Arte indígena ganha exposição no Centro de Arte Popular Cemig

Objetos exibidos foram criados por índios de tribos de 22 etnias. Curador da mostra Evandro Kelmer se dedica à arte indígena há mais de 25 anos

por Walter Sebastião 04/06/2014 11:02

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 Evandro Kelmer/Divulgação
Cerâmicas, plumas, utilitários e objetos variados usados no cotidiano ou em rituais pelos povos indígenas ganham mostra na cidade (foto: Evandro Kelmer/Divulgação)
'Brasil indígena – herança e arte', mostra que vai ser aberta hoje no Centro de Arte Popular Cemig, traz arte tradicional do Brasil, que encanta o mundo e até os brasileiros: adornos feitos com plumagens e objetos utilitários (cerâmica, mobiliário e armamento) de povos nativos do país. São 74 peças, de 22 etnias, entre elas duas de Minas Gerais – pataxó e maxakali. A exposição tem curadoria de Evandro Kelmer e apresenta parte do acervo do Centro Cultural de Arte Indígena do Brasil. Além das peças, exibe documentação fotográfica sobre o tema.

Não se trata de artesanato, mas de arte feita com materiais da natureza, defende Evandro Kelmer. “Toda a confecção do objeto é produto de elaboração minuciosa, seguindo práticas tradicionais e, muitas vezes, com significado espiritual”, explica o curador. Processo que implica em coleta e preparação dos materiais, feitura de tintas, realização de motivos decorativos específicos da comunidade etc. O material é feito para uso pessoal, às vezes como complemento de renda, que pode gerar adornos confeccionados com mais de 1,5 mil penugens. “E a beleza das peças está no fato de serem produto de um processo”, observa o curador.

“A exposição traz arte plumaria belíssima, que poucos viram”, enfatiza Evandro Kelmer, que, apesar de gostar dos diversos objetos, não nega encanto especial pelos adornos indígenas. Esnoba: “É uma arte que fica ainda mais bonita quando se vê os índios usando os objetos durante rituais. Momento indescritível, já que envolve também danças, cantos, muitas pessoas”, acrescenta. O curador se dedicada à arte indígena há mais de 25 anos. Ele é mineiro de Juiz de Fora e veio ainda criança para Belo Horizonte. Há três anos, mora em Tiradentes.

O gosto pela arte indígena veio do pai, Dirceu Kelmer, que tinha algumas peças em casa. “Como gostava muito dos objetos, desde criança meu sonho era conhecer uma aldeia. Em 1985, fui ao Xingu. Desde então, aproveitava todas as férias para ir a alguma tribo”, conta. Ele já visitou mais de 50. Inicialmente, comprava as peças para ele, atividade que se ampliou, conseguindo espaço para as comunidades exibirem o que faziam. Tem, ainda, em Tiradentes, uma galeria dedicada à arte indígena (a Moitará). As peças da exposição são acervo, mas a lojinha do museu terá objetos para venda.

O conhecimento e reconhecimento da arte indígena, como explica Evandro Kelmer, cresceu em relação ao início do interesse pelo assunto. “Mas ainda permanece aquém do que merece”, afirma. Coleções públicas dedicadas ao assunto são mais fáceis de serem encontradas na Alemanha do que no Brasil (ele suspeita que exista apenas a do Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, e a do Museu Emílio Goeldi, em Belém). Situação distinta dos Estados Unidos, onde, “inclusive em cidades pequenas”, há museus dedicados à arte indígena.

A coleção de Evandro Kelmer tem, hoje, mais de 1 mil itens. Para abrigá-la, ele criou o Centro Cultural de Arte Indígena do Brasil, que pretende transformar em museu. Enquanto a instituição não vem, Evandro tem realizado exposições itinerantes do acervo. “Gosto de apresentar o material nas escolas, de receber professores, para que eles sejam também agentes que multipliquem o conhecimento da arte indígena.” Produção, avisa, que anda ameaçada pelo desmatamento por “interesses diferenciados no interior das aldeias” e pelo fato de os mais jovens, nas aldeias, estarem mais interessados em internet do que em arte tradicional.

'Brasil Indígena – Herança e arte'
Mostra de acervo de objetos indígenas. Centro de Arte Popular Cemig, Eua Gonçalves Dias, 1608, Funcionários, (31) 3222-3231. Aberta às terças, quartas e sextas, das 10h às 19; quintas-feiras, das 12h às 21h; sábados e domingos, das 12h às 19h. Entrada franca. Até 5 de outubro.

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