Sebastião Salgado traz a BH imagens de lugares intocados do planeta

Mostra com 245 fotografias será aberta no Palácio das Artes com entrada franca

por Carlos Herculano Lopes 03/06/2014 08:51

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Sebastião Salgado/Amazonas Imagens
Mulheres da povoação Zo'é, no Pará, em 2009, em foto que integra a mostra 'Genesis', registro da vida no planeta (foto: Sebastião Salgado/Amazonas Imagens)
Depois da abertura mundial, em abril do ano passado, no National History Museum de Londres, e de exibições em várias cidades brasileiras – Rio, São Paulo, Santo André e Porto Alegre –, chega a Belo Horizonte a tão esperada mostra 'Genesis', de Sebastião Salgado. Com curadoria de sua mulher, a arquiteta Lélia Wanick Salgado, a exposição será aberta à visitação pública a partir desta quarta-feira no Palácio das Artes e poderá ser vista até 24 de agosto. Serão apresentadas 245 fotografias, divididas em cinco seções geográficas, que irão mostrar, a partir do olhar sensível do artista, um dos fotógrafos mais celebrados do mundo, lugares ainda intocados do planeta: montanhas, desertos, rios, florestas, tribos indígenas, aldeias e animais em seu estado primitivo. Tudo formando um mosaico de celebração à natureza e à vida.

Radicado em Paris desde o final dos anos de 1960, quando teve de deixar o Brasil na companhia da mulher por problemas políticos durante a ditadura militar, Sebastião Salgado fez as fotografias de 'Genesis' entre 2004 e 2011, em diversas partes do mundo. Todas em preto e branco, como é a marca registrada do fotógrafo. Para realizar esse trabalho, que tem encantado milhares de pessoas pela sua exuberância e beleza, ele não mediu esforços: foram anos de trabalho estafante. De viagens em pequenos aviões, helicópteros, barcos e canoas a caminhadas desgastantes por lugares inóspitos da Terra, vivendo situações imprevisíveis. Muitas vezes sem saber se iria ou não atingir seus objetivos.

No conjunto da obra de Sebastião Salgado, que nasceu em Aimorés, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, em 1944, 'Genesis' é a sua terceira investida de longa duração em questões globais, que sempre estiveram no centro de suas preocupações, desde que resolveu deixar uma promissora carreira de economista para se dedicar à fotografia. A primeira foi 'Trabalhadores' (1986-1992) e a segunda 'Êxodos' (1994-1999). Em ambas as mostras, o fotógrafo procurou chamar a atenção, a partir de seu olhar diferenciado sobre as coisas e a natureza, para as bruscas consequências na vida das pessoas, sobretudo dos trabalhadores comuns, advindas de mudanças econômicas e sociais ocorridas nos últimos anos.

De acordo com Lélia Wanick, dessa vez, no entanto, Sebastião Salgado trata do nosso ambiente natural. “Em vez de colocar os holofotes nas consequências da poluição e das alterações climáticas sobre a terra, o mar e o ar, ele nos oferece um poema de amor, com imagens que exaltam a majestade e a fragilidade do nosso planeta, retratando a beleza deslumbrante de um mundo perdido, que, de alguma maneira, ainda sobrevive. E essa beleza proclama: isso é o que está em perigo, isso é que devemos salvar”, diz Lélia.

Nas fotografias de Genesis, que segundo Lélia Wanick foram organizadas em ecosistemas, por acreditar ser essa a melhor maneira de vislumbrar o funcionamento da natureza, o visitante poderá admirar imagens deslumbrantes da Antártica, com suas paisagens congeladas e animais, como baleias, que foram fotografadas em suas áreas de reprodução na Península Valdés. E ainda santuários diversos, como das Ilhas Galápagos, e populações da Nova Guiné e Irian Jaya, além dos Mentawai da Ilha Siberut, na Indonésia.

Também a África, uma das regiões do mundo mais amadas por Sebastião Salgado, é mostrada em toda a sua diversidade, como a vida selvagem do Delta de Okavango, em Botswana, e os gorilas do Parque Virunga, na divisa de Ruanda, Congo e Uganda. As imagens retratam ainda os povos do Deserto do Kalahari, em Botswana, e as tribos do Omo Sul e Etiópia. Sebastião Salgado também fotografou as chamadas Terras do Norte, como o Alasca e o Colorado, nos Estados Unidos, com suas paisagens naturais e deslumbrantes. A beleza do Pantanal brasileiro e a Amazônia também merecem destaque, assim como povos indígenas da Venezuela e outros brasileiros, dos estados do Mato Grosso e Pará, que ainda vivem como há milhares de anos.

De acordo com Lélia Wanick, o objetivo da exposição é abrir os olhos do público para as maravilhas da Terra. “Mas não somente aquelas que tivemos a oportunidade de captar em Genesis. Aqueles lagos, montes, parques e jardins representam nosso contato mais frequente com a natureza. Mas é no dia a dia que começa a batalha da conservação”, ressalta a curadora.

Ela conta que Genesis, na essência, foi a realização de um sonho dela e de Sebastião. E concretizá-lo não foi fácil. Foram meses e meses de planejamento até poderem ir a campo e começarem a visitar os lugares, muitos deles intocados e de muito difícil acesso. “Mas valeu a pena, e poder compartilhar isso com as pessoas é uma coisa maravilhosa. Porque, realmente, não foi fácil: andamos a pé, a cavalo, de barco, tomamos banho em rios, muitas vezes não tinha banheiro. O resultado, no entanto, foi fantástico, e vivemos uma experiência grandiosa, que é impossível esquecer”, diz Lélia.

Em 1998, na companhia do marido, ela criou o Instituto Terra, na Fazenda Bulcão, em Aimorés, onde desde então vêm fazendo um admirável trabalho de conservação da mata atlântica, já com dois milhões de árvores plantadas. É um gesto corajoso e exemplar, que materializa o sonho do projeto Genesis: ver florescer a vida como nas origens e comprometer os homens com a beleza e a preservação do planeta.

Genesis
Exposição de fotos de Sebastião Salgado, com curadoria de Lélia Wanick Salgado. Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e Espaço Maris’Stella Tristão do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Aberta para o público a partir desta quarta-feira. De terça a sábado, das 9h às 21h, e aos domingos, das 16 às 21h. Até 24 de agosto. Entrada franca. Informações: (31)3263-7400.

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