Livro de Fernando Rabelo exibe ângulos inusitados da capital mineira

Vista do alto, a metrópole ganha contornos surpreendentes em harmonia com as montanhas

por Carlos Herculano Lopes 11/08/2014 09:17

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Fernando Rabelo/divulgação
O Edifício Niemeyer empresta suas curvas poéticas à Praça da Liberdade (foto: Fernando Rabelo/divulgação)
Mostrar a BH que quase ninguém vê. Essa é a proposta do fotógrafo Fernando Rabelo, que chegou a voar de ultraleve para descobrir ângulos surpreendentes da capital mineira. O resultado pode ser conferido no livro 'Cores e luzes de Belo Horizonte', que será lançado hoje à noite, na Assembleia Legislativa.

Coroando o trabalho iniciado no ano passado, quando voltou a viver na cidade depois de morar por quase 25 anos no Rio de Janeiro, Fernando aceitou o desafio feito pelo pai, o jornalista José Maria Rabêlo: lançar um olhar poético sobre Belo Horizonte. O próprio José Maria assina os textos e legendas do livro.

Com passagens por vários órgãos da grande imprensa – 'Jornal do Brasil', 'O Globo' e 'Folha de S. Paulo', entre eles –, Fernando é autor do premiado 'Tributo à lagoa', sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, que já chegou à sétima edição. Em sua busca por ângulos diferentes de BH, ele conta ter priorizado aqueles que fogem ao lugar-comum. “Não queria mostrar o óbvio nem publicar um livro a mais, mas fazer um trabalho novo, que pudesse fazer a diferença”, diz Rabelo.

Fernando Rabelo/divulgação
Circuito Cultural da Praca da Liberdade composto de treze instituições (foto: Fernando Rabelo/divulgação)
Para levar adiante essa proposta, foi preciso ter muita criatividade. Fernando, aliás, não mediu esforços: fez fotos do alto de vários prédios, no meio da rua e em horários inusitados, além de voar sobre a capital de ultraleve. “Isso me possibilitou, por exemplo, fotografar as linhas arquitetônicas do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, inspiradas nas montanhas de Minas. É um prédio-símbolo de Belo Horizonte”, observa.

Valendo-se do ultraleve, ele conseguiu ângulos diferentes do Minas Tênis Clube, no Bairro de Lourdes, e da Igreja de São Francisco, na Pampulha, projetada por Oscar Niemeyer. Outra bela imagem aérea mostra o Centro da cidade com seus edifícios. Lá de cima, vemos também o câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais, na Pampulha, e o BH Shopping, no Belvedere.

Antigamente Com seu olhar atento, Fernando Rabelo não se esqueceu de registrar aspectos da antiga Belo Horizonte, como o emblemático coreto da Praça da Liberdade. O prédio do Tribunal da Justiça de Minas Gerais, no Centro, surge em interessante contraste com a moderna Cidade Administrativa.

“Documentei também – e acho que ninguém ainda havia mostrado isso em livro – cenas do carnaval de rua, que, de uns anos para cá, renasceu em Belo Horizonte. Fotografei o movimento nos bares da Savassi durante a Copa do Mundo, quando turistas de vários países vieram conhecer a capital”, conta.

Das cerca de 10 mil fotos da capital mineira e arredores, Fernando Rabelo selecionou as 96 publicadas em 'Cores e luzes da cidade'. Não foi tarefa fácil. “ Tive de me desdobrar. Com tristeza, deixei de usar muitas imagens bonitas, que, com certeza, dariam para fazer um ou mais dois livros”, conclui.
 
Fernando Rabelo/divulgação
Igreja da Pampulha - projeto de Oscar Niemeyer a margem da lagoa (foto: Fernando Rabelo/divulgação)
CÂMERA E EXÍLIO


Em 1964, o belo-horizontino Fernando Rabelo, com apenas 2 anos, teve de deixar a capital mineira. Perseguido pelo governo militar, o pai dele, jornalista José Maria Rabêlo, teve de se exilar no Chile. A família viveu lá até 1973, quando o golpe dos generais derrubou o governo socialista de Salvador Allende. “Tinha 11 anos e me lembro de que tivemos de ir às pressas para Paris, onde, dois anos depois, ganhei a primeira câmera fotográfica, presente de minha mãe. Foi assim que comecei na profissão”, revela. A família Rabêlo só voltou ao Brasil em 1979, com a decretação da anistia.
 
'CORES E LUZES DE BELO HORIZONTE'
De Fernando Rabelo (fotos) e José Maria Rabêlo (texto)
Editora Legraphar, 132 páginas
Lançamento hoje, às 18h30, no hall da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho. Informações: (31) 3282-1320.


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