Mostra Genesis, de Sebastião Salgado, levou mais de 90 mil pessoas ao Palácio das Artes

A exposição fica em cartaz até amanhã em BH, mas na semana que vem estreia Êxodos, também do fotógrafo mineiro, no Museu Inimá de Paula

por 23/08/2014 00:13

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Carolina Braga

Sebastião Salgado/Reprodução
(foto: Sebastião Salgado/Reprodução)

Não era a primeira e nem a segunda, mas a quinta vez que a artista plástica Edna de Castro atravessava os corredores da Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, no Palácio das Artes, em busca dos detalhes capturados por Sebastião Salgado. “Ele demorou 45 dias para conseguir fazer esta foto”, explica, diante da expressão tranquila de uma tartaruga-gigante das Ilhas Galápagos. “Sinto como se fosse uma poesia com história para contar”, continua, sem desviar o olhar da imagem.

Até amanhã, quando termina a exposição Genesis, Edna ainda pretende voltar com a mãe quantas vezes for possível. É provável que enfrente fila. A mostra, em cartaz no Palácio das Artes desde o início de junho, já é forte candidata ao terceiro lugar no ranking dos maiores públicos da grande Galeria nos últimos 10 anos (veja quadro). Quem passa por ali, inevitavelmente, sai impactado.

“Superou minha expectativa. Cada foto tem uma história e sempre um conceito. Tudo parece muito pensado”, observa Isabela Ferreira Fontana. No início da carreira como fotógrafa, ela deixou o Palácio das Artes instigada. “A gente vê a imagem e quer saber o que está por trás”, diz. Passando calmamente pelas fotografias, o piloto Igor Peixoto também se pegou pensando, em alguns momentos, como o fotógrafo teve acesso aos locais longínquos ali expostos. “Como será que foi para chegar lá, onde pousou, como fez para capturar essa expressão. É como se ele humanizasse o bicho”, comentou.

Desde o início de 2013, Genesis já passou por pelo menos 10 países desde o lançamento, no Museu de História Natural de Londres. Atualmente, está em cartaz simultaneamente em Belo Horizonte; no Museu Nacional de Cingapura; no Fotografiska, o museu sueco de fotografia em Estocolmo, na Suécia; em Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias; e no Palazzo della Ragione, em Milão, na Itália.

Durante os sete meses em que esteve em cartaz no Sesc Belenzinho e no Sesc Santo André, em São Paulo, a exposição bateu recorde de público: 410.127 visitantes. No exterior, foram 250.225 pessoas no período em que esteve no Royal Ontario Museum, em Toronto, no Canadá; e 166.627 no CaixaForum, de Madri, na Espanha.

Genesis é composta por 245 fotografias em formatos variados, divididas em seções: montanhas, desertos, florestas, tribos, aldeias e animais. As imagens – no tradicional preto e branco, marca do trabalho de Salgado – foram registradas em diversas partes do mundo entre 2004 e 2011. Sempre partindo de Paris, onde vive, o artista fez mais de 30 viagens ao longo dos oito anos em que esteve dedicado ao projeto. Utilizou aviões de pequeno porte, helicópteros, barcos, canoas e fez, sobretudo, longas caminhadas.

A inspiração filosófica e política de Sebastião Salgado em Genesis desperta no espectador a atenção para a força e a fragilidade do planeta. Nas imagens, ele registra a história da Terra, que foi capaz de sobreviver à ação do homem, mantendo intocadas algumas regiões, espécies, hábitos e culturas ancestrais. É um documento que ao mesmo tempo em que surpreende pela beleza, parece comprometer com a necessidade de ações de cuidado e preservação.

“Fico imaginando a sensação de quem vê essa cena de perto. É uma generosidade compartilhar com a gente”, diz a professora de história Alba Márcia de Almeida. “São pessoas tão diferentes, culturas tão distintas, que fico pensando em como foi esse diálogo”, continua. Cecília Ferreira de Almeida, filha de Alba, faz questão de contar o quão especial foi para ela ter contato com aquelas imagens.

O estudante Carlos Vitor Costa Medina parecia tão impressionado com o que via que não sabia direito para que lado olhar. Diante da imagem de uma geleira, comentou com a amiga Danielly Alexia. “Imagina isso aqui no meu quarto, com uma luz batendo aqui”, brinca. “Ele consegue captar momentos únicos. Fico imaginando como ele faz isso. É um mundo longe da gente”, diz a estudante de engenharia ambiental Caroline Almeida Braga.

Caminhos do exílio

A despedida de Genesis das galerias do Palácio das Artes não significa a retirada completa de Sebastião Salgado da cidade. A partir de sexta-feira, o Museu Inimá de Paula abrigará a exposição Êxodos. Embora tenha as mesmas características que fizeram do mineiro um dos fotógrafos mais cultuados no mundo, entre elas a estética em preto e branco, o conceito é outro.

Lançada no início dos anos 2000, Êxodos aborda o elemento transitório da humanidade. São histórias de migrantes, refugiados e exilados. Os motivos das retiradas são variados: pobreza, repressão e guerras. A exposição é organizada em torno detemas como África, luta pela terra, refugiados e migrados, megacidades e retratos de crianças. Até 16 de novembro, o museu abrigará 40 imagens do projeto que percorreu galerias do mundo inteiro e foi lançado em livro.

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» A magia de Escher (2013) 203.668
» História em quadrões: Maurício de Souza (2004) 98.998
» O tesouro dos mapas: a cartografia na formação do Brasil (2003) 92.690
» Genesis – Fotografias de Sebastião Salgado (2014) 91.195 (até quarta-feira)

Para onde Genesis vai

» Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília 2/9 a 20/10
» ICP – Nova York, EUA 19/9 a 11/1/2015
» CaixaForum, Barcelona, Espanha 22/10 a 1º/2/2015
» Museu Oscar Niemeyer, Curitiba 6/11 a 28/2/2015
» Sejong Art Center, Seul, Coreia 15/12 a 20/3/2015

GENESIS
Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e Espaço Mari’Stella Tristão do Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Hoje, das 9h às 21h, e amanhã (último dia), das 16 às 21h. Entrada franca.

ÊXODOS

De 29 de agosto a 16 de novembro, Museu Inimá de Paula, Rua da Bahia, 1.201, Centro, (31) 3213-4320. Terça, quarta, sexta e sábado, das 10h às 19h; quinta, das 12h às 20h30; domingo: das 12h às 18h30. Entrada franca.

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