Artista francês fotografa trajeto do Rio São Francisco e transforma em livro

Alain Dhomé viajou 3 mil quilômetros e tirou mais de 3 mil fotos para chegar ao resultado mostrado em 'Nas águas do Velho Chico'

por Ailton Magioli 26/06/2014 10:09

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Alain Dhomé/Divulgação
Alain Dhomé registrou personagens do trajeto do Rio São Francisco (foto: Alain Dhomé/Divulgação)
Da nascente na Serra da Canastra (MG) à foz no Oceano Atlântico, entre os municípios de Brejo Grande (SE) e Piaçabuçu (AL), foram cinco semanas de viagem por mais de 3 mil quilômetros pelo Rio São Francisco, onde o francês Alain Dhomé fez 3,6 mil fotografias. Posteriormente editadas e selecionadas, elas resultaram nas 120 imagens reunidas nas 180 páginas do livro 'Nas águas do Velho Chico', que ele lança hoje à noite, no Centro de Arte Popular da Cemig, com  apoio do Estado de Minas.

Originalmente apresentadas ao público em exposição, realizada entre o Brasil (Belo Horizonte e Brasília), França (Paris) e Colômbia (Bogotá), as fotos coloridas privilegiam os aspectos étnico e antropológico da paisagem, exibindo trabalho, lazer, religiosidade e outros aspectos da população ribeirinha (incluindo indígenas), com direito a passagem pelo Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, entre Januária e Itacarambi, no Norte de Minas, repleto de cavernas, sítios arqueológicos e pinturas rupestres.

Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe, por onde o São Francisco passa, foram os estados visitados pelo fotógrafo francês, naturalizado brasileiro, que produz imagens e textos de suas reportagens desde 1987. Em livro, ele participou de duas coletâneas ('Brasília 50 years – Força e leveza' e 'Abstrata Brasília concreta'), além do solo 'City of giants', em que reuniu registros de outdoors sobre filmes de Bollywood.

'Nas águas do Velho Chico' nasceu do convite de um funcionário da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para que ele viajasse da nascente à foz do São Francisco, em 1999. Até 2008, ele fotografou os cinco estados banhados pelo rio, os últimos registros já em digital, ainda que, na época, preferisse trabalhar com o bom e velho filme. “Gostei muito das viagens porque tudo era diferente para mim”, recorda o fotógrafo, encantado por cidades do Norte mineiro como Manga, São Francisco, Pirapora e Januária, além do Vale do Peruaçu, que classifica como “uma maravilha”.

As vistas aéreas foram o momento mais tenso do trabalho, já que o fotógrafo diz “sofrer um pouco” com altitudes. Como gosta de dizer, teve a oportunidade de fazer a viagem da qual o navegador italiano Américo Vespúcio, o primeiro chegar à América, acabou desistindo. Com projeto de um novo livro dedicado à Festa do Divino de Tocantins, onde fez mais de 5 mil fotos, o fotógrafo também tem várias reportagens jornalísticas inéditas em arquivo, entre elas uma sobre viúvas da Índia. O sonho atual é ir até o Sudeste asiático para conhecer e fotografar o Vietnã, Laos e Camboja.
 
'Nas águas do Velho Chico'
 
Lançamento nesta quinta, às 19h, no Centro de Arte Popular da Cemig, rua Gonçalves Dias, 1.608, Lourdes. A obra será vendida no localpor R$ 50. Informações: (31) 3222-3231

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