Leonardo Boff e Frei Betto conversam com leitores sobre Papa Francisco e Igreja Católica em BH

Autores lançam obras na capital mineira com debate no Museu de Artes e Ofícios

22/08/2014 10:37

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

REUTERS/Alessandro Bianchi
"O inverno eclesial de muitos anos chegou a seu fim", diz Leonardo Boff sobre o Papa Francisco (foto: REUTERS/Alessandro Bianchi)
Sem pieguismos, Frei Betto e Leonardo Boff falam ao coração do leitor. Não é à toa que palestras da dupla costumam atrair imensas plateias em BH. Na noite desta sexta-feira, 22, no Museu de Artes e Ofícios, os dois conversam com o público sobre temas caros ao homem contemporâneo, como consumismo, espiritualidade e, sobretudo, a necessidade urgente de reinventar a vida.

Essa reinvenção é personificada por um dos homens mais fascinantes do mundo contemporâneo: o papa Francisco, tema do livro 'Francisco de Assis e Francisco de Roma – Uma nova primavera na Igreja?' (Mar de Ideias), que Boff autografa. Para o teólogo, obrigado a deixar a Igreja Católica por causa de suas ideias progressistas, “o inverno eclesial de muitos anos chegou a seu fim”.

Um dos ideólogos da teologia da libertação – reinterpretação da fé cristã considerada heresia pela cúpula de Roma –, Boff explica a fina sintonia entre o papa argentino e o santo italiano, devotado aos miseráveis. Ele aposta na “revolução da ternura” protagonizada pelo papa, “centrada nos pobres e sofredores deste mundo e numa Igreja que se entende como ‘hospital de campanha’, pronta a socorrer todos com compaixão, cuidado, misericórdia e amor”.
Jackson Romanelli/Divulgação e Renato Weil/E.M/D.A Press
Frei Betto divulga os livros 'Começo meio e fim' e 'Reinventar a vida'; Leonardo Boff apresenta na capital a obra 'Francisco de Assis e Francisco de Roma %u2013 Uma nova primavera na Igreja' (foto: Jackson Romanelli/Divulgação e Renato Weil/E.M/D.A Press)
O papa argentino já deu várias provas de que sua revolução não é mero marketing para conquistar fiéis. Ele visitou imigrantes africanos na Ilha de Lampedusa, na Itália, confortou desempregados em Córsega e contrariou setores conservadores da Igreja ao defender que gays não devem ser julgados por sua opção sexual.

 

Para Leonardo Boff, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, vindo da periferia do mundo, “fora da velha cristandade europeia”, escolheu o nome de Francisco porque está convicto de que a Igreja deve se pautar no compromisso de São Francisco de Assis com os pobres. Simplicidade e humildade são as marcas de seu pontificado, avesso aos luxos que sempre cercaram a instituição.

Escola
Em 'Reinvenção da vida' (Vozes), Frei Betto reúne pequenos textos com reflexões sobre o dia a dia. Ele fala de amigos que redescobriram o amor na terceira idade, da descriminalização das drogas e da necessidade de revolucionar a escola, por exemplo. Temas políticos também marcam presença: desigualdade social, consumismo, ecologia e a ditadura do mercado. “Pós-liberalismo, marxismo, comunitarismo ou socialismo, não importa o nome. Importa enfrentar o fenômeno mais escandaloso de nossa realidade: a esmagadora pobreza, seres humanos privados de direitos tão elementares como saúde, alimentação, trabalho, transporte, educação, moradia, terra, cultura e lazer”, aifrma o autor em “A esquerda e a pauta das elites”.

Frei Betto lança também 'Começo, meio e fim' (Rocco), destinado às crianças. O frade dominicano aborda a morte em texto delicado sobre a história de uma garota que perde o avô, vítima de câncer.

LEONARDO BOFF E FREI BETTO

Bate-papo com o público e sessão de autógrafos dos livros 'Começo meio e fim', 'Reinventar a vida' e 'Francisco de Assis e Francisco de Roma – Uma nova primavera na Igreja'. Sexta-feira, 22 de agosto, às 19h30. Museu de Artes e Ofícios, Praça da Estação, s/nº, Centro. Entrada franca.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS