Grupo Teatro Público se apresenta em peça pelas ruas do bairro Saudade

Montagem 'Saudade' conta a história de um morto que desapareceu a caminho do próprio velório

por Ana Clara Brant 08/08/2014 08:44

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Naum Produtora/Divulgação
'Saudade', do grupo Teatro Público, conta a história do morto que sumiu a caminho de seu velório (foto: Naum Produtora/Divulgação)
O Bairro Saudade, na região Leste de Belo Horizonte, foi o escolhido pelo grupo Teatro Público para apresentar seu novo espetáculo. A trupe promove, sempre aos sábados, às 16h30, até 27 de setembro, a interação entre atores mascarados e os moradores locais. Saudade conta a história de Zenóbio de Andrade Reis Boaventura, um morto que desapareceu nas imediações do Cemitério da Saudade quando era transportado para o seu velório. O que a família não imagina é que o morto, em um ato de rebeldia, levantou-se do caixão simplesmente pelo fato de ter escolhido um fim mais digno. “O bairro tem essa coisa muito forte da presença da morte, do cemitério, o segundo construído na cidade. Ele é quase um personagem. Tentamos de alguma forma dialogar com esse espaço”, comenta um dos atores e diretores da peça, Marcelo Alessio.


No projeto anterior, o Teatro Público apresentou Naquele bairro encantado, que recuperava a memória de bairros antigos da capital como Lagoinha, Venda Nova, Barreiro e Serra. Marcelo Alessio destaca o envolvimento dos espectadores e essa interferência da ficção na vida real e vice-versa. “A ideia de ir para a rua é justamente ter esse grau de abertura e também de fazer o teatro invadir o cotidiano das pessoas. É muito interessante essa interação”, diz.

Para contar a história de Zenóbio, a companhia optou por trabalhar com dois núcleos de personagens. Interpretados pelos atores Diego Poça, Luciana Araújo, Marcelo Alessio, Rafael Bottaro e Rafaela Kênia, que também são diretores, os grupos são identificados como a família do falecido e seus amigos de boemia. A composição dos papéis foi inspirada nos mascaramentos das matrafonas, figuras presentes na cultura popular de algumas regiões de Portugal, e nas máscaras da tradição do teatro balinês.

“Um homem morre e o corpo desaparece. Onde e com quem está esse corpo? Essa será a grande surpresa, assim como outras que a gente não pode revelar. Tem muita novidade”, adianta Marcelo Alessio. Como o espetáculo tem três horas de duração, ele começa durante o dia, às 16h30, e atravessa a noite – e esse tempo altera a percepção da montagem. “Saudade tem dois momentos. Quando a noite cai e o pôr do sol, ainda mais que a região é alta e tem uma vista muito bonita, o espectador passa a vivenciar outra experiência. Tenho certeza de que vai ser algo novo. O encontro da realidade e da ficção é muito tênue”, afirma Marcelo Alessio.

A direção musical é de Eberth Guimarães, enquanto que a dramaturgia e as intervenções urbanas com a palavra ficam a cargo de Larissa Alberti.

'Saudade
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Em apresentação aos sábados, a partir das 16h30, até 27 de setembro. Nas ruas do Bairro Saudade. O espetáculo itinerante começa a ser apresentado em frente à portaria principal do Cemitério da Saudade, Rua Cametá, 585, Bairro Saudade. Classificação etária livre. Entrada franca. Duração: três horas.

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