Literatura perde o ensaísta, tradutor e poeta Ivan Junqueira

Ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, ele ocupava a cadeira 37, que pertenceu a João Cabral de Mello Neto

por Carlos Herculano Lopes 04/07/2014 06:00

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Juan Esteves/Reprodução
(foto: Juan Esteves/Reprodução )
Depois de ficar internado mais de um mês no Hospital Pró-Cardíaco, no Bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, morreu ontem, em decorrência de insuficiência respiratória, o acadêmico, poeta, ensaísta e tradutor Ivan Junqueira. O corpo foi velado no Salão dos Poetas Românticos, no Petit Trianon da Academia Brasileira de Letras, da qual Junqueira foi presidente em 2004-2005. Era o sexto ocupante da cadeira de número 37, que pertenceu ao poeta João Cabral de Mello Neto. Estava com 79 anos. O enterro foi ontem à tarde, no mausoléu da ABL, no Cemitério de São João Batista.

O atual presidente da Academia Brasileira de Letras, o pernambucano Geraldo Holanda Cavalcanti, decretou três dias de luto e que a bandeira da ABL fosse hasteada a meio mastro. “Ivan era um acadêmico exemplar, que engrandeceu a Casa à qual serviu durante 14 anos com exação, competência e dedicação. Grande poeta, mestre indiscutível nas artes do ensaio crítico e da tradução literária, ele deixa um legado que enriquece a nossa tradição e a história literária do Brasil”, afirmou Cavalcanti em uma nota. Já o escritor paranaense Miguel Sanches Neto, em mensagem postada numa rede social, comentou a morte de Ivan Junqueira: “Convivi com ele a partir do final dos anos de 1990, sempre que ia ao Rio. Poeta essencialmente elegíaco, cultivou um diálogo contínuo com a morte”.

Trajetória


Nascido no Rio de Janeiro em 1934, Ivan Junqueira chegou a estudar medicina e filosofia na então Universidade do Brasil, mas não terminou nenhum dos dois cursos. Voltou-se então para o jornalismo, com passagens pela Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e O Globo, entre outros. Encontrou sua verdadeira vocação na literatura. Como tradutor, transcreveu para o português obras de escritores importantes, como os poemas do norte-americano T. S. Eliot e do francês Charles Baudelaire.

Dono de uma vasta obra, ficou mais conhecido pelos livros O fio de dédalo (1998), O outro lado (2007) e Cinzas do espólio (2009), que foram editados em várias línguas. Ivan Junqueira recebeu prêmios importantes, como o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em quatro ocasiões: 1995, 2005, 2008 e 2010. Venceu também o Prêmio Assis Chateubriand, da ABL, em 1985; o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, em 1991; o Prêmio da Biblioteca Nacional, em 1992; o Prêmio Luísa Cláudio de Souza, do Pen Clube do Brasil, em 1995; e Oliveira Lima, da União Brasileira de Escritores (UBE), em 1999. Foi editor executivo da revista Poesia sempre, da Fundação Biblioteca Nacional. Em 1984, foi escolhido “Personalidade do Ano” pela UBE.

Para comemorar os 80 anos do poeta, que seriam completados em 3 de novembro, a Editora Rocco irá lançar dois livros inéditos de sua autoria: Essa música, uma coletânea de poemas programada para sair ainda este mês; e Reflexos do sol posto, de ensaios, que deve chegar às livrarias em outubro. Já a Editora Nova Fronteira vai lançar a edição de bolso da tradução dos poemas de T. S. Eliot. Pelas editoras Record e Global serão relançadas duas obras de Ivan Junqueira: O outro lado, de poesias; e Testamento de Pasárgada, uma antologia crítica sobre a obra de Manoel Bandeira.
 
Boa-praça, bom de prosa e muito querido pelos amigos, com os quais não dispensava um bate-papo no fim de tarde em volta de uma mesa, Ivan Junqueira deixa viúva a jornalista e escritora Cecília Costa Junqueira e cinco filhos: Suzana, Rafael, Raquel, e Eduardo, do primeiro casamento; e Otávio, com a atual mulher.

Leitura básica – principais obras de Ivan Junqueira

Os mortos, poesia, 1965
A rainha arcaica, poesia, 1980
Cinco movimentos, poesia, 1982
O grifo, poesia, 1987
A sagração dos ossos, poesia, 1985
O outro lado, poesia, 2008
Testamento de Pasárgada, ensaios, 2003
À sombra de Orfeu, ensaios, 1985
O signo e a sibila, ensaios, 1985
O fio de dédalo, ensaios, 1999
Cinzas de espólio, ensaios, 2010
Quatro quartetos, de T. S. Eliot, tradução, 1967
T. S. Eliot, poesia, tradução, 1981
A obra em negro, de Marguerite Yourcenar, tradução, 1981
As flores do mal, de Charles Baudelaire, tradução, 1985
Albertina desaparecida, de Marcel Proust, tradução, 1998

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