Dad Squarisi lança livro de dicas para se expressar com eficiência na internet

Obra de jornalista conta até com dicas rápidas em 140 caracteres no estilo do Twitter

por Carlos Herculano Lopes 12/08/2014 09:08

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Com a chegada das novas mídias, que vieram para ficar, a maneira de se escrever mudou radicalmente. Quem insistir em não se adaptar a essas transformações corre o risco de, em pouco tempo, não se fazer mais entender ou não despertar o menor interesse do leitor, principalmente se ele for jovem. “Os textos longos, exibidos, cheios de erudição, caíram de moda. Não adianta insistir, que não vai dar mais certo. Muita gente pensa que as novas mídias empobreceram a língua. Mas isso não é verdade, pois somos poliglotas da nossa língua, que é infinita. José Saramago dizia que não falamos português, mas línguas portuguesas”, diz Dad Squarisi, com a autoridade de quem entende do assunto.

Editora de Opinião do Correio Braziliense, comentarista da TV Brasília, blogueira e colaboradora do Estado de Minas – onde às quartas e domingos assina a coluna Dicas da Dad –, ela acaba de lançar pela Editora Contexto o livro Como escrever na internet. E dá uma dica: “As novas mídias, querendo-se ou não, já fazem parte do nosso dia a dia. Elas revolucionaram a escrita e a leitura. Econômicas mensagens eletrônicas ganharam espaço e prestígio. Os esbanjadores verbais têm de se conter e se curvar ao estilo moderno. Nele imperam duas regras de ouro. Uma: menor é melhor. A outra: menos é mais”, sintetiza.

Carlos Vieira/CB/D.A Press
Dad Squarisi dá um conselho aos esbanjadores da língua em tempos de redes sociais: use a régua e tesoura (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Apaixonada pela língua portuguesa, Dad diz ainda que, hoje, em decorrência das novas mídias, exige-se que tenhamos uma linguagem sucinta, clara e sedutora, pois, caso contrário, não seremos lidos. “ Escrever para as novas mídias exige muita atenção de quem escreve. É um mito dizer que o leitor não presta atenção no bom português. Se o site do Estado de Minas ou do Correio Braziliense, por exemplo, escrever ‘oje’, sem o ‘h’, com certeza perderá a credibilidade”, diz.

Já nas salas de bate-papo, segundo Dad, vale tudo, pois a conversa flui de forma tão rápida que a impressão é de que se está realmente conversando. “Existe uma permissão tácita para se escrever como se quer numa sala de bate-papo. E quem não entrar nessa onda estará excluído”, diz. Existe uma regra para se adaptar a esses novos tempos? A jornalista afirma que sim e dá outra dica: “As regras de ouro dos novos tempos são: quanto mais sucinto, melhor. A língua nos oferece todos os recursos necessários para se chegar ao requinte de poder escrever uma mensagem clara, por exemplo, com 140 caracteres. Mas para se fazer isso é preciso treino e muito exercício”.

Dad Squarisi dividiu o novo trabalho em três partes: na primeira, comenta “as várias línguas que falamos e escrevemos”; e, nas duas seguintes, convoca o metro e a tesoura para ensinar como se deve proceder para escrever com eficiência nas redes sociais. “Um fica de olho na extensão das palavras e frases e a outra toma providências cirúrgicas, que nada mais são, para se adaptar aos novos tempos, que não ter medo de cortar os excessos.” A escritora dá ainda no livro, para facilitar a vida do leitor, “300 diquinhas de português em até 140 caracteres, que jogam luz sobre os velhos calos da língua”.

três perguntas para...

Dad Squarisi
escritora e jornalista

Com a chegada das novas mídias, a língua portuguesa se tornou menos sedutora?

É claro que não, pelo contrário. Você só faz uma boa literatura se souber usar bem a língua. Para educar seus filhos, também é preciso falar bem, e para se conseguir um emprego, idem. No entanto, a língua portuguesa anda muito maltratada ultimamente, muito mal ensinada nas escolas. Infelizmente, ela foi muito massificada e isso se reflete na educação das pessoas.

O que fazer para mudar esse cenário?

A grande luta atual, no caso da nossa educação, não é universalizar o acesso à mesma, porque isso já aconteceu. O grande desafio, a meu ver, é universalizar o conhecimento, porque não adianta a pessoa ter acesso à educação e não saber, por exemplo, interpretar um texto ou escrever um e-mail, como um analfabeto funcional. E a grande porta de entrada para isso, pode ter certeza, é saber dominar bem a língua.

E as “várias línguas portuguesas” às quais Saramago se referia?

É claro que elas existem. Um advogado, por exemplo, ao falar no tribunal, usa o “juridiquês”. Ao chegar em casa, quando vai conversar com o filho de 4 anos, ele vai se valer de outra linguagem. Se for fazer amor com sua mulher, também. O mesmo acontece em um jornal: a linguagem de quem escreve o horóscopo é diferente da de quem escreve uma matéria policial ou assina um artigo de opinião. No caso da língua usada nas novas mídias, ela também é uma a mais, das tantas que já usamos diariamente.


Como escrever na internet
De Dad Squarisi
Editora Contexto, 124 páginas

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