Mariannita Luzzati expõe pinturas e desenhos inspirados em paisagens de vários estados do Brasil

Ao recriar a natureza, a artista subverte a devastação imposta pelos seres humanos

por Walter Sebastião 11/07/2014 06:00

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Uiara Azevedo/divulgação
Para a pintora e desenhista paulistana Mariannita Luzzati, a paisagem é tema inesgotável (foto: Uiara Azevedo/divulgação)
“Estamos precisando de respirar e meditar”, afirma a pintora Mariannita Luzzati, que expõe trabalhos na Celma Albuquerque Galeria de Arte, em Belo Horizonte. Essa opinião expressa um aspecto recorrente no que ela faz: imagens que se oferecem à contemplação. “Isso significa tempo para exercitarmos o olhar, para adotar postura diferente da que temos”, diz Mariannita. A questão está materializada em pinturas e desenhos dedicados metodicamente ao motivo da paisagem.

No momento, a artista se dedica especificamente à paisagem brasileira. “Mas removendo tudo o que o ser humano fez de ruim a ela”, avisa. O resultado traz a memória da paisagem natural. “É utopia, eu sei. Pintando a partir da observação, ficava pensando como aquilo seria mais bonito sem as construções. No mundo inteiro, com raras exceções, a paisagem natural está comprometida. No Brasil, ainda temos coisas que espero não sejam aviltadas”, adverte. Mariannita cita florestas e montanhas de Minas Gerais, além de formações rochosas encontradas no Rio de Janeiro, em Vitória (ES) e em Santos (SP).

“Removi as construções porque queria uma imagem absolutamente plácida da natureza. Vivo um momento em que preciso de menos informação, menos cor, menos barulho e gente”, conta. Os desenhos trazem essa questão, mas com simplicidade. Essa opção surge seduzida pela linguagem direta, carregando a sensação de algo que está nascendo.

Concerto Mariannita decidiu mostrar obras gráficas, o que não fazia há tempos. A exposição exibe também videocenário criado para o concerto do marido, o pianista Marcelo Bratke, que dialoga com o motivo das pinturas e desenhos.

A artista está convicta de que a paisagem é um tema inesgotável. O interesse dos colegas pelo tema, em todas as épocas, tem explicação simples: “Algumas delas são de tirar o fôlego”, diz Mariannita. As imagens criadas por ela, especificamente, não são reais nem imaginárias. “Elas partem da realidade, mas são transformadas. A pintura tem o poder de transformar as coisas”, explica.

Paulistana, a pintora, de 50 anos, mora em Londres. “Gosto da qualidade de vida, do povo, da educação e da oferta de cultura oferecidos na Inglaterra. Tudo funciona e, além disso, a gente tem acesso fácil ao material de pintura”, conclui.

Do Brasil para o mundo


Pintora e gravurista premiada, Mariannitta Luzzati participou de mostras em importantes instituições brasileiras, como a Bienal Internacional de São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo, além de museus no Rio de Janeiro, em Curitiba e Porto Alegre. Ela expôs também em Buenos Aires, Londres, Berlim e Bruxelas. Em 2011, foi uma das escolhidas para integrar Mulheres, artistas e brasileiras, mostra apresentada no Palácio do Planalto, em Brasília.

NO LAND
Pinturas e desenhos de Mariannita Luzzati. Celma Albuquerque Galeria de Arte, Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi, (31) 3227-6494. De segunda a sexta-feira, das 9h30 às 19h; e sábado, das 9h30 às 13h. Até dia 31.

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