'Até que Aurora nos prepare', da Cia. Três Calados, entra em cartaz em BH

Espetáculo da recém-formada companhia mineira será encenado até domingo na Funarte

por Ailton Magioli 24/07/2014 08:00

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Bianca de Sá/Divulgação
Cena de 'Até que Aurora nos prepare', da Cia. Três Calados (foto: Bianca de Sá/Divulgação)
A temporada de estreia, interrompida por falta de recursos, será finalmente retomada, desta vez na Funarte MG, onde 'Até que Aurora nos prepare', da Cia. Três Calados, estará em cartaz apenas até domingo, depois de passar pela Fundação de Educação Artística, no ano passado.

Produto da recém-formada companhia mineira, o espetáculo nasceu da necessidade de Daniela Ramos Garcia, Fabiano Galdino e Libéria Neves darem continuidade ao trabalho iniciado na PUC (Grupo Filhos da PUC), com o objetivo de convergir o conhecimento das áreas de formação de cada qual (filosofia, comunicação social e psicologia) para o teatro e a linguagem teatral.

O primeiro espetáculo da companhia surgiu do estudo do livro 'Pequeno tratado das grandes virtudes', de Andre Comte-Sponville, no qual o filósofo materialista francês constrói uma escala de virtudes, a começar da polidez, que ele julga ser quase uma virtude, até o amor, que seria a maior de todas as virtudes. Em meio às duas, o autor passa por temperança, prudência, honestidade e boa-fé, entre outras 12 virtudes.

Em busca do essencial, em uma temática tão ampla descrita pela obra, os atores e dramaturgos chegaram à conclusão de que há virtude porque existe a morte. “Se não houvesse esse limite, a gente não necessariamente precisaria ser virtuoso”, aposta Fabiano Galdino, salientando que, a partir de então, a morte, também presente na obra de Comte, transformou-se em tema da montagem dirigida por Lucélia Saturnino.

Paralelamente, os atores e autores partiram para nova pesquisa, principalmente na literatura, em busca de imagens que refletissem as ideias do filósofo francês e servissem de substrato para a montagem, chegando a Murilo Rubião ('O pirotécnico Zacarias') e Carlos Drummond de Andrade ('Flor, telefone, moça') e outros autores, extrapolando as referências às áreas das quais os autores surgiram. “O filme 'O sétimo selo', de Ingmar Bergman, por exemplo, nos indicou o figurino do espetáculo”, revela Fabiano, salientando o processo coletivo da criação da companhia.

O espetáculo, de acordo com ele, desconstrói conceitos preestabelecidos da expressão “até que a morte os separe” por meio da história de um casal que se conhece em um velório e vive uma vida de lembranças e passagens, até que Aurora (a morte) um dia chega. Aurora, na verdade, é uma personagem (a narradora) da encenação (de 50 minutos de duração).

Uma porta, uma cadeira e um varal compõem o cenário do espetáculo, em que a música, de acordo com Fabiano Galdino, é usada como instrumento de enredo. “Já na primeira cena ouve-se 'Vista a roupa meu bem', de Roberto Carlos”, afirma, lembrando que roteiro e dramaturgia foram construídos coletivamente a partir de dinâmicas e improvisações de grupo, estimuladas por músicas e imagens variadas, além de textos de autores consagrados.

ATÉ QUE AURORA NOS SEPARE
Desta quinta até sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta. Classificação etária: 14 anos. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Informações: (31) 3214-3258.

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