Livro de Lewis Carroll ganha versão ilustrada com a artista Yayoi Kusama

A combinação das imagens visualizadas por Kusama durante as crises e a loucura da narrativa de Carroll aparecem muito bem casadas nessa versão ilustrada de 'Alice no país das maravilhas'

por Nahima Maciel 27/05/2014 11:34

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Yayoi Kusama/Divulgação
Ilustrações do livro Alice no país das maravilhas feitas por Yayoi Kusama (foto: Yayoi Kusama/Divulgação)
Parece que Alice sempre viveu num país de bolinhas. Amarelas, rosas, vermelhas azuis, um mundo alucinado e em movimento, marcado pelo ir e vir das cores, dos cenários e dos personagens. Quando a japonesa Yayoi Kusama começou a ilustrar 'Alice no país das maravilhas', de Lewis Carroll, logo se deu conta de que suas alucinações tinham tudo a ver com a viagem fantástica da personagem. A combinação das imagens visualizadas por Kusama durante as crises e a loucura da narrativa de Carroll aparecem muito bem casadas nessa versão ilustrada de 'Alice no país das maravilhas'.

Editada pela Globo Livros e traduzida por Vanessa Barbara, a história vem cercada de delicadezas e cuidados editoriais que justificam a inclusão do volume em uma coleção alicemaníaca. O diálogo entre o texto e as ilustrações é fundamental, e Vanessa precisou respeitar cada bloco da narrativa para que estivesse perfeitamente encaixado com as ilustrações de Kusama. Não há nada fora do lugar. Quando Alice encolhe e tudo à sua volta fica gigantesco, os desenhos tomam a forma agigantada.
Quando a paisagem e seus ocupantes parecem surreais, as cores e formas acompanham.

A própria Kusama já comparou o mundo de Alice às suas próprias alucinações. A artista sofre de doenças mentais e vive em um hospício, em Tóquio, há 20 anos. Durante uma performance, no fim dos anos 1968, ela declarou: “Eu, Kusama, sou a versão moderna de 'Alice no país das maravilhas'”.

Vanessa Bárbara também tem uma relação antiga com Alice. Ela sempre admirou os jogos de lógica, os diálogos nonsense e o ritmo da narrativa de Carroll. Na faculdade, fez uma prova sobre o livro na qual escreveu invertido, como se estivesse em frente a um espelho. “Foi incrivelmente divertido”, conta. “Adoro, por exemplo, os diálogos da Alice durante o chá maluco, enfim, acho a maior graça em ver um personagem tentando usar a razão e insistindo em fazer perguntas sensatas aos outros, que por sua vez estão completamente enlouquecidos e engajados em suas lógicas próprias. E nesse caminho eles vão confundindo e manipulando a coitada da Alice, até que ela mesma esteja seguindo uma lógica torta.”

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