Escritora Ana Miranda lança dois livros em BH

Romances 'Semíramis' e 'O peso da luz - Einstein no Ceará' da cearense mesclam ficção, realidade histórica e personalidades literárias

por Walter Sebastião 26/05/2014 09:10

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Drawlio Joca/Divulgação
Ana Miranda destaca a riqueza literária, política e humana de José de Alencar, personagem de 'Semíramis' (foto: Drawlio Joca/Divulgação)
A escritora cearense Ana Miranda ficou conhecida por sua obra singular: romances que têm como personagens nomes da cultura brasileira, como os poetas Gregório de Matos (1636-1696) e Augusto dos Anjos (1884-1914). Ela lança hoje, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, dois novos livros, 'Semíramis', que traz como personagem José de Alencar (1829-1877), o mais conhecido dos autores do romantismo brasileiro, e 'O peso da luz – Einstein no Ceará'.

'Semíramis', pontuando as angústias de José de Alencar, traz o cenário literário brasileiro do século 19, marcado por autores ilustres (Gonçalves Dias, Castro Alves e Machado de Assis, entre outros), a partir da história de duas irmãs, Iriana e Semíramis. Já O peso da luz conta a aventura de um amante das ciências, estudioso das mas avançadas teorias, que escreve suas memórias.

Ana Miranda acredita que a mistura de ficção e história está presente de certa forma em todos os romances. “Alguns mesclam a história pessoal do autor com a trajetória de sua família ou de um amigo. No meu caso, além das histórias pessoais, uso a tradição literária brasileira e de seus autores, que são minha fonte linguística e meus personagens.”

A romancista conta que nos primeiros livros sofria com o dilema da recriação de gente que existiu de fato. “Perguntava-me se tinha esse direito, se eles estariam aprovando.” Para Ana, tudo é ficção num romance, “tudo é verdade poética”, propõe. Mas faz questão de frisar que respeita a realidade histórica e se preocupa com a pesquisa e a exatidão das datas e fatos históricos. “Resolvi grande parte da questão dando voz a um personagem narrador, narrando na primeira pessoa: não sou mais eu quem está dizendo, é o personagem.” Ela reconhece que o equilíbrio é delicado, “mas estou aprendendo aos poucos a lidar com tudo isso”, garante.

ANA MIRANDA
Lançamento dos livros Semíramis e O peso da luz – Einstein no Ceará. Hoje, às 19h30, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Entrada franca.

Três perguntas para...

Ana Miranda
escritora

Por que fazer de José de Alencar um personagem de Semíramis?

Sinto afinidades atávicas com José de Alencar. Ele sempre expressou, e muito nitidamente, suas inquietações, escreveu sobre elas. Não deixava passar nada, mergulhava nos conflitos, gostava mesmo de criar polêmicas, tanto na área da política quanto na literária. Era atento a tudo. Ele nasceu numa família de políticos e se envolveu em todas as querelas do poder. Sofria o conflito de não ser liberal como o pai, mas conservador, e de ser um inimigo do rei e trabalhar no governo imperial. Seus discursos como deputado eram ardentes, e ele enfrentava os abolicionistas, até mesmo seus pares. Batia-se contra os lusitanos, pregando uma libertação também da nossa língua brasileira. Enfim, sua vida foi uma guerra. Admiro-o muito por isso. Além de tudo, no romance brasileiro foi ele quem levou as primeiras balas no peito. Foi ele quem fundou e inventou a crônica como gênero jornalístico. Mas o que me interessou no meu romance não foi nada disso; foi compreender quem ele era na sua parte mais profundamente humana. Aquele menino, o Cazuzinha.

Quanto há de ficção e de realidade em Semíramis?

Em Semíramis, a família Alencar é real, como a avó, Bárbara do Crato, que foi uma heroína republicana, a primeira presa política na história do Brasil; tudo o que compõe a vida de Alencar se baseia em sua biografia real. O Crato é construído a partir de documentos da época. O Alagadiço fica aqui perto de minha casa, assim como Aquiraz. O núcleo ficcional é o universo de Iriana e Semíramis, e tudo o que elas apresentam é fictício. Assim, toda a vida de Alencar se torna ficção, apresentada por uma narradora inventada. Mas a ordem dos fatos, as datas, os acontecimentos, correspondem à biografia de Alencar.

E como chegou a O peso da luz – Einstein no Ceará?

Foi escrito para homenagear meu tio-avô, que era inventor. Esse tio, que se chamava Inácio Nóbrega e morava em Cajazeiras da Paraíba, inventou, nos anos 1930, um controle remoto. O livro é uma homenagem aos inventores em todas as áreas, às utopias e quimeras. Mas também é uma homenagem ao Ceará, pois aborda um tema cearense, que é a comprovação da teoria da relatividade geral, de Einstein, ocorrida durante um eclipse em Sobral, em 1919. Sobre Einstein, é entusiasmante sua personalidade ao mesmo tempo meiga e insolente, seu senso de humor, sua simplicidade e despojamento de bens materiais. E a inteligência brilhante dele, que se expressava em ideias científicas, mas também nas frases que ele despejava com espontaneidade.

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