Beatriz França aoresenta 'Talvez eu me despeça' em BH

Afeto, finitude e luto estão na trama do monólogo

por Mariana Peixoto 22/08/2014 09:56

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
GUTO MUNIZ/DIVULGAÇÃO
"Quando a gente encontra alguém na vida nunca sabe o que vai acontecer" Beatriz França, atriz (foto: GUTO MUNIZ/DIVULGAÇÃO)
Perdas, todo o mundo tem, cada um a sua maneira. Foi a partir de uma das mais duras e bruscas delas que a atriz Beatriz França chegou ao monólogo Talvez eu me despeça, que estreia nesta sexta na Funarte MG. “Não sei se eu me arriscaria tanto se ela não tivesse desaparecido”, afirma. O desaparecimento de que Beatriz fala é o assassinato, em 7 de outubro de 2012, de Cecília Bizzotto durante um assalto em sua casa, no Bairro São Bento. Já o risco é algo que tanto Bião quanto Ciça (a maneira como as duas se chamavam) buscavam, naquela época, no teatro. “Começamos a escrever algumas coisas juntas sobre o que nos interessava: o que importa hoje neste mundo dos excessos? Qual o papel do artista?”


Na última vez em que se viram, Ciça apresentava, na Casa Una, um texto feito a quatro mãos que versava justamente sobre esses temas. Foi a partir desse primeiro momento, do luto vivido por Beatriz e tudo o que veio a seguir, nesses quase dois anos, que nasceu a montagem, que chega aos palcos sob o guarda-chuvas da Cia. Afeta, de quem Beatriz é colaboradora. A direção é de Ludmilla Ramalho, estreante na função. Para o espetáculo, que cumpre temporada até o fim do mês, ela se cercou de profissionais que também tiveram uma relação estreita com Cecília.

“É um trabalho muito ligado ao afeto. As pessoas que foram se juntando a nós durante o processo (que consumiu os últimos seis meses) também tiveram suas perdas. Tanto por isso, a dramaturgia (assinada por Daniel Toledo) foi sendo ampliada. O espetáculo é uma homenagem a Ciça, mas fala sobre a finitude das relações”, continua Beatriz. A Cia. Afeta lança mão de referências do teatro documentário e pesquisa o uso da realidade no teatro a partir de situações vividas pelos próprios atores. “Quando a gente encontra alguém na vida nunca sabe o que vai acontecer. A ideia é falar sobre a imprevisibilidade da vida, uma coisa imponderável”, acrescenta.

Para além do texto e da interpretação, Talvez eu me despeça conta com outros recursos. Há uma instalação (criada por Ana Luísa Santos), já na entrada do público no galpão da Funarte, que traz uma série de objetos, tanto de Cecília quanto de Beatriz.

O artista Carlosmagno Rodrigues criou uma série de vídeos que evocam as lembranças de Beatriz e de Cecília. Já o cenário traz uma lavadora de roupas e um dezenas de peças de vestuário, todas usadas, que foram doadas por amigos e adquiridas em brechó. É a maneira de o espetáculo mostrar que a vida continua, que apesar das perdas, continuamos todos a lavar roupas e a pagar contas. Beatriz afirma ainda que a peça é uma obra aberta. “O que a gente traz como alimento é a questão da consciência do fim. Nascemos e morremos a cada instante. (Depois de cada apresentação) Eu vou morrer para o público e ele vai morrer para mim, já que o instante vai acabar”, conclui a atriz.

'TALVEZ EU ME DESPEÇA'
Espetáculo com a Cia. Afeta. Estreia nesta sexta, às 20h. Funarte MG, Rua Januária, 68, Centro. Até 31 deste mês. De quinta a sexta, às 20h; sábado às 17h e às 20h; domingo, às 19h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Informações:(31) 3213-3084.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE E-MAIS