Exposição 'Cor, luz e movimento' estreia nesta quarta-feira no Minas

Mostra reúne trabalhos de 15 artistas e homenageia a obra cinética de Abraham Palatnik

por Walter Sebastião 12/08/2014 08:32

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Fotos: Sérgio Araújo/MTC/Divulgação
Trabalho de Abraham Palatinik: exploração sofisticada dos efeitos óticos bidimensionais (foto: Fotos: Sérgio Araújo/MTC/Divulgação)
Do final dos anos 1950 até a metade dos 1960, artistas plásticos de todo o mundo, entre eles vários latino-americanos, mergulharam em pesquisas que articulam, de modo virtual ou físico, cor, luz e movimento, que deu origem ao que ficou conhecido como arte cinética. Deste então, com as mais diversas proposições, a arte deixou de ser sinônimo de imagem congelada. Tal caminho é evocado em exposição que leva exatamente o nome de Cor, luz e movimento, que será aberta amanhã, na Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube.


A mostra faz homenagem especial a um autor brasileiro, Abraham Palatnik, ainda por ser melhor reconhecido internacionalmente como um dos primeiros a trilhar tal caminho. A exposição também procura registrar diálogo de outros artistas com a obra do criador de objetos cinéticos. Participam da mostra trabalhos de Ana Linnemann, Arthur Amora, Braga Tepi, Bruno Borne, Carlos Krauz, Carlos Pertius, Claudio Alvarez, Deneir, Eduardo Coimbra, Emygdio de Barros, Fernando Diniz, Luiz Hermano, Robson Macedo e Wagner Malta Tavares.

“Abraham Palatnik é pai da arte cinética”, afirma Marcus de Lontra, curador da mostra com Daniela Name. Reverência que vai ser registrada com 12 obras do artista. Miniantologia que pontua desde a construção de objetos cinéticos, objetos com engrenagens que fazem as formas se mexerem, até colagens com diversos materiais, que revelam o quanto o motivo do movimento é onipresente na produção do artista, nascido em Natal (RN), que vive no Rio de Janeiro desde 1948. “São perturbações do olhar que permitem as mais sofisticadas especulações estéticas, mas que se comunicam com todos pelo colorido vibrante”, observa. Trata-se de criação elaborada em contexto de interpelação da arte tradicional, que hoje encanta pelo aspecto lúdico.

Palatnik, como conta Marcus de Lontra Costa, sempre imagina seus trabalhos como pinturas feitas de modo diferente. Vocação descoberta em contexto inesperado: o conhecimento das obras dos internos no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, coordenado pela psicóloga Nise da Silveira (1905-1999). Seguidora das ideias de Jung, a dra. Nise ajudou a estabelecer contato entre doentes mentais e artistas. Vendo o realizado pelos pacientes, Abraham Palatnik, teria descoberto, como ele mesmo contou, que nunca faria com tinta e pincel algo que tivesse a mesma qualidade. E algumas obras, hoje no Museu do Inconsciente, que influíram na decisão de Palatnik estão na exposição – entre elas trabalho de Emygdio de Barros, que se tornou amigo do artista.

A obra do artista integra o contexto da original abstração geométrica produzida no metade dos anos 1950 no Brasil. E, em especial, aposta Lontra, a facção mais lírica, sensível e lúdica da estética. “É arte construtiva, que dialoga com o que é feito no mundo, mas com tempero brasileiro”, observa. O uso da tecnologia para fazer arte, conta o curador, não é tema estranho aos criadores da época. Ele lembra que o arquiteto Oscar Niemeyer sempre saudou o avanço técnico da engenharia. Ou que o escultor Franz Weissmann tinha ateliê dentro de indústria. Palatnik foi industrial, fabricou objetos, entre eles bichinhos de vidro, que hoje são peças cultuadas.

“Abraham Palatnik trabalhou questões mecânicas e industriais com enfoque tão amplo que produziu canais de ligação com as tecnologias de hoje”, afirma Marcus de Lontra. Se a obra do artista, até os anos 1970, era respeitada, mas posta à margem, essa situação mudou completamente nos últimos 10 anos. Contexto que fez de Palatnik um artista de referência para a arte contemporânea brasileira. “Ele não criou escola, mas há muitos trabalhos que têm relação direta com o que fez.” O olhar dos contemporâneos para a obra do artista valoriza uma recriação da geometria, colorida, lírica, que é diferente, por exemplo, da geometria seca do minimalismo.

SAIBA MAIS
Engenheiro da arte


Filho de judeus russos, o artista cinético, pintor e desenhista Abraham Palatnik nasceu em Natal (RN), em 1928. Em 1932, muda-se com a família para a região onde, atualmente, se localiza o Estado de Israel. De 1942 a 1945, estuda na Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, e se especializa em motores a explosão. Inicia seus estudos de arte no ateliê do pintor Haaron Avni e do escultor Sternshus e estuda estética com Shor. Retorna ao Brasil em 1948 e se instala no Rio de Janeiro. O contato com ateliês do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro e as discussões conceituais com Mário Pedrosa fazem Palatnik romper com os critérios convencionais de composição, abandonar o pincel e o figurativo e partir para relações mais livres entre forma e cor. Aprofundando os estudos sobre psicologia da forma e usando os dotes como engenheiro, ele começa os experimentos com luz e movimento, que deram origem aos objetos cinéticos e aos aparelhos cinecromáticos. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética.

INCENTIVO
O Prêmio Marcantonio Vilaça para as artes plásticas é um dos principais programas de estímulo existentes no Brasil. A quinta edição, relativa ao biênio 2014-2015, está com inscrições abertas até 30 de setembro. E prevê seleção, via portfólio, de 30 artistas, para mostra a ser realizada em abril de 2015. Deste conjunto serão escolhidos cinco criadores, que participam de mostra que viaja pelo Brasil. Informações: www.portaldaindustria.com.br.

'Cor, Luz e Movimento
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Abertura para o público nesta quarta-feira. Obras de Abraham Palatnik, Ana Linnemann, Arthur Amora, Braga Tepi, Bruno Borne, Carlos Krauz, Carlos Pertius, Claudio Alvarez, Deneir, Eduardo Coimbra, Emygdio de Barros, Fernando Diniz, Luiz Hermano, Robson Macedo e Wagner Malta Tavares. Curadoria de Marcus de Lontra Costa e Daniela Name. Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. De terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 11h às 19h. Entrada franca.

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