Circuito Cultural Praça da Liberdade recebe festival de arte feita individualmente

Evento acontece de sexta a domingo

por Ailton Magioli 20/06/2014 06:00

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Rui Moreira Cia. de Danças/Divulgação
Rui Moreira vai apresentar a coreografia 'Receita' (foto: Rui Moreira Cia. de Danças/Divulgação)
A seleção de atrações do Festival Arte Solo, que terá sua primeira edição de hoje a domingo, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, é uma escolha, não um julgamento, avisa o curador e diretor artístico Ramon Coelho. “A concepção é minha. O trabalho foi criado exatamente pela dificuldade de mercado para a arte solo”, justifica ele, que, além de bailarino do Real Conservatório de Madri, foi ator do Grupo Oficina, de Zé Celso Martinez, estudou com Dulcina de Moraes, fez teatro com Miguel Falabella e ainda trabalhou como produtor com Raul Seixas, Leo Gandelman e Zizi Possi, entre outros.


Além de focar em trabalhos de prestígio, o novo festival prestigia, principalmente, a arte de uma única pessoa em cena, revelando ao público o que curador e outros profissionais do setor já haviam detectado. “Belo Horizonte é a capital da performance”, afirma Ramon Coelho, que fez questão de focar a programação não só no formato solo, mas no artista mineiro.

Depois de muito pesquisar, com a ajuda de vários artistas, ele diz ter chegado aos mais de 50 talentos que formam o elenco do Arte Solo. Em cartaz, artes visuais, circo e contação de história, dança, gastronomia, intervenções urbanas, literatura, música e teatro. Tudo isto com direito a uma ilha literária e a um piano de cauda em plena praça.

“A oportunidade de mostrar aos turistas o trabalho feito na periferia da cidade, que, geralmente, não ganha espaço, é muito boa”, comemora Eli Costa, coordenador do Arte Favela nos Becos – Olhares de BH, que vai levar para a Praça da Liberdade 30 quadros grafitados por jovens a partir do olhar de becos e vilas das comunidades do Aglomerado da Serra, Cabana do Pai Tomás, Goiânia, Alto Vera Cruz e Conjunto Felicidade. Morador da Vila Presidente Vargas, do Bairro Goiânia, Eli comanda o trabalho que reúne 120 jovens grafiteiros, já mostrado, inclusive, no Museu Abílio Barreto.

Em parceria com o coreógrafo Henrique Rodovalho, o bailarino e coreógrafo Rui Moreira (ex-Grupo Corpo) diz ter encontrado uma maneira muito interessante de colocar a subjetividade no movimento, traduzido em dança. Receita, a coreografia que ele leva ao festival, é uma sequência aleatória com texto que remete o público a uma receita de bolo xadrez. Embalada por música de Ritchie Hawtin, a bem-humorada peça tem 30 minutos e já foi levada do Brasil à França, passando pela Argentina.

Bares da vida Maurício Tizumba, por sua vez, promete retornar ao início de carreira quando, acompanhado apenas de seu violão, conversava muito com a plateia e também cantava. “Trata-se de algo tipo onde eu aprendi tudo. A minha vida toda nasce nos bares”, afirma o cantor, compositor e ator, que vai fazer da apresentação no festival um misto de música e textos, com violão e, claro, tambor. “Fico pensando que a vida inteira eu toquei em bares, sozinho, conversando muito com o público”, avalia Tizumba, cuja trajetória tem início em 1976, nos chamados “bares da vida”. “Na época, a gente nem pensava em performance. Era show, mesmo. Poderia ser um monólogo em que a gente toca e fala sozinho. Não tenho nome para isso, mesmo porque a performance não é apenas solo. Ela também pode ser em grupo”, conclui o cantor.

FESTIVAL ARTE SOLO
Hoje, das 17h às 22h; amanhã e domingo, das 10h às 21h. Apresentação de várias manifestações artísticas em formato solo. Circuito Cultural Praça da Liberdade. Entrada franca. Informações e programação: www.artesolobh.com.br.

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