Belo-horizontinas vão a São Paulo acompanhar espetáculo 'The old woman'

Novo espetáculo do norte-americano Bob Wilson é uma comédia com toques do teatro do absurdo

por Carolina Braga 11/07/2014 10:00

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Lucie-Jansch/Divulgação
Willem Dafoe e Mikhail Baryshnikov dividem o palco em 'The old woman', obra com linguagem e estética diferenciadas (foto: Lucie-Jansch/Divulgação)
“Tem coisas que a gente nem sabe se vai gostar, mas, mesmo assim, na nossa profissão é quase obrigatório assistir”, diz a atriz e maquiadora Gabriela Dominguez. É com essa máxima que ela e a também atriz Lira Ribas pretendem enfrentar os cerca de 600 quilômetros que separam Belo Horizonte de São Paulo para ver o novo trabalho do diretor norte-americano Bob Wilson. 'The old woman – A velha', espetáculo em cartaz no Teatro Paulo Autran, do Sesc Pinheiros, entre 24 e 27 deste mês e do dia 30 a 3 de agosto.


Além do mito em torno do diretor, existem outros atrativos nesse bojo. A nova montagem, com texto do russo Daniil Kharms, tem no elenco outros dois mitos das artes cênicas: o dançarino e ator Mikhail Baryshnikov e o ator Willem Dafoe. “Isso é imperdível. Acho que é uma oportunidade que não deve se repetir”, diz Lira Ribas.

Encenador, coreógrafo, escultor, pintor e dramaturgo, Bob Wilson é conhecido internacionalmente pela ousadia que a obra dele carrega. Seja na linguagem ou na estética. Desde a década de 1960 tem experimentado novos olhares, seja para o teatro ou para a ópera e também em outras artes. Uma de suas marcas registradas é o rigor com que leva adiante pesquisas ligadas ao uso da luz, da estrutura dos movimentos dos atores, assim como o uso do cenário. É aquele tipo de peça que, gostando ou não, o espectador consegue perceber que não há absolutamente nada fora do lugar.

“Sou fã do diretor porque ele tem uma linha de trabalho e segue durante bom tempo. Tudo o que ele faz busca um tipo de estética”, comenta Lira Ribas. “O que mais me encanta também é essa parte, mais do que a encenação ou o trabalho do ator. A ilusão que o Bob Wilson trabalha me encanta”, completa Gabriela.

Laços estreitados

 

Bob Wilson está virando freguês no Brasil. Desde 2009, ele se apresenta com frequência em palcos nacionais, principalmente os de São Paulo. No Festival Internacional Palco e Rua – Fit de 2010, apresentou em Belo Horizonte sua versão para Dias felizes, de Samuel Beckett. Última gravação de Krapp, Lulu e Ópera dos três vinténs são outras montagens que também passaram pelo país. No ano passado, os laços se estreitaram ainda mais. O diretor criou aqui, com elenco brasileiro, A dama do mar.

The old woman – A velha estreou na Inglaterra em 2013 e dali fez temporada em vários países europeus antes de inaugurar a temporada americana, no mês passado. Na montagem, Wilson dá continuidade à investigação que faz sobre todos os elementos da cena. A luz em tons frios, com os atores maquiados de branco, cenário basicamente em tons de cinza com pitadas de vermelho, parecem repetir imagens de outros espetáculos. A repercussão da crítica, no entanto, dá sinais de que o encenador ultrapassa isso. Trata-se de uma comédia com esperados toques do teatro do absurdo.

Assombração

 

A trama gira em torno da angústia de um escritor em dificuldades, que não consegue alcançar a paz consigo mesmo e é assombrado pela figura de uma velha mulher. Baryshnikov e Dafoe foram especialmente convidados para essa empreitada com o diretor. Conhecido em papéis no cinema como o Duende Verde, vilão da trilogia de Homen-Aranha, para Dafoe, The old woman é uma história de atmosfera paranoica com narrativa simples.

“Estou curiosa pelo texto. Fiquei instigada para saber como ele vai fazer isso com dois homens em cena”, comenta Lira. Além de São Paulo, The old woman – A velha também passará pelo Rio de Janeiro antes de seguir para Buenos Aires. “Acho que Belo Horizonte já está em uma rota teatral, tem público para isso”, lamenta a atriz.

Memória

‘“Lembro-me de que foi muito polêmico, muita gente saiu, mas fiquei até o fim, não só porque achava interessante, mas também importante ver aquele pensamento até o fim”, recorda Lira Ribas sobre a apresentação de Dias felizes (foto) no FIT-BH 2010. O espetáculo, apresentado no Palácio das Artes, foi a sensação daquela edição e realmente deu o que falar. Com mais de três horas de duração, a encenação se resumia a uma mulher enterrada. A genialidade estava principalmente no uso do som, da luz e de outros elementos que circulavam a ação – ou não ação – principal.

THE OLD WOMAN – A VELHA

Espetáculo dirigido por Bob Wilson, com Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe.
•Em São Paulo: de 24 a 27 deste mês e de 30 deste mês a 3 de agosto. Sesc Pinheiros, Rua Paes Leme, 195, Pinheiros, São Paulo, (11) 3095-9400. Ingressos: R$ 60 (inteira)
•No Rio de Janeiro: de 8 a 10 de agosto. Cidade das Artes. Av. das Américas, 5.300, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, (21) 3325-0102. Ingressos: R$ 250 (friso lateral) e R$ 350 (camarote). Compras pela internet em www.ingressorapido.com.br.

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