Exposição resgata Minas de outros tempos pelas fotos de Câncio de Oliveira

Exposição no Memorial Minas Gerais Vale destaca a obra do artista, que registrou momentos importantes da história do estado; aos 87 anos, o pioneiro imprimiu marca autoral a suas imagens

por Walter Sebastião 01/08/2014 09:33

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Câncio de Oliveira/ Divulgação
Câncio de Oliveira explora luz e contraluz em 'Eclusa ao entardecer' (foto: Câncio de Oliveira/ Divulgação)
Se Minas Gerais tem boa fotografia, isso se deve também à história de pioneiros atuantes em várias cidades, que, aos poucos, vão se tornando um pouco mais conhecidos do público. Um desses artistas ganha agora merecida homenagem: Câncio de Oliveira. Exposição de 20 fotos dele, realizadas entre 1940 e 1960, restauradas e selecionadas por Heitor Moinhos, estará em cartaz a partir de amanhã, no Memorial Minas Gerais Vale.

Leva a assinatura de Câncio a memorável série de postais que mostra Belo Horizonte com encanto. “Vamos exibir raridades”, avisa Heitor Moinhos. “Ele é conhecido como fotógrafo de casamento e pelos postais de BH, mas teremos trabalhos inéditos que revelam as outras faces dele”, informa. O conjunto foi dividido nas seções “Pampulha”, “Personalidades e eventos”, “Foto autoral” e “Retratos”. A seleção partiu da pesquisa de 10 mil negativos, de onde saíram 80 imagens resumidas para 20. O curador explica que um dos critérios foi priorizar negativos que necessitavam de restauro. O próprio Câncio aprovou as impressões com pigmento mineral sobre algodão.

Selecionar as imagens não foi tarefa fácil, revela Moinhos. “Primeiro, ele nos apresentou os postais. Aos poucos, foi trazendo outras coisas que considerava hobby ou só divertimento”, recorda. O curador optou por fotos com visão autoral muito particular – imagens marcadas por pesquisa com luz e contraluz, explorando contrastes. “Elas são totalmente experimentais para a época em que foram realizadas”, informa Heitor.

Câncio de Oliveira/ Divulgação
Trem de ferro: imagem mítica da cultura de Minas Gerais (foto: Câncio de Oliveira/ Divulgação)
Romântico
“Quando observamos as fotos da Pampulha, deparamos com uma visão muito particular. Ele vê a região com romantismo, meio como local de sonho, atmosfera que tem um certo mistério”, explica o curador. Câncio é perfeccionista, cuidadoso, e descarta as fotos que não considera boas. “É superorganizado”, pontua Moinhos. Os negativos estão bem guardados, agrupados por tema e ano. Alguns necessitam de reparos.

A exposição é fruto do projeto de recuperação do material criado por Câncio de Oliveira. O curador se dedica à restauração de fotos com meios digitais. “Outra ação importante é divulgar o trabalho e o acervo, que é grande e desconhecido, um verdadeiro tesouro”, conclui Heitor Moinhos, informando que o próximo passo será levar a mostra para outros espaços em BH e festivais de fotografia.

Das câmeras para o palco
Outras exposições ligadas à fotografia poderão ser conferidas no Memorial Minas Gerais Vale a partir de amanhã. Passado e presente – Acervo Pedro Mordente reúne modelos de câmeras lançados nos séculos 19 e 20, além de equipamentos de última geração.

O público verá também fotos do belo-horizontino Paulo Lacerda, que assina belas imagens de espetáculos realizados na Fundação Clóvis Salgado. A mostra A fotografia é um espetáculo poderá ser vista até 6 de outubro, no Café do Memorial.

O artista
Câncio de Oliveira, de 87 anos, nasceu em Santo Antônio do Monte, Oeste de Minas. Ele se mudou para BH em 1941, quando a cidade tinha 200 mil habitantes. Vendia cópias de fotogramas de filmes para poder comprar suas câmeras. Por volta de 1948, Câncio passou a registrar paisagens da capital e transformá-las em cartões-postais, vendidos em bancas e livrarias. O curador Heitor Moinhos recomenda a quem tenha esses postais – fáceis de reconhecer por trazerem a assinatura do fotógrafo ou as iniciais dele – que guardem as peças. “São raridades. Alguns negativos dessas imagens não existem mais”, informa.

Câncio de Oliveira
Memória fotográfica de BH. A partir de sábado, 2, quando será lançado catálogo, às 15h. Memorial Minas Gerais Vale, Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários. Terça, quarta, sexta-feira e sábado, das 10h às 17h30; quinta-feira, das 10h às 21h30; domingo, das 10h às 15h. Informações: (31) 3308-4000. Entrada franca. Até dia 24.

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