ruas Aarão Reis e Guaicurus)
91 atrações na programação associada (Circuito Cultural da Praça da Liberdade, museus e espaços culturais)
63 atrações em palcos parceiros (Sesc Palladium e Savassi)
52 atrações em equipamentos da Fundação Municipal de Cultura
35 atrações do Arena da Cultura
1.280 artistas inscritos no site do evento (124 foram selecionados)
200 mil pessoas participaram da primeira edição da Virada, em 2013

 

Fenômeno Outro que se empolgou com o show na Guaicurus é Márcio Greyck, que se apresenta às 22h30 de amanhã. “Ainda mais porque a minha bandeira é a do romantismo, que a mídia insiste em esculhambar. Mas como vou estar num ambiente em que o amor tem duas interpretações, será sensacional”, diz o cantor, que, nascido em BH e depois de viver muitos anos fora, voltou a morar na cidade. Com sua banda, ele vai apresentar repertório de sucessos que formam a base do show No tempo, no ar e no coração. “Para esse tipo de apresentação, a pretensão é tentar me relacionar o melhor possível com o público. Tenho que cantar o que esperem que eu faça”, diz ele.


Não vai faltar, é claro, seu maior sucesso, Impossível acreditar que perdi você, que já foi regravada por mais de 70 artistas (Fábio Jr., Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Wilson Simonal, Rosana e Toni Platão estão entre eles). Agora com nova versão da cantora baiana Mariene de Castro, Greyck comemora a inclusão do hit na próxima novela da seis da Globo, Sete vidas (título provisório). “Aliás, essa canção acabou se tornando um fenômeno, pois não conheço nenhuma outra que tenha entrado na trilha de quatro novelas”, acrescenta ele, citando ainda A indomada (com a gravação de Fábio Jr.), Paraíso tropical (Toni Platão) e Cheias de charme (Fabian, personagem do ator Ricardo Tozzi).

Pra cima Se o clima da Guaicurus terá uma aura mais alternativa, o palco da Praça da Estação, ainda mais pela amplitude do espaço, deverá ser o que concentrará maior público. Por isso mesmo, as atrações são bem diversas. Vai ter samba (Diogo Nogueira e Aline Calixto), pop rock (Raimundos), sertanejo romântico (Paula Fernandes) e o hip-hop que dialoga com diversos gêneros de Flávio Renegado. O rapper acabou de estrear a turnê de seu DVD Suave ao vivo, que teve dois shows no último fim de semana no Oi Futuro, no Rio.


Semana passada, fez em teatro, este fará em praça pública. “O formato (da Virada Cultural) pede um show um pouco mais para cima, para o público se divertir. Com isso, vai haver uma variação de repertório”, conta Renegado, que faz show ao lado de banda com oito músicos. “Cada praça tem sua particularidade, mas a maior delas é BH, não tem jeito. O pessoal conhece a maioria das músicas”, conta ele. Inclusive as mais recentes, como Apenas um beijo. Enquanto divulga seu o DVD, o rapper continua compondo. Ontem lançou on-line mais uma inédita, Coisas desse tipo. Não será de se estranhar se amanhã a noite tiver gente já cantando. 

 

VIRADA CULTURAL
Das 19h de sábado às 19h de domingo. Entrada franca. Veja a programação completa no site www.viradaculturabh.com.br.

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