Fotógrafo Pedro David apresenta a exposição 'Fase catarse' no Museu Mineiro

Mostra reúne 46 fotos de três séries: 'Aluga-se', 'Coisas caem do céu' e 'A última morada'

por Gracie Santos 30/07/2014 07:00

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PEDRO DAVID/DIVULGAÇÃO
Imagens das séries 'Aluga-se', 'Coisas caem do céu' e 'Última morada', da trilogia 'Fase catarse' de Pedro David (foto: PEDRO DAVID/DIVULGAÇÃO)

Em vez de se lamentar diante dos problemas, o fotógrafo Pedro David, de 36 anos, decidiu transformá-los em trabalho, ou melhor: em arte. Assim, a busca incansável por um apartamento para alugar originou a série 'Aluga-se', conjunto de fotos que evidenciam a luz dos ambientes vazios. Apê alugado e a jeitosa área livre de primeiro andar se tornou, imaginem, lixeira para os vizinhos mal-educados. Pedro aproximou suas lentes “do que as pessoas não queriam ver nem mesmo no lixo de suas casas” e, olhar macro, transformou o descartado em “esculturas” da série 'Coisas caem do céu'. Chegou até a pensar em expor as fotografias no hall do prédio. Não deu tempo, mudou-se logo.


Em outro momento, quando sua mãe, com quem dividia a moradia, ficou doente e morreu, ele permaneceu durante um mês no apartamento, vivendo seu luto, que deu origem ao que considerou o fechamento da trilogia: 'Última morada'. Em foco, objetos de sua mãe, imagens reproduzidas em instalação com slide show e o som da respiração ofegante da paciente nos últimos dias de vida. Todo o processo de criação foi longo. As primeiras fotos são de 2008, época da busca por um apartamento para morar com a mãe; as da segunda série vieram já num apartamento do Bairro Gutierrez, em 2009, e as últimas datam de 2010.


Tudo está reunido na mostra 'Fase catarse', que Pedro David abrenets quinta-feira, às 19h, no Museu Mineiro, com 46 fotos (11 de 'Aluga-se', 21 de 'Coisas caem do céu' e 14 de 'A última morada'). Na abertura, o artista lança o livro homônimo (cor, 22cm x 28cm, 72 páginas), que reúne as imagens da exposição, além de pequenos poemas de sua autoria. Trabalho meticuloso, feito com carinho e riqueza de detalhes. Quase solitário. É dele a edição, a seleção das imagens e a definição do tamanho que ganham a cada página. “Faço tudo pensando no contexto e no que quero mostrar. Vou até onde posso. Depois, quando não domino mais as ferramentas, procuro ajuda”, explica. Resultado: a mostra não tem curadoria e o livro conta com finalização do design Fred Paulino. Em novembro, a mostra segue para a Galeria da Gávea, no Rio de Janeiro.

Saga Depois de viver nove anos em um mesmo apartamento alugado, Pedro David foi obrigado a se mudar duas vezes em um ano. Detestava a procura por novo espaço e decidiu transformar o chato em prazeroso. “Passei a fotografar os ambientes de cabeça aberta. Quando editei, percebi que a luz do sol entrando pelas janelas era o mais rico”. Concentrou-se nelas. “A luz traz outras ideias, tem o pictórico. Sai da fotografia da representação, do mais óbvio, do real”, afirma. Depois dos projetos Rota raiz (solo) e Paisagem submersa (fruto de parceria com os fotógrafos Pedro Motta e João Castilho), ambos focados na relação das pessoas com locais amplos em regiões distantes dos grandes centros, ele sentiu necessidade de se dedicar ao urbano. “Fotografei meu próprio ambiente, acho que estou crescendo, deixei de precisar do outro e decidi analisar minha própria situação”, conta, satisfeito com as novas abordagens.


“Fase catarse traz a ideia de transformação, reúne processos catárticos que vivi”, revela, dizendo que decidiu usar a fotografia para passar pelas dificuldades, aceitar os vizinhos, a morte da mãe, “que deixou de ser apenas tristeza para se tornar uma nova condição.” E confessa: “Consegui guardar as coisas dela, entregar o apartamento e continuar”. Para quem acompanha o trabalho do fotógrafo, a confirmação de que ele é sempre capaz de se reinventar, ousar e apostar em projetos difíceis. Nada é gratuito mas, ao mesmo tempo, tudo flui espontaneamente e, o melhor, sem perder a poesia.

 

Fase catarse
Mostra fotográfica e lançamento de livro de Pedro David. nesta quinta-feira, às 19h. Museu Mineiro, Av. João Pinheiro, 324, Funcionários (31) 3269-1103. Até 31 de agosto.

 

TRECHO

ÚLTIMA MORADA

“ (...) Perambulo por seus pertences
antes de retirar qualquer objeto.
Ali sozinho,
sinto ainda sua presença,
que pouco a pouco,
quadro a quadro
passa a dar lugar
à sua permanente ausência...”

 

 

 

 

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