Daryan Dornelles lança livro com 160 imagens feitas ao longo da carreira

Fotógrafo de estrelas da música e de artistas de várias áreas é conhecido por exigir muito dos personagens,

por Ailton Magioli 25/07/2014 00:13

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Daryan Dornelles/Divulgação
Milton Nascimento dentro da piscina de casa (foto: Daryan Dornelles/Divulgação)
Você consegue imaginar a maneira como gostaria de se ver retratado? Essa é a base que o fotógrafo carioca Daryan Dornelles, de 43 anos, precisa para clicar seus personagens. Por iniciativa própria, ele está lançando Retratos sonoros (Editora Sonora), livro com cerca de 160 imagens, coloridas e em preto e branco, de artistas ligados à música – cantores, instrumentistas e/ou compositores. Trata-se de coletânea de 18 anos de trabalho, que reúne retratos de Chico Buarque, Criolo, Marisa Monte, Dominguinhos, Fernanda Takai, Paulinho da Viola, Pedro Morais, Ney Matogrosso e Milton Nascimento, entre outros. Marcos Preto, Alice Granato e Valéria Mendonça assinam os textos de apresentação do livro.

Para se ter uma ideia do quão exigente e criativo é Daryan, basta saber que Bituca foi fotografado na piscina de casa, na Joatinga carioca. E que, ao ser convocado para fazer fotografia de Bibi Ferreira no Teatro Net, do Rio, acabou rejeitando o trabalho por não ter gostado do ambiente. “Preferi remarcar para outro dia, que acabou não rolando”, recorda Daryan, salientando não ter nada contra a grande dama do teatro brasileiro. Ausência sentida entre as cantoras presentes no livro, Maria Bethânia não foi fotografada, segundo ele, por causa da burocracia para chegar até a artista. “Não deu tempo”, lamenta.

Entre os grandes retratos que fez está a primadona das artes cênicas, Fernanda Montenegro, clicada por ele para a capa da revista Bravo. Para a capa da revista de um jornal de São Paulo, ele resolveu levar Martinho da Vila para a emblemática Avenida 28 de Setembro, do Bairro de Vila Izabel, Zona Norte do Rio, onde conseguiu fotografá-lo sem camisa, em pleno bulevar.

O que não pode faltar em um bom retrato? “Simplicidade”, responde Daryan Dornelles, que exige sempre um bom ambiente, com direito a luz, cenário etc. “Geralmente, tenho um assistente”, revela o fotógrafo, lembrando que em se tratando de capas de revistas e de discos tem sempre alguém para cuidar de maquiagem, figurino etc.

Escola

Entre os responsáveis pela escola brasileira do retrato, Daryan inclui o famoso Bob Wolfenson, que classifica de “um belo retratista”; Rui Mendes, especializado em música; Caroline Bittencourt, Leo Aversa, Marcos Hermes (mais ligado a shows), e, claro, J. R. Duran e Antonio Guerreiro. Ele explica que optou pelos retratos em vez dos shows.

Fotógrafo por acaso, o ex-nadador do Vasco começou a trabalhar na área quando o técnico da equipe carioca pela qual nadava reclamou da dificuldade para contratar um profissional para fotografar a equipe do Vasco, em Santiago do Chile. “Se quiser, posso fazer as fotos para você”, disse o então nadador, já desistindo da carreira desportista. Desde então não parou mais, especializando-se em retratos. Na música, de Chico Buarque a Criolo, de Marisa Monte a Tiê, de Nelson Sargento a Kiko Dinucci, ele está sempre em busca da sintonia entre a imagem e a personalidade musical do artista.

De Minas, além do veterano líder do Clube da Esquina, Milton Nascimento, Daryan Dornelles fotografou Fernanda Takai e o novato Pedro Morais. Entre as capas de discos que fez está a do Barão Vermelho, em 2004. “O Fernando Magalhães (guitarra) sugeriu e a banda topou”, recorda Daryan, contando que o tradicional boca a boca é a tática que mais funciona na área. “Poucas pessoas têm o costume de ler créditos de revistas”, argumenta o fotógrafo, que, adepto do rock’n’roll desde a juventude, gosta de trabalhar com artistas de todos os gêneros e estilos, sem preconceitos.


RETRATOS SONOROS

De Daryan Dornelles
Editora Sonora
192 páginas
R$ 140

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