Programa 'Castelo-Rá-Tim-Bum' vira exposição em São Paulo

Museu da Imagem e do Som recria cenários do castelo que marcou época na TV brasileira. Mostra fica em cartaz até o dia 12 de outubro

por Agência Estado 16/07/2014 11:53

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Divulgação / TV Cultura
Personagens do programa 'Castelo-Rá-Tim-Bum' (foto: Divulgação / TV Cultura)
No ano em que completa 20 anos, o programa 'Castelo-Rá-Tim-Bum' ganha uma mostra comemorativa no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo: 'Castelo Rá-Tim-Bum - A Exposição'. E quem visitar o MIS desde esta quarta-feira, 16, até 12 de outubro vai se sentir como um dos convidados do garoto Nino.

Dos objetos de cena como o famoso relógio falante, os livros e o quarto do Nino (Cássio Scapin) e o QG da bruxa Morgana (Rosi Campos), passando por uma cozinha sensorial, em que o público pode sentir o aroma dos alimentos, tudo foi concebido para transportar os antigos e novos fãs para a atmosfera do programa que marcou época e ainda hoje se mantém entre os favoritos do público infantil. “A ideia surgiu quando, ainda na fase das exposições do Stanley Kubrick e do David Bowie, estávamos com vontade de organizar uma exposição relacionada à cultura brasileira”, conta André Sturm, diretor do MIS.

“E um dos meus assistentes, que é louco pelo Castelo, me contou o programa estava completando 20 anos e sugeriu algo para a nossa maratona infantil”, relembra o diretor. “Cheguei, então, à conclusão de que o assunto merecia uma exposição. Afinal, é um dos melhores programas da TV brasileira dos últimos tempos. É impressionante a paixão que desperta até hoje. É um ícone”, completa Sturm.

O passo seguinte foi entrar em contato com a TV Cultura, que originalmente exibiu a série de 1994 a 1997 e reprisa atualmente todos os episódios, de segunda a sexta-feira, às 11h30 e às 19h30. Com a colaboração do canal, a equipe do MIS pesquisou no acervo o que poderia ser emprestado ao museu. “Checamos quais objetos, bonecos e figurinos poderíamos usar, pois alguns estavam envelhecidos. E fizemos uma parceria para o restauro do que estivesse precisando ser renovado. Em seguida, chamamos um cenógrafo que, a partir do que tínhamos desenvolvido, trouxe ideias e saídas para que a exposição fosse a melhor possível”, informa o diretor.

O resultado é mais uma mostra que faz bom uso do espaço nem sempre amplo do MIS para transportar o visitante a uma viagem pelo tema tratado. “É de fato desafiador nosso espaço físico, que nos faz usar a criatividade para criar as ambientações de nossas mostras. Sou suspeito, mas acho que conseguimos recriar o Castelo com muita fidelidade e, ao mesmo tempo, com muita magia” declara Sturm.

Museu da Imagem e do Som / Divulgação
Figurinos usados no programa infantil (foto: Museu da Imagem e do Som / Divulgação)
Além de agradar aos antigos fãs que cresceram assistindo na TV Cultura a série criada e dirigida por Cao Hamburger, a exposição tem tudo para conquistar novos fãs. “Vai ser ótimo. As crianças que viam o programa poderão hoje levar seus filhos, sobrinhos e afins”, comenta Hamburger. “Fiquei muito feliz com esta homenagem ao programa e aos fãs. Colaborei como pude para que tudo fosse o melhor possível”, completa o diretor, que criou o programa em parceria com o dramaturgo Flávio de Souza.

O diretor, que atualmente trabalha na edição de sua nova série para a TV, que também será exibida na TV Cultura e deve estrear em novembro, se surpreende com o fato de que até hoje o programa se mantém atual. “Ele envelheceu tecnicamente, pois foi gravado em um formato antigo. Mas o formato e o conceito continuam interessantes”, analisa Hamburger.

Para o criador, o programa foi inovador ao trazer elementos que dialogavam com o lançamento do Windows, em que quadros e atrações iam se abrindo diante do espectador. “Era o começo da revolução tecnológica que vivemos hoje. E, de certa forma, retratamos aquele momento. Já em seu conceito original tínhamos uma preocupação de falar da história da humanidade. Os personagens, como a Morgana, tem seis mil anos. O Dr. Victor (Sergio Mamberti) é um cientista preocupado com o futuro. Há ainda o Telekid (Marcelo Tas), praticamente um twitter, que tenta entender o que acontecia. O Castelo representa muito o assombro e o encantamento com a revolução que estava começando. Conseguimos equilibrar entretenimento e conteúdo. Não é à toa que este universo ainda encanta”, acrescenta o diretor.

É este admirável mundo novo que se revela, na verdade, o principal destaque da mostra. Muito por isso, o saguão do Castelo foi totalmente recriado no MIS. “As pessoas vão passar por um portão e, em seguida, literalmente entrar no Castelo”, conta Sturm.

Em paralelo, haverá diversas atividades, como o espetáculo Penélope, a repórter cor-de-rosa, uma oficina de animação stop motion e outra de instrumentos musicais; além da apresentação de espetáculos com alguns dos principais atores do elenco, como Rosi Campos (Morgana) e Angela Dip (Penélope).

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