Relembre a trajetória de João Ubaldo Ribeiro, mestre dos contos e dos romances

Jornalista e escritor de 73 anos faleceu nesta sexta-feira, em decorrência de uma embolia pulmonar

18/07/2014 09:15

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Divulgação
(foto: Divulgação)
Jornalismo, literatura, cinema, televisão. O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro foi um dos poucos que soube passear por diversas áreas com facilidade e reconhecimento, no Brasil e no mundo. Essa trajetória de sucesso foi interrompida nesta sexta-feira, por uma embolia pulmonar, que resultou na morte do escritor, aos 73 anos. João Ubaldo deixa quatro filhos, Emília, Manuela, Banto e Francisca.

Nascido na Ilha de Itaparica, em 23 de janeiro de 1941, João Ubaldo Ribeiro é o filho mais velho do casal Maria Felipa Osório Pimentel e Manoel Ribeiro. Ainda aos dois meses de idade, mudou-se para a cidade de Aracaju, Sergipe, onde foi alfabetizado e conheceu o amigo Glauber Rocha, com quem frequentou as aulas no Colégio da Bahia, em 1956.

Precoce, começou a trabalhar com jornalismo em 1957, como repórter no 'Jornal da Bahia'. Em 1958, inicia o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Apesar de concluir os estudos, nunca exerceu a profissão, dividindo o tempo entre os sisudos livros de Direito, com a edição de revistas e jornais culturais ao lado de Glauber Rocha, além do envolvimento com o Movimento Estudantil. Na mesma universidade, concluiu a pós-graduação em Administração Pública.

Sua primeira experiência na literatura foi em 1959, com a publicação do conto 'Lugar e circunstância', na antologia 'Panorama do Conto Bahiano', organizada por Nelson de Araújo e Vasconcelos Maia. Em 1961, teve os textos 'Josefina', 'Decalião', e 'O campeão' publicados na coletânea 'Reunião', ao lado dos escritores David Salles, Noêmio Spinola e Sonia Coutinho. O primeiro romance veio em 1963: 'Setembro não faz sentido'.

Eder Chiodetto /Divulgação
(foto: Eder Chiodetto /Divulgação)
Afastado da política brasileira no período da ditadura militar, por conta de uma bolsa de estudos conseguida junto à Embaixada norte-americana, para mestrado em Administração Pública e Ciência Política na Universidade da Califórnia do Sul, João Ubaldo não deixou de ser “perseguido”. Mesmo estando fora do país, teve sua foto publicada entre procurados por ser conhecido como esquerdista.

Já de volta ao Brasil, em 1965 leciona Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia, carreira da qual desiste novamente pelo jornalismo. Em paralelo, continua escrevendo contos e romances, como o aclamado livro 'Sargento Getúlio', com o qual foi vencedor do Prêmio Jabuti em 1972, na categoria 'Revelação de Autor'. A publicação foi lançada também nos EUA, em 1978, com tradução feita pelo próprio autor, com ótima recepção. Em 1974, lança o livro de contos 'Vencecavalo e o outro povo'.

Em 1981, mais um vez por conta de uma bolsa de estudos – concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian – muda-se do Brasil, agora para Lisboa, em Portugal. Lá edita, ao lado do jornalista Tarso de Castro, a revista 'Careta'.

Novamente no Rio de Janeiro, lança 'Política' e a coletânea de contos 'Livro de Histórias' - que depois seria republicado com o título de 'Já podeis da pátria filhos'. A estreia na literatura infanto-juvenil vem com 'Vida e paixão de Pandonar, o cruel', lançado em 1983. No mesmo ano, o sucesso 'Sargento Getúlio' é adaptado para o cinema pelo diretor Hermano Penna, com o personagem principal vivido por Lima Duarte.

O segundo Prêmio Jabuti da carreira foi recebido na categoria 'Romance', pelo livro 'Viva o Povo Brasileiro', editado em 1984. A publicação também levou o Golfinho de Ouro, do governo do Rio de Janeiro. João Ubaldo ainda recebeu os louros de uma das festas mais populares do mundo, o carnaval, tendo o livro escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca, em 1987.

Um dos grandes sucessos do autor, 'O sorriso do Lagarto', é lançado em 1989. Dois anos depois, o romance seria adaptado para minissérie da Rede Globo, por Walter Negrão e Geraldo Carneiro, tendo grandes nomes como Maitê Proença e Tony Ramos no elenco.

Em 1990 parte para Berlim, na Alemanha, onde morou por pouco mais de um ano, à convite da Deutsch Akademischer Austauschdienst. Na cidade, contribuiu com crônicas semanais para o jornal 'Frankfurter Rundschau'. Teve a oportunidade também de trabalhar com rádio, produzindo adaptações para o veículo, entre elas a de seu conto 'O santo que não acreditava em Deus'. O mesmo conto foi adaptado para a Rede Globo, dentro da série 'Caso Especial', veiculada em 1993. No dia 7 de outubro do mesmo ano foi eleto para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga que era ocupada anteriormente pelo jornalista Carlos Castello Branco.

Em parceria com o cineasta Cacá Diegues, trabalha na adaptação para o cinema no clássico de Jorge Amado 'Tieta do Agreste', em 1994. Os dois voltariam a trabalhar juntos nos anos 2000, no roteiro do filme 'Deus é brasileiro', estrelado por Antônio Fagundes e baseado no conto ' O santo que não acreditava em Deus'.

O ano de 1999 marcou outro grande – e polêmico - lançamento de João Ubaldo. 'A Casa dos Budas Ditosos', livro da série 'Plenos Pecados', da Editora Objetiva. Versando sobre a luxúria, o livro é narrado por uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia, falando de sua própria vida, e de como jamais se furtou a viver as infinitas possibilidades do sexo. Editado em diversos países, a venda do romance foi proibida em redes de supermercados portuguesas por conta de seu conteúdo sexual.

Em 2008, João Ubaldo Ribeiro foi agraciado com o Prêmio Camões, considerado o maior reconhecimento da língua portuguesa. 'O albatroz azul' foi o último livro lançado pelo escritor, em 2009. Ele traz a história de um homem muito velho que, apesar de detentor da sabedoria trazida por todos os seus anos de existência, ainda busca apreender algum sentido na vida.

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