Belo Horizonte recebe exposições inspiradas no universo do futebol

Fotografias, pinturas e vídeos destacam a presença do esporte na vida da cidade

por Walter Sebastião 10/06/2014 08:43

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Zoom Comunicação/Divulgação
Pintura de Lorenzato que integra a mostra 'Futebol em prosa', em cartaz na Galeria Manoel Macedo (foto: Zoom Comunicação/Divulgação)
O futebol-arte entra em campo nesta terça em BH. Em destaque, a exposição histórica 'Futebol: sonho e paixão', criada com fotos do arquivo da revista 'O Cruzeiro', que mostra os artistas da bola celebrados por meio dos craques mineiros. O time de mostras tem ainda três exposições, com obras de fotógrafos, pintores, videomakers e desenhistas. São elas: 'Brasil Futebol Clube', 'Futebol em prosa' e 'Por cima do futebol'. As duas primeiras são coletivas, a última traz fotos de Marcílio Gazinelli. Ponto comum na produção dos artistas é afeto declarado pelas manifestações populares que celebram o futebol.

'Futebol: sonho e paixão', realizada em parceria com o Estado de Minas, traz uma seleção de fotos realizadas entre 1950 e 1970. Põe em destaque alguns temas: os grandes craques mineiros ou que passaram por Minas Gerais, a transformação de Belo Horizonte a partir do surgimento das grandes arenas, o papel da mídia na propagação do futebol. “E há um setor dedicado à torcida, porque sem ela não há futebol”, observa Tibério França. “As pessoas vão poder ver jogadas espetaculares, de arrepiar”, garante o curador. Imagens que o espectador pode curtir deitado sobre grama sintética.

Está na mostra a arte de Pelé (que nasceu em Três Corações), Dirceu Lopes, Tostão, Reinaldo e Toninho Cerezzo, entre outros. Há fotos de dois técnicos, Telê Santana e Yustrich, e registros da atuação de radialistas que inocularam a paixão pelo futebol na população. Acrescente-se imagens dos antigos estádios dos clubes. Recupera-se a participação de Belo Horizonte na Copa do Mundo de 1950, quando a cidade sediou jogos, entre eles aquele que é considerado uma das maiores zebras da história: a vitória da seleção dos Estados Unidos sobre a Inglaterra por 1 a 0, gol do haitiano Paul Gaetsens.

O futebol, conta Tibério França, sempre foi popular em Belo Horizonte. A prova é que os principais clubes são quase todos centenários, tendo surgido praticamente junto com a cidade. A construção dos estádios, na esteira de projetos de modernização, significou abertura e multiplicação dos espaços de lazer. Sinalizam, na arquitetura fechada, transformação do esporte em negócio. “Se os campos antigos dos clubes tinham lugares no entorno, nos quais o torcedor podia ver o jogo sem pagar ingresso, as novas construções criam estruturas em que o jogo só é visto por quem pagou ingresso”, observa.
Arquivo EM
Reinaldo em imagem do acervo da revista 'O Cruzeiro', que está na mostra 'Futebol: sonho e paixão' (foto: Arquivo EM)

De várzea

'Brasil Futebol Clube', por sua vez é coletiva que apresenta quase 200 fotos, de 15 fotógrafos, com imagens do futebol de várzea. Ou seja jogos em campinhos ou quadras improvisadas, nas periferias de pequenas ou grandes cidades, onde crianças, adultos, homens e mulheres jogam exclusivamente por prazer. “Escolhi fotos coloridas, porque a cor traduz melhor a alegria, leveza, descontração desta prática, algo que não se encontra no futebol profissional”, explica Tibério França. São magens feitas por gente que ama futebol. “São todos fotógrafos consagrados e jogadores frustrados”, provoca o curador.

Quem ganha pequena, mas carinhosa homenagem na exposição, é o pintor, desenhista, professor e chargista Fernando Pierucetti (1910-2004), conhecido como Mangabeira. Ele criou os símbolos de vários clubes mineiros, alguns cultuados ainda hoje, como o Galo, a Raposa e o Coelho. Estão no Memorial Vale 20 desenhos do artista, bichos que ele escolheu para representar diversos clubes. Fernando Pierucetti, vale lembrar, participou do Salão do Bar Brasil, em 1936, que funcionava no subsolo do Cine Brasil, considerada a primeira exposição dos artistas modernos de Belo Horizonte.

Múltiplos olhares

“Futebol também é feito de torcedores conversando, discutindo, questionando jogadas, times, resultados. Imaginei, então, a reunião de obras em diversas linguagens, que permitissem recuperar essa prosa, poesia, música e dança que é o futebol”, explica Wilson Lázaro, curador da mostra 'Futebol em prosa', que também será aberta nesta terça, na Manoel Macedo Galeria de Arte. São visões distintas do esporte, que vão passar para o espectador a sensação e a emoção de estar vendo um partida. “São trabalhos com ginga, que é a mesma do nosso futebol”, observa o curador.

Para materializar a proposta, Wilson Lázaro reuniu tanto obras que têm elementos que remetem explicitamente ao futebol, quanto peças que não têm ligação direta com o motivo. De um lado, pintura de Lorenzato sobre campo de futebol, garoto brincando de goleiro em porta de garagem, foto de Rodrigo Albert, ou vídeo de Lula Wanderley. De outro, uma constelação de Lais Myrrha, um círculo de Roberto Cabot ou vídeo de Caetano Dias, cujo mote é o transe. Trabalhos que evocam a dança, o corpo, o movimento, mapas, países unidos pelo esporte.

“São visões do futebol. Olhares poéticos, às vezes políticos, em outros momentos atentos ao social. Que carregam o que é ideal na observação do objeto de arte: uma grande variedade de considerações”, afirma Wilson Lázaro. Ele é curador do Museu Artur Bispo do Rosário e publicou livro sobre o artista. A mostra Futebol em prosa é estreia do carioca como diretor artístico da Manoel Macedo Galeria de Arte de Belo Horizonte. “Uma galeria não vende quadros, mas ideias. O importante, hoje, não é só realizar exposições comerciais, mas apresentar um pensamento sobre a arte”, acrescenta.

Estão na exposição obras de Albano Afonso, Alexandre Navarro, Amílcar de Castro, Ana Horta, Artur Barrio, Cabelo, Camila Valones, Carlos Zilio, Caetano Dias, Cristina Motta, Fabio Tremonte, Laís Myrrha, Lorenzato, Lula Wanderley, Miguel Rio Branco, Paulo Amaral, Roberto Cabot, Rodrigo Albert, Sara Ramo, Marilá Dardot, Solange Pessoa e Wanda Pimentel.

De cima

Fotos aéreas de campos de várzea, da Região Metropolitana de Belo Horizonte estão na exposição 'Por cima do futebol' do fotógrafo Marcílio Gazinelli, que será aberta amanhã, na AM Galeria de Arte, com 50 fotos. O trabalho é resultado de três anos de pesquisa do autor, que é especialista em fotografia aérea, com gosto por realizar ensaios longos e temáticos. “A terra batida representa mais que um espaço para a prática do futebol. É um sonho para milhares de crianças brasileiras. Faz parte da realidade social e cultural do país” afirma. A exposição já foi apresentada – e bem recebida – em diversos festivais de fotografia do Brasil.

MHAB/Divulgação
(foto: MHAB/Divulgação)
História


'Belo Horizonte F. C. – Trajetórias do futebol na capital' mineira é o nome da mostra que vai ser aberta nesta terça no Museu Histórico Abílio Barreto. Traz fotografias, objetos, vídeos, áudios e mapas, contando a história do esporte em Belo Horizonte, dos primórdios à profissionalização e  popularização do futebol. Em destaque a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, que teve jogos em Belo Horizonte. A série “Peça em destaque”, que apresenta um item do acervo da instituição, traz fotos da inauguração do Mineirão (foto). O MHAB fica na Avenida Prudente de Morais, 202, Cidade Jardim. De 3ª a 6ª feira, das 9h às 11h e das 13h às 17h. Entrada franca.
 
'Futebol: sonho e paixão e Brasil Futebol Clube'

A partir desta terça, no Memorial Vale, Praça da Liberdade, s/nº, Funcionários. Terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 17h30; quintas, das 10h às 21h30; domingos, das 10h às 15h30. Até 27 de julho. Entrada franca.

'Futebol em prosa'

Várias técnicas. Abertura nesta terça, às 19h, na Manoel Macedo Galeria de Arte, Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates, (31) 3411-1012. Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 14h. Entrada franca.]

'Por cima do futebol'

Fotos de Marcílio Gazinelli. Abertura quarta-feira, na AM Galeria de Arte, Rua Cláudio Manoel 155, Loja 4, Funcionários, (31) 3223.4209. Segunda a sexta, das 10h às 19h; aos sábados das 10h às 13h30. Entrada franca. Até 12 de julho.

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