Circuito Cultural da Praça da Liberdade supera expectativas de público na Copa

Gentileza dos mineiros chama atenção dos turistas estrangeiros

por Carolina Braga 25/06/2014 08:28

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Beto Novaes/EM/D.A Press
Alan Marques, Yaileth Islas e Ana Quitana, turistas do México, com a brasileira Flávia Garcia, no Memorial Minas Vale (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Enquanto aguardavam no ponto de ônibus o transporte para a Pampulha, os moradores de Chicago Ivette Medina e Samuel Ramirez pediram informação à pesquisadora brasileira Joice Fonseca. Ela também estava a caminho daquelas bandas, porém ia para o câmpus da UFMG, enquanto o casal pretendia visitar a Igreja São Francisco de Assis. Os planos mudaram, já que a conversa desenvolveu entre eles. “Por que não dar uma passadinha na Praça da Liberdade?”, sugeriu Joice.

A mineira, que curiosamente nunca havia separado um tempo para conhecer o espaço, aproveitou e foi junto. Foi assim também com os chineses Wallace Wang e Kelvin Teo, acompanhados do americano Andrew Sprunger. “Passamos aqui antes de ir para o Mineirão. Será uma visita rápida”, disse Sprunger, na entrada do Memorial Minas Vale. “Vim pelo futebol e levo comigo grande impressão sobre os espaços culturais e a gentileza desta bela cidade. Obrigado de Buenos Aires”, escreveu o argentino Edgardo Navas, no livro de visitas do Centro de Cultura Popular da Cemig, também integrante do Circuito Cultural Praça da Liberdade.

Não era novidade para ninguém que isso ocorreria. Mas a visitação dos estrangeiros nos espaços culturais superou – e muito – as expectativas. No mês de maio, o Memorial Minas Vale, por exemplo, recebeu 278 visitantes de outros países. Somente entre 11 e 17 deste mês, o número chegou a 531. No prédio vizinho, o Museu das Minas e do Metal, entre 1º e 17 de junho, passaram 3.712 pessoas. Cerca de 20% de estrangeiros. No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) não foi diferente. A média de público saltou de 962 pessoas por dia, no mês passado, para 2.306 até 22 de junho. O recorde do espaço foi superado no domingo: 3.558 pessoas passaram pelo CCBB em um único dia.

Embora não haja números consolidados de todo o Circuito Cultural da Praça da Liberdade sobre o período da Copa, o movimento foi sensivelmente crescente. A média mensal de 60 mil visitantes já foi ultrapassada e, em maio, período pré-Copa, registrou-se o recorde de mais de 116 mil visitantes. A expectativa é chegar a 1 milhão até o fim deste ano.

“Está tendo Copa, né. Normalmente a gente espera um tipo de turista muito específico, consumidor, pouco preocupado com o lugar em que está. Tem sido muito diferente”, observa Lucas Pederneiras, recepcionista do CCBB. No tempo em que fica no hall de entrada do prédio histórico, atende o público em diversos idiomas, faz a contagem dos visitantes e ainda quebra o galho como fotógrafo dos turistas na suntuosa escada. “Tem sido uma Copa comunicativa, de uma forma muito legal. Parece que o problema da língua foi superado”, diz.

Que o diga o iraniano Mehrdadi Valinasab. “Achei tudo aqui original e autêntico. As pessoas querem preservar e promover a própria cultura”, surpreendeu-se o morador de Teerã. A calma dos cidadãos de Belo Horizonte também foi algo que marcou o visitante do Irã. “Vivo em uma cidade muito populosa e senti essa diferença aqui.” Valinasab estava ali para visitar o prédio e, de quebra, viu a exposição Resistir é preciso, sobre a resistência brasileira à ditadura militar.

Beto Novaes/EM
Os americanos Samuel Ramirez e Ivette Medina, posam para a nova amiga, a brasileira Joice Fonseca (foto: Beto Novaes/EM)
Curiosidade
“Os pontos turísticos foram bem divulgados, porque já chegam aqui sabendo do circuito. Já vêm com alguma informação”, observa Carlos Nagib, diretor-geral do CCBB. “Não é um assunto que interesse a qualquer pessoa e a curiosidade que têm demonstrado por nossa história chama a atenção”, ressalta Lucas. Ele, que fica na linha de frente, também está positivamente impressionado com a curiosidade sobre o passado do prédio e todo o processo de restauração. Há três semanas no Brasil, uma delas em Belo Horizonte, o empresário mexicano Franco Silva passeava calmamente entre as fotografias históricas expostas no CCBB. “É tudo muito intenso”, diz. Para ele, tanto a cidade como os equipamentos culturais da Praça da Liberdade chamam atenção pela limpeza.
 
“Achei a exposição muito interessante, mas a construção do prédio e suas cores chamaram mais minha atenção”, comentou o torcedor mexicano Alan Márquez no passeio pelo Memorial Minas Vale. Pensando em atrair principalmente o público que veio para os jogos, o espaço investiu em exposições temporárias tendo o futebol como tema.

 Futebol: sonho e paixão, por exemplo, dá oportunidade aos visitantes de conhecer jogadas e grandes ídolos que fizeram a história do futebol em Minas Gerais, com os arquivos da revista O Cruzeiro e do jornal Estado de Minas. “Acho que deu muito certo. Pelo retorno que a gente tem, está gerando uma satisfação grande”, conta Wagner Tameirão, gerente do memorial. Ainda sobre o mesmo tema, estão disponíveis uma mostra com fotografias sobre os campinhos de futebol amador na periferia de grandes e pequenas cidades e outra exposição com variações em torno da camisa 10 da Seleção Brasileira.

No Centro de Arte Popular da Cemig está montada a exposição Brasil Indígena – Herança e arte, com fotos e peças de 22 das mais de 200 etnias indígenas ainda existentes no Brasil. Foi exatamente a mostra que atraiu o inglês Spencer Platter. Futebol parecia ser o que menos interessava a ele. Poucas horas antes da eliminada Inglaterra entrar em campo contra a Costa Rica no Mineirão, ele percorria o prédio restaurado na Rua Gonçalves Dias. “Pedi informações e gostei desse museu, porque moro na Austrália e tenho interesse em arte indígena”, comentou o turista. Ele recebeu atendimento praticamente personalizado – e em inglês.


NO CIRCUITO

» FUTEBOL: SONHO E PAIXÃO
Homenagem ao futebol-arte de todos os tempos. Memorial Minas Vale. Terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Quintas, das 10h às 21h30 com permanência até as 22h. Domingos, das 10h às 15h30 com permanência até as 16h.

» RESISTIR É PRECISO
Exposição que marca os 50 anos do início da ditadura militar no Brasil (1964-1985), com artes plásticas, obras de fotojornalismo, videodepoimentos e documentação do período. CCBB. De quarta a segunda-feira, das 9h às 21h.  

» BARROCO ITÁLIA BRASIL – PRATA E OURO
O encontro da suntuosidade da prata italiana e o esplendor do ouro brasileiro. Casa Fiat de Cultura. Terça a sexta, das 10h às 21h, sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h.

» BRASIL FUTEBOL CLUBE
Trabalhos de diversos fotógrafos brasileiros que retrataram os campinhos de futebol amador na periferia de grandes e pequenas cidades. Memorial Minas Vale. Terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Quintas, das 10h às 21h30 com permanência até as 22h. Domingos, das 10h às 15h30 com permanência até as 16h.

» BRASIL INDÍGENA – HERANÇA E ARTE
Objetos que revelam o modo de vida nas comunidades indígenas. Centro de Arte Popular – Cemig. Terças, quartas e sextas-feiras, das 10h às 19h. Quinta-feira, das 12h às 21h e, aos sábados e domingos, das 12h às 19h.

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