Castelo Rá-Tim-Bum completa 20 anos como um dos maiores sucessos da TV

Diretor Cao Hamburger fala de seu novo projeto, também voltado para o público jovem

por Carolina Braga 28/07/2014 08:11

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Trama Comunicação/Divulgação
"A televisão já não é a única plataforma que as crianças acessam.A web também não. Tem os smartphones, os vídeos on-demand. Cada dia aparecem aplicativos que nos fazem pensar em um projetomultiplataforma" Cao Hamburger, cineasta (foto: Trama Comunicação/Divulgação)
Influência de algum feitiço da Morgana? Comunhão astral? O diretor e roteirista Cao Hamburger brinca, mas não arrisca palpites sobre as coincidências que rondam a vida dele neste momento. Também não dá espaço para saudosismo. A comemoração dos 20 anos da estreia de Castelo Rá-Tim-Bum, um dos projetos infantis mais bem-sucedidos da história da TV brasileira, logicamente traz boas memórias. Somente. “Tenho muito orgulho de ter criado e dirigido, mas não me vem sensação de saudade”, confessa.

Curiosamente, em meio à festa do seriado, com direito a exposição badalada que vem atraindo muito público ao Museu da Imagem e do Som de São Paulo, a cabeça de Cao parece estar mais ocupada por certos monstros e o que eles ainda prometem fazer. “Não tinha me dado conta de que estava voltando para esse universo infantil”, diz sobre Que monstro te mordeu?, a nova série com estreia prevista para 10 de novembro, também na TV Cultura, em parceria com o Sesi-SP. Pode ser cedo para sinalizar o que o novo projeto poderá trazer de inovador, mas Cao assegura que não será mais do mesmo.

“A televisão já não é a única plataforma que as crianças acessam para se divertir. A web também não. Tem os smartphones, os vídeos on-demand. Cada dia aparecem aplicativos que nos fazem pensar em um projeto multiplataforma”, adianta. A temporada inaugural de Que monstro te mordeu? tem planejados 50 episódios de 22 minutos para a TV, além de outros 50, com três minutos de duração, elaborados exclusivamente para a internet.

“Como é uma experimentação, há dois anos, quando comecei a desenvolver o projeto, o cenário era diferente. Estamos correndo atrás para ocupar todas as telas”, conta. Isso significa dizer que os monstros estarão também em aplicativos para tablets e celulares. O desafio, segundo Cao, tem sido pensar uma narrativa que possa se expandir para os diversos suportes que compõem o mix do projeto. “É preciso ter cuidado para não se angustiar por ter tanta novidade. É desafiador e estimulante estar vivendo essa revolução”.

É inevitável traçar comparações com Castelo Rá-Tim-Bum. Na internet, muitos fãs da série têm atribuído o sucesso do passado a vários elementos: riqueza dos cenários e bonecos; personagens; roteiro e a direção; além do caráter educativo do programa. Com ressalvas, Cao Hamburger confirma que essas características também estão na receita do novo seriado.

“Não gosto desta palavra ‘educativo’. Prefiro dizer que o Castelo... e também o Monstro... são programas de entretenimento com conteúdo. Entretenimento é, antes de tudo, a coisa mais importante em qualquer produto audiovisual. A preocupação com o conteúdo pode ser um diferencial”, explica. É aí que Cao manda bem: o conteúdo acaba trazendo inquietações, do próprio criador, traduzidas de uma maneira especial para a criançada.

Foco na emoção

Se hoje vivemos a fase da multiplicação de plataformas, Cao Hamburger acredita que em breve retornaremos à tela única, mas com funções diferentes. A estrutura de Que monstro te mordeu? contempla o exercício da interatividade. “Nos episódios, a criança vai de fato participar e influenciar no programa. Ela tem essa tentativa de entender o que está acontecendo, a cada momento.”

Castelo Rá-Tim-Bum também foi lançado em meio a uma mudança tecnológica. Há 20 anos, o assunto da hora era a popularização do sistema operacional Windows, que transformou a interface do computador e a relação dos usuários com a tecnologia. Cao conta que a invenção de Bill Gates serviu de inspiração para a estrutura do programa. “O Castelo é um lugar físico que tem muitas janelas e portas. Como vivíamos aquele momento tão misterioso sobre o futuro do computador, inconscientemente criamos personagens que abarcam toda a história da humanidade.” Ou seja, havia uma preocupação, naquele momento, em falar sobre o ser humano e a cultura.

Com os monstros da vez, as inquietações dos personagens se transformaram, assim como a sociedade, já dependente não apenas do computador, mas também dos telefones, tablets e afins. Cao Hamburguer define os protagonistas como figuras singulares, interessantes e engraçadas. “Estão mais ligados em entender o lado emocional e o psiquismo humano. Talvez porque estejamos no olho do furacão da revolução digital, com muitos recursos e acesso a conteúdo, a rapidez com que as coisas são acessadas, os monstros vão buscar um pouco daquilo de que estamos nos distraindo um pouco: as questões interiores”, analisa.

Assim como no Castelo Rá-Tim-Bum, a nova série terá bonecos, atores e animação. A O2, produtora de Fernando Meirelles, da qual Hamburger é parceiro frequente em seriados e no cinema, foi contratada para fazer a finalização dos episódios. Para atender ao projeto foi criado um núcleo especializado em serviços de 3D, 2D, correção de cor e supervisão de efeitos. “Não é uma superprodução do tamanho do Castelo..., mas sim nos parâmetros de qualidade”, finaliza o diretor.


Castelo Rá-Tim-Bum em...

SÉRIE

 

TV CULTURA/DIVULGAÇÃO
(foto: TV CULTURA/DIVULGAÇÃO)
 

 

Criação do dramaturgo Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger, a série foi exibida entre maio de 1994 até 1997. Foram quatro temporadas e 90 episódios com 30 minutos de duração. É a história do aprendiz de feiticeiro Nino, que vive com o tio, dr. Victor (Sérgio Mamberti), e a tia-avó Morgana (Rosi Campos) em um castelo no meio de São Paulo.

FILME


CAOS PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO
(foto: CAOS PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO)
Também dirigido por Cao Hamburger, o filme com os personagens da série foi lançado em 1999. O roteiro foi assinado por Anna Muylaert. Na trama, o livro de magia de Morgana (Rosi Campos) é roubado por Losângela (Marieta Severo – foto), às vésperas do alinhamento dos planetas, evento que fortalece o poder dos magos. No longa, o personagem Nino é interpretado pelo jovem ator Diegho Kozievitch. Na época, a produção nacional foi a segunda mais vista no país, com público de 725 mil espectadores.

PEÇA


Criada em 1997, Castelo Rá-Tim-Bum – Onde está o Nino? passou quatro anos em excursão por todo o país e volta aos palcos para apresentar o castelo às novas gerações. Em formato de musical, a produção era fiel à série. Contava a história de Nino, o aprendiz de feiticeiro de 300 anos e morador do castelo que, ao fazer uma mágica errada, altera a dinâmica da vida na floresta.

GAME


As aventuras de Nino chegaram aos games no final da década de 1990. No jogo lançado pela TecToy, Pedro, Biba e Zequinha chegam ao castelo e vão até o porteiro decifrar a senha do dia. Lá dentro divertem-se com as invenções de dr. Vitor, cheias de desafios. Em versão disponível para Master System, atualmente o jogo é vendido no mercado retrô de games.


A exposição


A mostra comemorativa sobre os 20 anos do seriado surpreendeu todas as melhores expectativas do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP). Diariamente, passam pela exposição cerca de 1,6 mil pessoas, a capacidade máxima do espaço. Além de visitar peças do acervo especialmente restauradas, há objetos de cena, fotografias, figurinos dos personagens, bonecos originais e trechos do programa. Dez ambientes do castelo foram recriados para oferecer uma experiência lúdica aos visitantes. Castelo Rá-Tim-Bum – a exposição vai até 12 de outubro, no MIS (Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo, (11) 2117-4777 ou www.mis-sp.org.br).

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