Museu da História da Inquisição celebra dois anos de fundação com atividades especiais

Curso e relançamento de livro integram programação do instituto, que fica na Pampulha. O museu tem objetos da época, inclusive uma sala com aparelhos de tortura, usados contra judeus e hereges

por Eduardo Tristão Girão 22/08/2014 10:25

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Túlio Santos/EM/D.A Press
O Museu da História da Inquisição reúne originais e réplicas em tamanho real entre as 541 peças do acervo (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Programação especial marcará neste sábado, 23, a comemoração de dois anos do Museu da História da Inquisição, em Belo Horizonte. Excepcionalmente aberta para visitação a partir das 17h, a instituição sediará a aula inaugural do curso “A história da inquisição ibero-luso-brasileira” (que começa terça-feira) e o relançamento do livro 'A inquisição em Minas Gerais no século XVIII' (Editora UERJ), escrito pela professora Neusa Fernandes.
 
Confira vídeo sobre os aparelhos de tortura expostos no Museu da Inquisição:
 


Ainda com vagas abertas, o curso termina em 25 de setembro, incluindo aulas semanais às terças e quintas, das 19h às 22h (ao custo de R$ 150 por pessoa). Os especialistas escalados para falar sobre vários temas ligados à inquisição são as professoras Neusa Fernandes e Sônia Siqueira (Universidade de São Paulo; ela também está a cargo da aula inaugural) e os integrantes da equipe do museu Marcelo Miranda Guimarães (diretor da instituição), Adriana Tunes e Tiago Zandona.

“Ainda estamos em risco, seja por conta de qualquer religião. A história está se repetindo e as pessoas estão matando por causa da fé. Há professores de história que chegam ao museu e dizem que a inquisição nunca existiu”, afirma Guimarães. Apesar de estar ligado à Associação Brasileira dos Descendentes de Judeus da Inquisição e do fato de cerca de 80% das vítimas da Inquisição serem judias, o museu não representa nenhuma religião específica.
Túlio Santos/EM/D.A Press
Diretor do museu, Marcelo Miranda Guimarães começou a colecionar os objetos há 25 anos (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
MINAS

Para os interessados em história e os que desconhecem os desdobramentos da inquisição no Brasil, a visita ao museu é programa interessante. Pequeno e organizado, o espaço conta com 541 peças, entre livros antigos, objetos e documentos originais, reproduções de pinturas e réplicas de equipamentos de tortura em tamanho real. Entre os destaques, um fragmento do rolo da Torá, livro sagrado dos judeus, com idade estimada em pelo menos 400 anos.

O acervo disponibilizado no museu pertence à coleção particular do seu diretor, que a iniciou há 25 anos. As peças mais valiosas, como objetos e livros centenários, foram compradas por ele em antiquários em Israel e em leilões na internet – todas contam com certificados de autenticidade. No local, o visitante também pode pesquisar em computadores os sobrenomes das vítimas da inquisição e ter acesso à biblioteca sobre o tema.

“Esse museu é resultado da análise de 1 mil processos que estão no Arquivo Nacional Torre do Tombo, em Portugal. Estima-se que os processos guardados lá cheguem a 40 mil”, afirma Magalhães. Um dos planos do diretor é conseguir digitalizar o máximo possível de livros antigos da instituição, para estimular e facilitar a consulta sem comprometer a integridade dos mesmos.

Museu da História da Inquisição
Rua Cândido Naves, 55, Bairro Ouro Preto, na Pampulha. (31 ) 2512-5194. Informações: www.museudainquisicao.org.br.

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